Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

Oscar 2019: AMPAS anuncia as ‘categorias do intervalo’

A 92a edição da cerimônia de entrega do Oscar será realizada no dia 09 de fevereiro de 2020, no Dolby Theatre, em Los Angeles (Foto: Divulgação / Richard Harbaugh ©A.M.P.A.S.).

Na última terça-feira, dia 12, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (Academy of Motion Picture Arts and Sciences – AMPAS) anunciou que os prêmios de melhor montagem, maquiagem e cabelo, curta-metragem (live-action) e direção de fotografia serão entregues durante os intervalos da transmissão da cerimônia.

 

Esta decisão foi anunciada há alguns meses como uma medida para tentar diminuir o tempo de duração da cerimônia, que há anos tem perdido audiência nos Estados Unidos por ser considerada longa e cansativa por muitos telespectadores, sobretudo os mais jovens. À época, a instituição chegou a afirmar que seriam entre seis e oito categorias, gerando uma onda de protestos em toda a comunidade hollywoodiana.

 

Os protestos se repetiram após a divulgação das categorias escolhidas para os intervalos, inclusive por parte de um dos indicados ao Oscar de melhor fotografia, o mexicano Alfonso Cuarón, de “Roma” (Idem – 2018). Em sua conta do Twitter, Cuarón disse: “Na história do cinema, tivemos obras-primas sem som, sem cor, sem história, sem atores e sem música. Nenhum filme jamais existiu sem CINEMAtografia (fotografia) e sem edição”.

 

Vencedor de duas estatuetas do Oscar por “A Forma da Água”, Guillermo del Toro também criticou a Academia (Foto: Divulgação – Crédito: Michael Baker / A.M.P.A.S.).

 

Além de Cuarón, que este ano também concorre aos prêmios de melhor filme, filme estrangeiro, roteiro original e direção, outro mexicano se manifestou em redes sociais: Guillermo del Toro. “Se me permitem: eu não pretendo sugerir quais categorias cortar durante a transmissão do Oscar, mas fotografia e edição estão no coração do nosso ofício. Eles não são herdados de uma tradição teatral ou literária: são o próprio cinema”, afirmou o cineasta vencedor das estatuetas de melhor filme e direção no ano passado por “A Forma da Água” (The Shape of Water – 2018).

 

Diretora de “Mulher-Maravilha” (Wonder Woman – 2017), Patty Jenkins endossou o tuíte de Guillermo del Toro: “Eu não poderia concordar mais. Se estamos aqui para celebrar o ofício e o meio, é difícil imaginar por qual razão colocar estas categorias abaixo das outras”.

 

Presidente da AMPAS, o diretor de fotografia John Bailey tem mais de 80 filmes no currículo, entre eles “Gigolô Americano”, “Feitiço do Tempo” e “Melhor é Impossível” (Foto: Divulgação – Crédito: Todd Wawrychuk / ©A.M.P.A.S.).

De acordo com o The Hollywood Reporter, John Bailey, atual presidente da AMPAS e consagrado diretor de fotografia, enviou um comunicado por e-mail aos membros da instituição explicando que no próximo ano estas categorias estarão de volta à transmissão, mas que outras, de quatro a seis, serão entregues nos intervalos. É o tal rodízio previamente anunciado para as categorias técnicas. No entanto, não disse como foi o processo de seleção para cortar os quatro prêmios da cerimônia deste ano.

 

Ainda segundo a publicação, Bailey disse que a AMPAS está comprometida em apresentar uma cerimônia que deixará todos orgulhosos. “As maneiras de assistir aos prêmios da Academia estão mudando rapidamente no nosso mundo multimídia atual, e o nosso show também precisa evoluir para continuar promovendo filmes a uma audiência global. Esta tem sido nossa principal missão desde que nos estabelecemos há 91 anos – e continua a mesma hoje”, disse o presidente, que fez questão de enfatizar que a Academia continua honrando todas as 24 categorias e que os prêmios serão transmitidos ao vivo pela internet, bem como exibidos na televisão após a cerimônia ao vivo.

 

A decisão pode colocar a AMPAS no olho do furacão de uma polêmica ainda maior, pois, segundo os jornais O Globo e El País, já há quem aponte este rodízio de forma a criticar ferozmente a instituição e a emissora que detém os direitos de exibição da festa nos Estados Unidos, a ABC, que pertence à Disney. Isto se deve ao fato de não haver dentre os indicados das quatro categorias relegadas ao intervalo nenhuma produção do estúdio do Mickey. No entanto, o curta “Skin” (Idem – 2018) é distribuído pela Fox Searchlight, que hoje pertence à companhia fundada por Walt Disney em 1924.

 

As novas acusações acabam por endossar o coro contra a criação da categoria de melhor filme popular, que seria implementada este ano, mas foi adiada por tempo indeterminado devido às críticas de favorecimento aos blockbusters, sobretudo de super-heróis, filão que tem como maior fonte de renda os títulos da Marvel produzidos em parceria com a Disney, como “Pantera Negra” (Black Panther – 2018), cuja equipe se posicionou contra o novo prêmio porque sempre almejou o principal, de melhor filme. Dirigido por Ryan Coogler, o longa conseguiu sete indicações ao Golden Boy.

 

Desta vez, a AMPAS não parece estar disposta a ceder à pressão da comunidade hollywoodiana, pois já cedeu outras duas vezes, adiando a implementação do Oscar de melhor filme popular e garantindo as performances das cinco canções indicadas depois de anunciar que apenas duas teriam a chance de se apresentar no palco do Dolby Theater, “Shallow”, de “Nasce Uma Estrela” (A Star is Born – 2018), e “All the Stars”, de “Pantera Negra”. Segundo o Deadline, a Academia cedeu devido à pressão feita por Lady Gaga, que disse que não subiria ao palco para cantar “Shallow” com Bradley Cooper se as outras canções não tivessem o mesmo espaço.

 

A 91ª cerimônia de entrega do Oscar será realizada no dia 24, no Dolby Theatre, em Los Angeles.

 

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