‘Uber não quer associar sua imagem ao Carnaval’, explica vice-presidente da Mocidade

Rodrigo Pacheco. Foto: Eduardo Hollanda

A Mocidade Independente informou na noite desta quarta-feira (28) que a Uber não patrocinará mais a folia carioca de 2019. A empresa havia sinalizado com a Riotur que manteria os R$ 500 mil a cada agremiação do Especial, como ocorreu em 2018. Contudo, segundo Rodrigo Pacheco, vice-presidente da escola de Padre Miguel, a empresa “não quer mais associar sua imagem ao Carnaval”.

O fato polêmico mais recente das escolas de samba que pode ter motivado a negativa da Uber é a prisão do ex-presidente da Mangueira e deputado estadual Chiquinho. O ex-mandatário da verde e rosa foi preso pela Polícia Federal no dia 8 de novembro, na Operação Furna da Onça.

De acordo com o dirigente, a desistência da Uber foi passada para as agremiações na plenária da Liga Independente das Escolas de Samba, Liesa, nesta quarta (28). Segundo Pacheco, não há previsão de repasse da verba da prefeitura e o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, ainda não assinou o contrato de subvenção com a entidade organizadora dos desfiles.

Toda problemática que atinge o Carnaval motivou o dirigente a tomar uma drástica decisão, junto da diretoria da Mocidade: a escola não participará da festa de lançamento do CD do Grupo Especial, que será realizada na Cidade do Samba, na próxima segunda-feira (3). Além disso, os ensaios de rua da agremiação seguem suspensos.

Mocidade não se apresentará na festa de lançamento do CD de sambas-enredo 2019. Foto: SRzd

Confira o relato de Rodrigo Pacheco na íntegra:

Bem, vamos lá…

Reativando meu Facebook para falar com aqueles que tenho o verdadeiro compromisso: membros e torcedores da Mocidade Independente de Padre Miguel.

Eu tenho todo um planejamento a ser executado para o Carnaval 2019, montado sempre com base no calendário anterior com algumas ressalvas, já contando com imprevistos.

Quando não se cumpre uma rotina de repasses de verbas torna-se impossível a execução de um projeto.

Hoje não temos as duas informações básicas que são os pilares de qualquer programação orçamentária: “Quanto vou receber?” e “Quando vou receber?”.

Um ensaio de rua, por exemplo, custa aproximadamente 10 mil reais por data, custos que envolvem aluguel de caminhão de som, segurança, equipamentos de rádio e logística do ensaio. Sendo assim, fica inviável manter os custos, uma vez que a Escola já não recebe repasses há quase 3 meses.

Acabei de sair com Marquinho Marino da plenária da Liesa, onde não obtivemos nenhuma previsão de repasse da Prefeitura que ainda nem assinou o contrato com as escolas, bem como foi colocado a desistência da UBER que não quer mais associar sua imagem ao Carnaval.

Diante de todo esse cenário ruim, não vejo motivos para confraternização através de uma festa de lançamento de CD, onde se gasta um valor considerável o que torna a nossa mensagem incoerente diante do poder público.

Sendo assim, a Mocidade estará ausente do lançamento, pois acredita não haver fundamento na realização de uma festa para alguns, enquanto os profissionais e colaboradores do carnaval estão passando por dificuldades.

Se esforços assim fossem empenhados na realização dos ensaios técnicos por exemplo, eu estaria de acordo, pois seria uma festa para todos e um momento em que o povo manifestaria a cultura do samba.

Conto com a compreensão e apoio de todos os independentes apaixonados.

Deixo claro que continuo buscando novos caminhos e replanejando a Mocidade em busca de um carnaval campeão.

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