Grande Rio 2018: problema no último carro compromete chance de escola ‘ir para o trono’

Alegoria que quebrou Grande Rio. Foto: SRzd

A Acadêmicos do Grande Rio foi a quinta escola de samba a passar pela Marquês de Sapucaí na primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Por conta de um problema no último carro alegórico, a tricolor caxiense teve sua chance de tentar “ir para o trono” com um enredo em homenagem a Abelardo Barbosa comprometido. O sexto e último carro da Grande Rio, que representava as origens do “Velho Guerreiro”, quebrou antes de entrar na Avenida e atrapalhou a evolução da agremiação. Por conta disso, a escola também estourou o tempo de destile e terá décimos descontados.

Camaleoa, a Grande Rio este ano se adaptou às características mais marcantes dos carnavalescos Renato e Márcia Lage e desfilou com um visual moderno, tecnológico e colorido. Apesar dos problemas técnicos, a tricolor de Duque de Caxias conseguiu levar a irreverência de Chacrinha ao sambódromo por meio do enredo “Vai para o trono ou não vai?”. O título do tema escolhido pela Grande Rio é uma referência a um dos famosos bordões de Abelardo Barbosa, mas também uma brincadeira com a história da escola. Ainda que seja uma das principais agremiações do Carnaval do Rio — contabilizando 26 desfiles no Grupo Especial — a tricolor caxiense nunca conseguiu um título de campeã. A última vez que a Grande Rio chegou mais perto do campeonato foi em 2010, quando conquistou o vice. Em 2017, a agremiação foi classificada em quinto lugar com o enredo sobre a cantora Ivete Sangalo.

Enredo

Para este ano, a Grande Rio apostou em um personagem cuja imagem é a personificação do espírito carnavalesco. Figura emblemática do rádio e da televisão brasileira, Abelardo Barbosa, o eterno Chacrinha, teve suas diversas facetas retratadas ao longo dos seis setores da agremiação. A proposta dos carnavalescos Renato e Márcia Lage para este desfile era fazer com que todos os componentes da escola fossem Chacrinha por uma noite.

O enredo contou de trás para frente a história de Abelardo Barbosa nos veículos de comunicação. Para abrir o desfile, a comissão de frente “colocou o Cassino do Chacrinha no ar”. Em uma alegoria, uma família sintonizou os programas de Abelardo Barbosa em uma grande televisão. Com a Avenida devidamente sintonizada, o primeiro carro alegórico —uma referência ao bordão “Quem não se comunica, se trumbica!” — trouxe vários microfones, antenas e uma escultura de Chacrinha rodando com um bacalhau na mão. Os diversos visuais do Velho Guerreiro em seus programas foram traduzidos para uma versão carnavalesca logo no segundo setor. O segundo carro, “Discoteca do Chacrinha”, trouxe uma grande escultura de Abelardo Barbosa com o dedo levantado. No carro estava o ator Stepan Nercessian, que nos últimos anos tem representado Chacrinha no teatro e na televisão.

O terceiro setor estava com um contexto tropicalista, visto que o comunicador também serviu de referência para o movimento cultural. A terceira alegoria resumiu isso com um grande abacaxi no meio. Já o quarto setor representou a TV em preto e branco e a luta pela audiência. O trabalho árduo do comunicador e a criação de quadros “insanos” para conseguir a atenção do público foram retratados ao longo das alas. O trabalho de Abelardo Barbosa na rádio foi homenageado no quinto setor. Foram explorados tanto seu início na Rádio Clube de Niterói quanto o posterior estúdio dentro de uma pequena chácara que o imortalizou como Chacrinha. O quinto carro da agremiação trouxe uma versão carnavalizada de um cassino dentro de uma chácara repleta de animais.

O último setor representou Pernambuco e as origens do comunicador. Por conta de problemas técnicos, o sexto carro alegórico não entrou na Avenida durante o desfile e comprometeu o enredo da escola, conforme citado anteriormente.

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Desfile Acadêmicos da Grande Rio. Foto: Juliana Dias/ SRzd

Comissão de frente

A comissão de frente da Grande Rio veio para anunciar que a escola entraria “no ar” e que o Cassino do Chacrinha iria começar. Em uma performance em cima de um carro bastante tecnológico, uma família brasileira estava sentada na frente de uma grande televisão para assistir ao programa do Chacrinha. Quando o canal sintonizava, a família caía dentro da programação e interagia com os artistas do cassino. Em conversa com o SRzd, a coreógrafa Priscilla Mota compartilhou que o vídeo divertido que passou na televisão foi gravado em dezembro do último ano. “Os próprios bailarinos da comissão são os que apareceram no vídeo que passou na grande televisão do carro. Foi muito preparo e muito ensaio para tudo ficar bonito para um grande espetáculo. É uma comissão teatralizada, coreografada e com bastante interação com a tecnologia”, revelou. O carro da comissão de frente girava para a apresentação na frente dos jurados. De acordo com o comentarista do SRzd Márcio Moura, a agremiação fez uso da tecnologia na simplicidade da apresentação.

Desfile Acadêmicos da Grande Rio. Foto: Juliana Dias/ SRzd

Casal de mestre-sala e porta-bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Grande Rio representou Chacrinha e Elke Maravilha. Daniel Werneck e Verônica Lima fizeram uma apresentação tradicional, mas incluíram também alguns passos de frevo. “A gente buscou montar uma coreografia em cima da dança tradicional. Não queremos perder a essência. Porém, quando eles mencionam o frevo, fazemos uma brincadeira com uns passos diferentes”, comentou Daniel previamente para o SRzd. Já Verônica mencionou que sua performance envolveu uma teatralização de acordo com a personalidade de Elke Maravilha. “Ao longo da minha apresentação, eu faço umas coisas bem caricatas e bem alegres como a Elke era, mas, é claro, sem sair do tradicional da dança”, afirmou. O casal desfila junto na agremiação desde 2015. Verônica é a primeira porta-bandeira da escola desde 2013, tendo ocupado o posto também entre 1999 e 2001.

Desfile Acadêmicos da Grande Rio. Foto: Juliana Dias/ SRzd

Apesar do preparo e da experiência na Avenida, parte do figurino do mestre-sala caiu na frente do primeiro grupo de jurados. De acordo com o comentarista do SRzd Mestre Manoel Dionísio, o infortúnio atrapalhou um pouco o bailar do mestre-sala. “Logo no primeiro jurado, a buzina dele caiu. Ele tentou sair […] Se o jurado percebeu aquilo ali, vai ser um problema”, comentou.

As fantasias do casal esbanjavam opulência com brilhos e plumas. As cores prata e verde neon combinavam com os primeiros carros da agremiação. “A fantasia representa um Chacrinha e uma Elke Maravilha futuristas. Estamos nas cores prata e verde florescente em harmonia o início da escola”, explicou Daniel.

Bateria

Após obter uma das notas mais baixas no quesito Bateria em 2017, a Grande Rio desfilou com a intenção de se superar. A Invocada, como é conhecida a bateria da agremiação, foi comandada pelo Mestre Thiago Diogo pelo quarto ano seguido. Vestidos de “troféu abacaxi”, uma das criações do Velho Guerreiro, os ritmistas fizeram bossas coreografadas e paradinhas ao longo do desfile. Bruno Moraes, comentarista do SRzd, destacou a boa execução das alas de tamborim, chocalho, cuíca e caixa e guerra. Bruno também ressaltou um problema no som, que independe do controle da agremiação. Assista às observações do especialista:

Com o fim do reinado da atriz Paloma Bernardi, a Invocada ganhou outra atriz famosa para abrilhantar sua passagem. Juliana Paes, que fez história no Carnaval do Rio à frente da bateria da Viradouro, teve o desafio de atrair ainda mais atenção para a bateria da Grande Rio. Vestida de “Essência Tropical”, a atriz esbanjou simpatia e manteve o pique até o final mesmo com os contratempos da agremiação.

A tricolor caxiense tem um longo histórico de celebridades no posto de rainha de bateria. Entre as famosas que passaram pelos posto na agremiação estão: Grazi Massafera, Susana Vieira, Paola Oliveira, Ana Furtado e Luciana Gimenez.

Desfile Acadêmicos da Grande Rio. Foto: Juliana Dias/ SRzd

Samba e carro de som

Um dos pedidos de Dudu Azevedo, diretor de Carnaval da Grande Rio, para este ano foi que os compositores abusassem dos bordões de Chacrinha. A solicitação foi ouvida por Edispuma, Licinho JR., JL Escafura, Marcelinho Santos, Gylnei Bueno e Hélio Oliveira, que encarnaram o espírito do Velho Guerreiro na letra do samba e tiveram sua canção escolhida para representar a escola. Entoado pelo intérprete Emerson Dias, no comando do carro de som desde 2014, o samba-enredo foi cantado muito alto pelas primeiras alas da escola. No entanto, as últimas alas que sabiam dos problemas enfrentados pela escola passaram na Avenida sem cantar.

Para Wanderley Monteiro, o samba-enredo representou bem o enredo da Escola. “O que esperar de um samba sobre o Chacrinha? Só pode ser um samba solto, brincalhão e, com os conhecidos bordões do Velho Guerreiro. Os Chacretes da Grande Rio cantaram em voz bem alta não para levar o troféu abacaxi, mas para levar a Tricolor de Caxias para o trono”, afirmou.

Desfile Acadêmicos da Grande Rio. Foto: Juliana Dias/ SRzd

Fantasias, alegorias e adereços

A chegada de Renato e Márcia Lage na Grande Rio gerou grande expectativa. Por causa da expansividade que envolve a imagem de Chacrinha, era esperado que os carnavalescos explorassem suas marcas registradas e fizessem um desfile com uma pegada moderna e high-tech. Para a passagem da Grande Rio no sambódromo, foram utilizadas bastante cores neon. O vermelho, verde e branco da agremiação coincidiram com a proposta do enredo e um dos figurinos mais emblemáticos de Chacrinha. As cores da escola foram encontradas nos primeiros carros alegóricos e nas roupas dos componentes.

A proposta dos carnavalescos de fazer com que cada componente tivesse um pouco de Chacrinha foi desenvolvida nos detalhes de cada fantasia. Todas as alas carregaram algum elemento marcante da carreira do comunicador, como buzinas, óculos ou discos. Já os carros alegóricos tinham uma grande pegada de cultura pop. Luzes e cores marcaram as alegorias.

Desfile Acadêmicos da Grande Rio. Foto: Juliana Dias/ SRzd

Harmonia e evolução

A Acadêmicos do Grande Rio desfilou com 31 alas e seis carros alegóricos. O andamento do desfile ocorreu sem problemas até o último setor da escola. Com um carro quebrado que não conseguiu entrar na Avenida, um grande buraco foi aberto no primeiro setor do Sambódromo. Ao invés de deixar os componentes do último setor passar para evitar perda de pontos em harmonia e evolução, a escola segurou as últimas alas até não poder mais. Isso deve ter acontecido pois os responsáveis pelo desenvolvimento da escola na Avenida possuíam esperança da agremiação conseguir mover o carro e não perder ponto no enredo. A Grande Rio também estourou o tempo máximo de desfile, que fará a escola perder alguns pontos. Componentes da bateria e das últimas alas choraram ao longo da Avenida.

Veja também:

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Veja fotos do desfile

Ficha técnica da escola

Local: Duque de Caxias
Fundação: 22 de setembro de1988
Cores: Vermelho, Verde e Branco
Presidente: Milton Perácio
Carnavalescos: Renato e Márcia Lage
Diretor de Carnaval: Dudu Azevedo
Diretor de Harmonia: Rodrigo Soares e Thiago Monteiro
Mestre de bateria: Thiago Diogo
Rainha de bateria: Juliana Paes
Mestre-sala e porta-bandeira: Daniel Werneck e Verônica Lima
Coreógrafos da comissão de frente: Priscilla Mota e Rodrigo Neri
Coreógrafos de alas e alegorias coreografadas: XXXXXXXXX
Enredo de 2018: “Vai para o trono ou não vai?”
Número de alas: 31
Número de carros alegóricos: 6

Samba-enredo 2018:
‘’O SHOW NÃO TERMINOU’’
VOU DESFILAR NOS BRAÇOS DO MEU POVO
‘’OUTRA VEZ VOU FICAR MALUCO BELEZA’’
‘’AGORA AGUENTA CORAÇÃO’’
‘’ALEGRIA, ALEGRIA’’ ERA O TOM DA CANÇÃO,
SOU O VELHO GUERREIRO, UM TROPICALISTA,
EU NÃO VIM PARA EXPLICAR, VOU TE CONFUNDIR
SE EU BUZINAR… LEVA O TROFÉU ABACAXI

‘’Ê BAIANA’’… O SEU ‘’BALANCÊ’’ ME ENCANTA,
RODA E AVISA, VEM PRO MEU SAMBA,
‘’QUERO VÊ-LA SORRIR, QUERO VÊ-LA CANTAR’’
SE É ‘’MARIA OU JOÃO’’ DEIXA PRA LÁ

‘’E POR FALAR EM SAUDADE’’
O PRETO E O BRANCO DA TELEVISÃO
NAS ONDAS DO RÁDIO, TOCANDO AMORES
A LUTA PELOS ‘’BASTIDORES’’
MINHA FLORINDA, A FLOR MAIS LINDA, DESABROCHOU
‘’CHACRINHA’’, MORADA QUE BATIZA O MEU SUCESSO
SÃO TANTAS ‘’EMOÇÕES’’, EU TE CONFESSO,
SOU ABELARDO, AQUELE ABRAÇO,
RECIFE… EM SURUBIM NASCEU O REI MENINO,
NO FREVO DESSA GENTE ARRETADA,
VOU ME ACABAR NO GALO DA MADRUGADA

‘’MEU IÁIÁ’’, QUANDO A SIRENE TOCAR
‘’A MASSA’’ TODA CANTAR
‘’VAI PARA O TRONO OU NÃO VAI?’’
VEM CHACRETE O BUMBUM REBOLAR
EU VOU BRILHAR NA TV OUVIR DE NOVO DIZER

‘’OH TEREZINHA! OH TEREZINHA’’
VAI COMEÇAR MAIS UM CASSINO DO CHACRINHA
‘’OH TEREZINHA! OH TEREZINHA’’
A GRANDE RIO É O CASSINO DO CHACRINHA

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