Retrospectiva 2018: os 10 piores momentos do Carnaval carioca

Piores momentos do Carnaval do Rio de Janeiro no ano de 2018. Foto: Reprodução/Divulgação/SRzd

Chegou a hora de nos despedirmos do ano de 2018 no Carnaval (ainda bem?). Não foi um ano para se ter boas recordações. De janeiro a dezembro, a festa passou por problemas – algumas vezes esquecidos – e ainda enfrenta entraves perto da virada para 2019.

O SRzd selecionou os dez piores momentos da folia em 2018. Aqueles que qualquer sambista quer esquecer e deixar guardado no ano que vai passar, mas que precisamos lembrar para não se repitam no ano que vai nascer. No último dia do ano (31), sairá a lista dos melhores momentos.

10 – “Cerimônia na Corte fechou geral”

Final do concurso da Corte do Carnaval 2018 foi em 27 de outubro. Foto: Alexandre Macieira/Riotur

Os compositores do samba da São Clemente de 2008 não imaginariam que estariam prevendo um futuro. Dez anos depois, o Rio de Janeiro vai começar o ano de 2019 sem corte carnavalesca. A primeira seletiva do concurso que elege o Rei Momo e a Rainha do Carnaval, além de duas princesas, marcada para a última sexta-feira (21), fechou geral. A final que seria nesta quinta (27) também foi cancelada.

O evento de semana passada foi adiado há poucas horas do início, com candidatos terminando de se arrumar nos camarins. A porta-bandeira da Portela e apresentadora do evento, Lucinha Nobre, já estava maquiada na Cidade do Samba quando recebeu a notícia. De acordo com a Riotur, que organiza o concurso, o motivo foi a falta de autorização do Corpo de Bombeiros.

Esse não foi o primeiro problema com a cerimônia da Corte do Carnaval 2019. A princípio, por falta de recursos, a final seria realizada no palco do Réveillon de Copacabana, em 29 de dezembro. A Riotur voltou atrás e decidiu manter a festa na Cidade do Samba. Até o momento, contudo, a folia carioca segue sem seus representantes coroados.

9 – “Oh, saudade… meu Carnaval é você”

Caprichosos de Pilares. Foto: Divulgação
Tradicional escola de samba carioca, Caprichosos de Pilares está na Série D. Foto: Divulgação

Quem não gosta da Caprichosos, bom sujeito não é. Pode não ser sua escola de samba, mas qualquer um apaixonado pelo Carnaval tem algum carinho pela tradicional escola de samba de Pilares. Mas nos últimos anos, o que o povo do samba viu foi o desmonte de uma agremiação de tantos desfiles marcantes, como o da própria manchete: “E por falta em saudade” (1985).

No Carnaval 2018, a Caprichosos foi impedida de desfilar por problemas na documentação e caiu para a Série D, quarta divisão da folia carioca. Foi o terceiro rebaixamento consecutivo da escola. Em 2016, com o enredo sobre o jogador de futebol Petkovic, desceu da Série A para a B. No ano seguinte, caiu da B para a C.

Além das divergências burocráticas e políticas entre a família Leandro, que dirige atualmente a agremiação, e o ex-presidente Gilberto Nilo, a Caprichosos não tem enredo nem samba para o Carnaval 2019, a menos de 70 dias do desfile.

8 – “Quem me viu chorar”

Carro quebrado da Grande Rio foi um dos motivos que deixou a agremiação em 12º lugar na apuração. Foto: SRzd

Tudo que a Grande Rio quer para 2019 é poder cantar o verso do seu samba-enredo de 2012: “Quem me viu chorar, vai me ver sorrir”. Para isso, a tricolor tem o desafio de apagar a triste imagem deixada no ano de 2018. O último carro da escola quebrou na concentração, não entrou na Avenida, abriu um grande buraco e terminou na penúltima colocação.

O desfile que homenageou o centenário do Chacrinha foi o primeiro dos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage na Grande Rio e gerava bastante expectativa antes do Carnaval. O drama caxiense só não foi pior porque, beneficiada por uma mudança no regulamento depois da apuração, a escola não foi rebaixada para a Série A e permaneceu no Grupo Especial.

7 – “É pedra, quando a justiça pesa”

Regina Celi e André Vaz. Foto: Reprodução
Na época das eleições, Regina Celi e André Vaz participaram de debate no SRzd. Foto: SRzd

Muitas foram as pedras no caminho do Salgueiro durante o ano de 2018. A maior delas, a briga política e judicial entre a ex-presidente Regina Celi e o atual mandatário André Vaz. Foram sete mete e oito dias de confusão, no período entre a eleição de 6 de maio e a posse de Vaz em 14 de dezembro.

De lá pra cá, a turbulência política agitou a escola de samba. Coreógrafos da comissão de frente saíram, casal de mestre-sala e porta-bandeira saíram e voltaram, anexo da quadra correu risco de demolição, Vila Olímpica foi denunciada por má conservação, sem contar as idas e vindas das decisões judiciais, que faziam a agremiação ter um presidente diferente a cada 15 dias.

Após a nova diretoria assumir a escola, André Vaz disse que o Salgueiro está ‘em um mar de dívidas’, com barracão atrasado e funcionários sem receber. Ele prometeu colocar as coisas nos eixos o mais rápido possível. A ex-presidente, contudo, negou as acusações.

6 – “Chegou a hora de mudar”

Chiquinho da Mangueira confirmou ter recebido ajuda financeira de Sérgio Cabral. Foto: Reprodução

São recorrentes os problemas entre líderes de escolas de samba e a justiça. Em 2018, não foi diferente, e mais uma vez, a imagem do Carnaval foi manchada. O agora ex-presidente da Mangueira e deputado estadual, Chiquinho foi preso em 8 de novembro, alvo da Operação Furna da Onça e acusado, junto de outros parlamentares, de corrupção, lavagem de dinheiro, loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos de administração estadual.

De acordo com o Ministério Público, Chiquinho também havia pedido R$ 1 milhão para o ex-governador Sérgio Cabral para viabilizar um dos desfiles da verde e rosa. Em depoimento, o ex-presidente confirmou que Cabral ajudou financeiramente por ser torcedor da escola. A prisão de Chiquinho pegou tão mal para o Carnaval que motivou a saída da patrocinadora Uber.

Jayder Soares, presidente de honra da Grande Rio, também esteve na mira de uma operação: Mala Fortuna, que investiga a exploração ilegal de jogos na Baixada Fluminense e a prática criminosa de lavagem de dinheiro. Em 6 de dezembro, equipes fizeram buscas na quadra da agremiação e no barracão na Cidade do Samba.

5 – “Nosso povão ficou fora da jogada”

Manifestação contra cancelamento dos ensaios técnicos na Sapucaí. Foto: Vinicius Albudane
Manifestação contra cancelamento dos ensaios técnicos na Sapucaí ocorreu em 7 de janeiro de 2018. Foto: Vinicius Albudane/SRzd

Nem lugar na arquibancada (e nas quadras) ele tem mais pra ficar. Aquele carioca que se empolgava em janeiro, preparava seu cooler e sanduíches naturais, e rumava para a Marquês de Sapucaí, ficou com um espaço vazio na programação dos finais de semana que antecedem o Carnaval carioca. Por falta de verba, os ensaios técnicos foram cancelados.

Rolou até protesto no início do ano, mas nada mudou. E em 2019, infelizmente, há grande chance do momento voltar a figurar entre os piores do ano. Até agora, os treinos no Sambódromo não foram confirmados e a maior possibilidade é que, por mais uma vez, não ocorram.

Vale lembrar do cancelamento recente dos ensaios de quadra em algumas agremiações, como Mangueira, Mocidade, São Clemente e Inocentes de Belford Roxo. O motivo foi a falta de acordo financeiro entre a prefeitura e as escolas de samba.

4 – “Num lance esperto, de um jeito incerto”

Acadêmicos do Grande Rio e Império Serrano não foram rebaixadas em 2018. Foto: Juliana Dias/SRzd

No Carnaval tudo pode acontecer e te surpreender (ou não), mesmo depois da apuração. Se em 2017, teve campeã meses depois da Quarta-Feira de Cinzas, em 2018 tiveram escolas voltando ao Grupo Especial dias após terem sido rebaixadas. Uma plenária da Liesa, em 28 de fevereiro, determinou que ninguém cairia no Carnaval 2018. O fato marcante da folia desse ano foi bastante criticado por torcedores e chamado de ‘virada de mesa’.

As duas últimas colocadas na apuração, Império Serrano (13º) e Grande Rio (12º), foram beneficiadas pela decisão. Com a subida da Viradouro, o Grupo Especial terá, após 11 anos, 14 escolas na elite carioca. Foi a segunda vez consecutiva sem rebaixamento no Especial. Em 2017, devido aos acidentes nos desfiles de Tuiuti e Tijuca, todas as escolas permaneceram na primeira divisão.

Com a decisão do Especial, a Série A embarcou na jogada e também decidiu que a Sossego, última colocada do grupo, não seria rebaixada para a Série B.

3 – “Salva meu Deus nosso hábitat”

Dirigentes da Inocentes de Belford Roxo, Alegria da Zona Sul e Acadêmicos de Santa Cruz. Foto: Divulgação
Dirigentes de Inocentes de Belford Roxo, Alegria da Zona Sul e Acadêmicos de Santa Cruz em manifesto contra problema dos barracões da Série A. Foto: Divulgação

Nunca é fácil para as escolas de samba da Série A, mas em 2018 ficou ainda pior. Fora os incêndios que vira e mexe atingem os barracões das agremiações, como ocorreu em 24 de junho com a Porto da Pedra, dessa vez, muitas delas correram o risco de perder os espaços de construção de alegorias e fantasias para o Carnaval. Algumas escolas conseguiram acordo, mas outras foram despejadas dos locais pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (CDURP).

Atualmente, duas escolas passam por maiores dificuldades. A Santa Cruz teve seu barracão lacrado, com alegorias dentro, e não pode entrar no local. Já a Alegria da Zona Sul está sem espaço para produzir seu desfile e os carros alegóricos se encontram em um terreno baldio ao lado da Avenida Brasil.

2 – “Me dá um dinheiro aí”

Fernando Mac Dowell, Marcelo Crivella e Marcelo Alves. Foto: SRzd
Fernando Mac Dowell, Marcelo Crivella e Marcelo Alves, em coletiva para apresentar o Carnaval carioca de 2018. Foto: SRzd

“Pra investir no sonho e vestir a fantasia”, a escola de samba precisa de verba. E pelo andar da carruagem, vai ser difícil pôr “renda na baiana” e tirar “nota 10 na bateria”. Se já estava difícil no ano passado, em 2018 uma grave crise financeira atingiu o Carnaval carioca. A prefeitura cortou novamente o valor da subvenção e grandes patrocinadores, como o Supermercados Guanabara e a Uber, saíram do evento.

Com isso, as escolas do Grupo Especial receberão somente R$ 500 mil do governo municipal. As da Série A, R$ 250 mil. As demais agremiações das divisões inferiores, além das mirins e blocos de enredo, terão de dividir um valor de cerca de R$ 3,5 milhões.

Não para por aí: além da verba curta, há a demora pelo depósito do dinheiro. Até o momento, nenhuma agremiação recebeu o apoio da prefeitura, o contrato com o governo sequer foi assinado.

1 – “E eu que agora moro nos braços da paz”

Dona Ivone Lara foi enredo do Império Serrano em 2012. Foto: Divulgação/Riotur

A folia carioca chorou muitas vezes em 2018 e agora resta a saudade daqueles que foram fazer samba lá em cima. Em 17 de abril, a dama e diva Ivone Lara morreu aos 97 anos devido a um quadro de insuficiência cardiorrespiratória. Baluarte do Império Serrano, a dona de um “sorriso negro” foi a primeira mulher a compor e gravar samba-enredo no Brasil.

Lendário mestre de bateria, Jorjão partiu aos 66 anos de idade, em 27 de outubro. Ele marcou história com a paradinha funk na Viradouro, em 1997, quando foi campeão. Seu companheiro de ritmo, mestre Paulão, da União da Ilha, foi outro que deixou o mundo do samba, em 17 de julho. Dois dias antes, o intérprete Sobrinho morreu aos 67 anos. Ele teve história marcante na Unidos da Tijuca.

Dois grandes compositores também deixaram o papel e a caneta na Terra. Wilson Moreira, de 81 anos, morreu em 7 de setembro. Casquinha, baluarte da Portela, partiu aos 95 anos em 3 de outubro.

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