Liesa e agremiações apresentam reivindicações à Riotur e Castanheira acredita em final feliz

Presidente da Liesa, Jorge Castanheira conseguiu apoio para viabilizar treinos no Sambódromo. Foto: Reprodução/SRzd

Se o mundo do samba pudesse fazer um pedido de Natal, seria um final feliz para Carnaval carioca. A reunião na Cidade das Artes entre a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), dirigentes das agremiações e o presidente da Riotur, Marcelo Alves, alimentou o sonho de um desfecho favorável à folia. Jorge Castanheira, presidente da Liga, foi um dos que saíram otimistas com o encontro na tarde desta quarta-feira (12).

– Assista à cobertura da reunião entre Liesa, escolas de sambas e Riotur

Acreditamos que o prefeito vá se sensibilizar com o momento delicado que o Carnaval está passando

“Pedimos ao presidente (Marcelo Alves) para criamos uma nova agenda junto ao prefeito (Marcelo Crivella) e ao secretário Messina (Casa Civil) para que a gente consiga reverter essa quadro. Estamos bastante otimistas em querer resolver essa questão. A gente entende a dificuldade que a prefeitura está passando em gerenciamento de orçamento de caixa, mas já tínhamos combinado esse valor (de R$ 1 milhão), e acreditamos que o prefeito vá se sensibilizar com o momento delicado que o Carnaval está passando”, declarou Castanheira em entrevista coletiva ao final da reunião.

Liesa quer reunião com Crivella o mais rápido possível. Foto: Reprodução

O objetivo da reunião, segundo ele, foi passar à Riotur os problemas que as agremiações vem enfrentando nos últimos meses e reivindicar o recebimento da subvenção. Na última sexta-feira (7), o mundo do samba foi surpreendido com a publicação no Diário Oficial de somente R$ 500 mil para cada escola do Especial. O valor combinado era de R$ 1 milhão. Até o momento, os R$ 240 mil que cairiam na conta das agremiações esta semana não foram depositados.

Graças à indefinição da verba da prefeitura, Mocidade, São Clemente, Inocentes de Belford Roxo e Mangueira cancelaram ensaios. A verde-e-rosa ainda precisou demitir parte da equipe de trabalho. O Império Serrano trabalha com o que pode para não fechar o barracão na Cidade do Samba.

“Todas as escolas vieram aqui nesse momento para passar a circunstância e angústia que estamos vivendo. Fomos informados desse corte de 50% do recurso que a prefeitura repassa para o Carnaval há poucos dias. As escolas de samba, com todo seu projeto em andamento, não têm como retroceder”, disse o presidente da Liesa.

Ensaio rua e roda de samba da Mocidade foram cancelados por falta de verba. Foto: Eduardo Hollanda

Presidente da Riotur: ‘A reivindicação é legítima’

Também otimista em relação ao desfecho do caso e concordando com a justificativa dos dirigentes, Marcelo Alves, presidente da Riotur, fez questão de agradecer à Liesa pela forma como tenta resolver as questões do Carnaval. Ele ainda disse que já solicitou a reunião com o prefeito Crivella e o secretário da Casa Civil, Paulo Messina, e espera que possam se reunir o mais rápido possível: “Isso tem que ser já”, falou.

Cabe a nós buscar caminhos para que o maior espetáculo da Terra tenha cada vez mais recursos privados

“A relação excelente que temos com a Liesa não é de hoje. Entendemos a importância desse evento para a cidade. A reivindicação que eles trouxeram é legítima. A maioria dos presidentes colocaram suas situações. Da mesma forma, a situação da prefeitura também é legítima. E cabe a nós buscar caminhos para que o maior espetáculo da Terra tenha cada vez mais recursos privados, que é a pauta estamos nos dedicando”, afirmou Marcelo Alves.

Sobre a possível entrada do empresário responsável pelo Rock in Rio, Roberto Medina, na administração do Carnaval, o presidente da Riotur disse que o assunto deve ser tratado pela Liga: “Qualquer projeto que faça incrementos comerciais e de marketing para o maior espetáculo da Terra é super bem-vindo. As definições cabem à Liesa. O que pudermos apoiar e contribuir, nós faremos.”

Vale lembrar que a assessoria do empresário negou que Medina tenha planos para comandar a folia carioca. No entanto, o ex-diretor de Operações do RiR, Márcio Cunha, esteve presente na reunião plenária desta segunda-feira (10) com dirigentes das escolas e Liesa.

Roberto Medina foi cogitado para assumir Carnaval carioca, mas assessoria do empresário negou. Foto: Reprodução

Riotur ainda espera resposta da 99

Com a desistência da Uber aos 40 minutos do segundo tempo, a Riotur corre atrás de novos patrocinadores. A 99, rival da Uber no ramo de transporte via aplicativo, foi uma das empresas cogitadas para ocupar a vaga da concorrente. De acordo com Marcelo Alves, a 99 não está descartada. Ele ainda espera uma resposta da companhia.

Já estamos tomando uma medida judicial que será publicada até sexta-feira

Na entrevista coletiva após a reunião na Cidade das Artes, o presidente da empresa municipal de turismo também aproveitou para, mais uma vez, se posicionar contra a decisão tomada pela Uber.

“Eu queria registrar novamente nossa profunda insatisfação com a desistência da Uber. Não foram corretos. Foi uma decisão que prejudicou não só o maior espetáculo da Terra, como os fazedores do Carnaval. Já estamos tomando uma medida judicial que será publicada até sexta-feira. O que eu peço à Uber é bom senso. Se há um documento assinado que confirma a presença no Carnaval, tirar a dois meses é uma decisão extremamente irresponsável.”

Vale lembrar que em 2018 a Uber destinou R$ 500 mil a cada agremiação do Grupo Especial e mais R$ 2,5 milhões à montagem da estrutura dos desfiles na Intendente Magalhães.

Com a saída da patrocinadora Uber, Riotur espera resposta da 99. Foto: Reprodução

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