Protesto contra cancelamento dos ensaios técnicos reúne sambistas na Sapucaí

Manifestação contra cancelamento dos ensaios técnicos na Sapucaí. Foto: Vinicius Albudane

Manifestação contra cancelamento dos ensaios técnicos na Sapucaí. Foto: Vinicius Albudane

Manifestantes estiveram no sambódromo do Rio neste domingo (7) contra o cancelamento dos ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí. Com o título: “O ensaio é nosso, mas é por direito!”, o evento, que organizado no Facebook chegou a despertar interesse em 14 mil internautas e confirmação de presença de 7 mil, não foi realizado com um grande número de pessoas, mas para os organizadores a mensagem foi passada: “haverá resistência”.

“Me sinto feliz, porque acho que tem que partir de alguém a vontade de fazer. As pessoas não compraram a ideia, e isso é triste, desanimador. Mas a gente não pode desanimar, porque do jeito que está não pode ficar. Nem que seja apenas eu sozinho, ou cada um dos meus amigos, não podemos desanimar, nunca. Sempre lutaremos!”, declarou Vinicius Nunes, um dos idealizadores do evento na rede social.

Manifestação contra cancelamento dos ensaios técnicos na Sapucaí. Foto: Vinicius Albudane
Manifestação contra cancelamento dos ensaios técnicos na Sapucaí. Foto: Vinicius Albudane

Iniciada por volta das 17h30, a manifestação foi puxada por dois carros de som, que entoaram sambas de enredo do Carnaval de 2018 do Grupo Especial e Série A. Posteriormente, com a chegada de mais pessoas, houve um rodízio de discursos de protesto. As mensagens criticavam a postura do prefeito Marcelo Crivella de cortar verbas e incentivos de atividades culturais da cidade e questionavam a decisão da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, Liesa, de anular a realização dos ensaios.

O jornalista e admirador da folia Aydano André Motta, atentou para a inércia dos sambistas em relação às atitudes tomadas pelos orgãos públicos: “Tem um ataque de um político que está a serviço de uma instituição religiosa contra a cultura popular do Rio de Janeiro. Não só contra o samba, mas também às religiões de matriz africana e outras várias atividades ligadas à cultura popular. O problema do samba é que ele está se rendendo a isso, está se entregando e morrendo sem reclamar. Um evento importante como esse não estar cheio é um símbolo disso. Essa falta de mobilização não só de pessoas comuns, mas dos sambistas como um todo mostra o quão difícil está manter o prestígio do samba. Estou muito assustado”.

Manifestação contra cancelamento dos ensaios técnicos na Sapucaí. Foto: Vinicius Albudane
Manifestação contra cancelamento dos ensaios técnicos na Sapucaí. Foto: Vinicius Albudane

Com presenças de Milton Cunha, que preferiu não dar entrevista, e Tarcísio Motta, o protesto se estendeu até o momento “tomada” da Sapucaí por parte dos poucos sambistas presentes, autorizado por José Carlos Machine, conhecido por ser síndico do Sambódromo. Machine declarou ao SRzd que acha justo o motivo da manifestação, porém tardia por já ter sido decidido o rumo do Carnaval 2018. “Eu, como sambista, aprovo essa ideia. O ensaio técnico que parou por falta de verba tem que continuar. Eu só acho um pouco tarde, pois a essa altura todos os contratos já foram assinados, e essa manifestação só acaba valendo para 2019. O local deveria ser na prefeitura, pois é lá que se encontram os governantes”.

Já Tarcísio Motta, vereador pelo PSOL, explicitou o dever da prefeitura enquanto guardiã da cultura popular da cidade, e criticou a postura da atual gestão: “O prefeito Crivella tem atacado o Carnaval de diversas formas, tem tentado diminuir o peso que tem a importância cultural do Carnaval na cidade do Rio de Janeiro. Isso é mostrado no corte de verba das escolas do grupo de acesso e também na decisão da Liesa de não fazer os ensaios, em vez de lutar pela realização da festa. O papel da prefeitura deveria ter sido garantir os ensaios, pois eles são a contrapartida que as escolas podem dar para a cidade. Isto é, um evento gratuito onde as pessoas podem curtir as escolas de samba sem a lógica de um desfile, que é mais complicado. Nesse ponto de vista, pode-se observar com grande preocupação o fechamento da casa do jongo, uma certa apatia com relação à estrutura dos blocos de rua e, claro, o corte das verbas dos desfiles. O Carnaval não é só uma atividade econômica que traz renda, é uma atividade cultural própria da identidade carioca. O Carnaval é direito do Rio e é dever da prefeitura garantir esse direito”.

*colaboração de Vinicius Albudane ao SRzd

 

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