Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

Oscar 2019: AMPAS desiste de entregar prêmios nos intervalos da transmissão

A 92a edição da cerimônia de entrega do Oscar será realizada no dia 09 de fevereiro de 2020, no Dolby Theatre, em Los Angeles (Foto: Divulgação / Richard Harbaugh ©A.M.P.A.S.).

Na última sexta-feira, dia 15, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (Academy of Motion Picture Arts and Sciences – AMPAS) cedeu à pressão da comunidade hollywoodiana e desistiu de entregar os prêmios de melhor maquiagem e cabelo, fotografia, edição e curta-metragem (live-action) durante os intervalos comerciais da transmissão da cerimônia. Com isso, o Oscar 2019 será realizado no formato original, dando a todas as categorias a mesma importância e espaço.

 

“A Academia ouviu a opinião de seus membros com relação a entrega de quatro prêmios do Oscar – fotografia, edição, curta-metragem (live-action) e maquiagem e cabelo. Todos os Academy Awards (Oscar) serão entregues sem edição, no nosso formato tradicional. Estamos ansiosos pelo Oscar no domingo, 24 de fevereiro”, disse a AMPAS em comunicado oficial.

 

De acordo com a Variety, a decisão da AMPAS foi tomada após reunião com membros da American Society of Cinematographers (ASC) realizada na noite de quinta-feira, dia 14. Entre os presentes, Kees van Oostrum (presidente da ASC), Dawn Hudson (CEO da Academia) e John Bailey (presidente da Academia).

 

Antes de a AMPAS bater o martelo e emitir o comunicado oficial sobre a sua decisão de manter todos os prêmios na transmissão da cerimônia, o presidente da ASC divulgou uma nota sobre a reunião: “Noite passada, um grupo de membros preocupados – eu, Hoyte van Hoytema, Rachel Morrison and Emmanuel Lubezki – teve uma reunião muito produtiva e positiva com Dawn Hudson, CEO da Academia, com John Bailey presente. Hoje eles vão nos dizer se a Academia vai (esperançosamente) reverter sua decisão com relação ao programa do prêmio (cerimônia)”, disse Oostrum.

 

Após a Academia afirmar que todos os prêmios serão televisionados, Kees van Oostrum lhe enviou uma carta aberta, publicada pelo The Hollywood Reporter. “É com grande orgulho e respeito que escrevemos esta carta elogiando a ação da Academia de reverter sua decisão e colocar as apresentações do Oscar de fotografia, curta-metragem (live-action), edição e maquiagem e cabelo de volta ao show principal, ao vivo na 91a transmissão da cerimônia anual do Oscar. Ficou claro para nós desde o início que a decisão original foi difícil, tornando a sua direção atual muito mais corajosa. Sentimos que a missão estabelecida pela Academia – honrar seus membros e a comunidade cinematográfica – é muito mais bem-sucedida quando ela continua a promover filmes como a forma de arte colaborativa que é. Ao explorar esta questão, todos nós nos lembramos de uma importante distinção: o Oscar não pode se tornar apenas mais uma vitrine televisionada de celebridade. Nossa prestigiosa Academia tem um propósito maior e deve se destacar de outras organizações, reconhecendo igualmente os excepcionais artistas e artesãos em todas as categorias”, afirmou o presidente da ASC.

 

Preocupada em diminuir o tempo de duração da cerimônia e em conquistar a fatia mais jovem do público, que considera o Oscar cansativo de assistir, a AMPAS tomou uma série de medidas impopulares nos últimos meses. Mas, ao contrário do que todos esperavam, cedeu à pressão. Com isso, a criação da categoria de melhor filme popular teve sua implementação adiada por tempo indeterminado e tanto as canções indicadas quanto os prêmios técnicos serão apresentados durante a cerimônia com igual espaço.

 

Ao desistir de tais medidas, a Academia evita um grande desgaste num momento em que precisa ficar longe de polêmicas depois de inúmeras críticas à falta de representatividade e diversidade no Oscar, que aumentaram com o anúncio dos indicados de 2016, o chamado “#OscarSoWhite” (Oscar tão branco, numa tradução literal). Tal desgaste, agora, seria originado pelas diversas acusações de favorecimento a blockbusters, principalmente de super-heróis, que têm como mina de ouro os títulos da Marvel produzidos em parceria com a Disney, proprietária da rede ABC, detentora dos direitos de transmissão do Oscar nos Estados Unidos, e sem nenhum indicado nas categorias que haviam sido cortadas da transmissão ao vivo nesta edição.

 

Considerando que o Oscar é a maior festa do cinema mundial, a AMPAS agiu da forma correta ao voltar atrás em sua decisão, pois todas as categorias merecem igual respeito e espaço. O cinema tem de ser celebrado no todo, sem cortes, pela cerimônia mais tradicional da indústria hollywoodiana.

 

A 91ª cerimônia de entrega do Oscar será realizada no próximo domingo, dia 24, no Dolby Theatre, em Los Angeles. No Brasil, a maior festa do cinema mundial será transmitida ao vivo pelo canal por assinatura TNT e pela Rede Globo (após o “Big Brother Brasil”).

 

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