Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

Especial Oscar 2019

A 92a edição da cerimônia de entrega do Oscar será realizada no dia 09 de fevereiro de 2020, no Dolby Theatre, em Los Angeles (Foto: Divulgação / Richard Harbaugh ©A.M.P.A.S.).

Pôster oficial da 91a edição do Oscar (Foto: Divulgação / Crédito: ©A.M.P.A.S.).

A 91a cerimônia de entrega do Oscar será realizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (Academy of Motion Picture Arts and Sciences – AMPAS) no próximo domingo, dia 24, no Dolby Theater, em Los Angeles. Considerando a importância do prêmio, que é o mais cobiçado do cinema mundial, preparei um especial com análises das categorias principais (melhor filme, direção, ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante) e um pequeno perfil de seus indicados, começando nesta segunda-feira, dia 18, pela categoria de melhor atriz coadjuvante.

 

Precisando recuperar o prestígio e audiência de outrora, a Academia tem feito o possível para manter-se longe de polêmicas. Mesmo assim, se viu novamente no olho do furacão após a divulgação de tuítes antigos e de conteúdo homofóbico de Kevin Hart, que havia sido escalado como mestre de cerimônias deste ano. Hart desistiu de apresentar o Oscar, mas a AMPAS optou por não colocar outro profissional em seu lugar. Com isso, a festa terá um time de apresentadores, entre eles, Chris Evans, Tessa Thompson, Whoopi Goldberg e Brie Larson.

 

Antes da confusão envolvendo Kevin Hart, a AMPAS já havia sido duramente criticada ao anunciar a criação da categoria de melhor filme popular e a retirada de categorias técnicas da transmissão ao vivo, com o intuito de encurtar a duração da cerimônia. A AMPAS recuou e adiou a implementação da nova categoria por tempo indeterminado, pois foi acusada de favorecimento a blockbusters, sobretudo de super-heróis, que têm como maior fonte de renda os títulos produzidos pela Marvel em parceria com a Disney, proprietária da ABC, emissora que detém os direitos de transmissão nos Estados Unidos e deseja aumentar os índices de audiência do Oscar.

 

No último dia 12, a AMPAS bateu o martelo e anunciou que quatro categorias técnicas não seriam apresentadas durante a transmissão ao vivo: melhor montagem, maquiagem e cabelo, curta-metragem e direção de fotografia. Isto revoltou boa parte da comunidade hollywoodiana e quase colocou a instituição no centro de uma polêmica ainda maior, pois as categorias escolhidas para o intervalo não tinham nenhuma produção Disney indicada. Diante de tantas críticas negativas, a Academia voltou atrás na última sexta-feira, dia 15, e decidiu entregar todos os seus 24 prêmios ao vivo.

 

Os indicados ao Oscar 2019 reunidos para a foto oficial do almoço oferecido pela AMPAS no dia 04 de fevereiro, no The Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles (Foto: Divulgação – Crédito: Todd Wawrychuk / ©A.M.P.A.S.).

 

A confusão que tomou conta de Hollywood nos últimos dias devido às medidas da AMPAS para tornar a cerimônia do Oscar mais ágil, desconsiderando sua tradição e pompa, aconteceu dias após críticas da comunidade hollywoodiana e também do público acerca da decisão de não permitir que todas as canções indicadas tivessem suas performances garantidas. O mal-estar que sucedeu o anúncio de que apenas duas canções seriam apresentadas – no caso, as favoritas “Shallow”, de “Nasce Uma Estrela” (A Star is Born – 2018), e “All the Stars”, de “Pantera Negra” (Black Panther – 2018) – obrigou a Academia a voltar atrás. De acordo com o Deadline, há rumores de que a instituição cedeu à pressão feita por Lady Gaga, intérprete de “Shallow”, para que todos os concorrentes tivessem a mesma oportunidade. Caso contrário, ela não subiria ao palco para cantar.

 

A opção inicial de conceder espaço somente a “Shallow” e “All the Stars” confirma a preocupação da Academia em fazer deste Oscar uma festa de grande apelo popular de olho na audiência. Isto pode ser observado principalmente na lista de finalistas ao Golden Boy, que acena para o cinema comercial ao indicar o primeiro título de super-herói ao prêmio de melhor filme, “Pantera Negra”, e se enquadra nas atuais exigências por diversidade e representatividade, algo que gerou inúmeras críticas negativas nas últimas edições, sobretudo após o Oscar 2016, chamado de “#OscarSoWhite” (“Oscar tão branco”, numa tradução literal).

 

Neste ponto, a categoria de melhor direção pode ser tomada como exemplo, pois dos cinco indicados apenas dois são americanos, sendo um deles negro. Assim, Adam McKay, de “Vice” (Idem – 2018), e Spike Lee, de “Infiltrado na Klan” (BlacKkKlansman – 2018), disputam a estatueta dourada com o polonês Pawel Pawlikowski por “Guerra Fria” (Zimna wojna – 2018), o grego Yorgos Lanthimos por “A Favorita” (The Favourite – 2018) e o mexicano Alfonso Cuarón por “Roma” (Idem – 2018).

 

E as 10 indicações de “Roma”, líder desta edição ao lado de “A Favorita”, dão o tom político na festa do cinema. Produção original Netflix sob a grife Alfonso Cuarón, o drama mexicano baseado na infância de seu diretor teve de ser exibido comercialmente em salas americanas para concorrer ao Oscar – mesmo assim, não houve o habitual intervalo de 90 dias, imposto pelas redes de cinema aos estúdios, entre a estreia nas salas e a liberação em plataformas digitais.

 

Num primeiro momento, pode-se pensar que Hollywood abraçou o streaming até pelas três nomeações de outro título da Netflix, “A Balada de Buster Scruggs” (The Ballad of Buster Scruggs – 2018), pertencente à grife Joel e Ethan Coen – melhor roteiro, figurino e canção original (“When a Cowboy Trades His Spurs for Wings”). Mas, na verdade, “Roma” é, para a Academia, o filme certo num momento político conturbado, pois indicá-lo é uma maneira de protesto ao governo do presidente Donald Trump e suas medidas migratórias, como a polêmica construção de um muro na fronteira com o México.

 

A 91ª cerimônia de entrega do Oscar será realizada no próximo domingo, dia 24, no Dolby Theatre, em Los Angeles. No Brasil, a maior festa do cinema mundial será transmitida ao vivo pelo canal por assinatura TNT e pela Rede Globo (após o “Big Brother Brasil”).

 

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