Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

Pixar completa 35 anos colecionando sucessos de público e crítica

“Ao infinito e além”: “Toy Story” revolucionou o cinema de animação (Foto: Divulgação).

Com o embrião gerado na LucasFilm, a Pixar Animation Studios se tornou realidade em 1986, fruto do chamado “casamento entre arte e ciência”, baseado no “sonho conjunto de três homens”: John Lasseter, Ed Catmull e Steve Jobs. Ainda em seus primeiros anos, o estúdio exerceu papel fundamental na revitalização do departamento de animação da The Walt Disney Company nas décadas de 1980 e 1990, ajudando a empresa do Mickey a voltar ao jogo e aos anos dourados após período considerável de estagnação e ostracismo. Em 1995, quando a Disney colhia os louros de “A Bela e a Fera” (Beauty and the Beast – 1991), “Aladdin” (Idem – 1992) e “O Rei Leão” (The Lion King – 1994), a Pixar revolucionou o cinema ao lançar o primeiro longa-metragem em computação gráfica da História: “Toy Story” (Idem), de Lasseter, que se tornou uma das franquias mais importantes e lucrativas da indústria hollywoodiana.

 

“SparkShorts – Projetos de Artistas da Pixar” está disponível na Disney+ (Foto: Divulgação).

Comprada pela Disney em 2006, por cerca de US$ 7,4 bilhões, a Pixar trilhou seu caminho tendo histórias comoventes, inspiradas pelas experiências pregressas de membros da equipe, mesmo quando os protagonistas são brinquedos, carros ou emoções distintas do indivíduo. Consagrada como um dos maiores estúdios de animação do mundo, a Pixar segue priorizando o fator humano em suas tramas e, agora, com o espaço criado pela Disney+, fortalece seu comprometimento com o público dando oportunidade para profissionais de diversas áreas explorarem sua criatividade em projetos como a série “SparkShorts – Projetos de Artistas da Pixar” (SparkShorts – desde 2019). Disponível na plataforma digital, a série composta por curtas-metragens chama a atenção pela liberdade total na escolha dos temas abordados, alguns deles pouco explorados pelo cinema de animação. Neste contexto, o espectador encontra produções sobre autismo, sacrifícios em prol do próximo, pertencimento e aceitação, inclusive no que tange ao amor. Tudo isso, mantendo uma das principais características da Disney, que é a transmissão da mensagem de importância da amizade e da família, enquanto base e porto seguro, para o indivíduo.

 

Se em “Flutuar” (Float – 2019) a inspiração foi a relação do diretor Bobby Rubio com o filho autista, e sua inicial dificuldade de aceitação, em “Fitas” (Loop – 2020), de Erica Milsom, o autismo assume lugar de destaque na narrativa por meio da primeira personagem autista não-verbal do estúdio. Ambas as produções são conduzidas com sensibilidade e respeito, permitindo ao público empatia e compreensão. Assim como “Vento” (Wind – 2019) e “Segredos Mágicos” (Out – 2020).

 

Com direção de Edwin Chang, “Vento” é guiado pelo amor incondicional entre avó e neto, que sobrevivem em condições precárias sonhando com um futuro melhor. Mas a conquista impõe sacrifícios aos dois, algo mostrado ao espectador de forma bastante lúdica e delicada. Esta delicadeza também é um dos principais elementos de “Segredos Mágicos”. Dirigido por Steven Clay Hunter, o curta mostra a relação homoafetiva de Manuel e Greg, que tem medo de contar aos pais sobre sua homossexualidade, decidindo mudar de cidade para evitar a conversa. Mas um rápido feitiço permite que Greg enxergue a realidade de outra forma.

 

Composto por outros títulos, como “Kitbull” (Idem – 2019) e “Toca” (Burrow – 2020), o “SparkShorts – Projetos de Artistas da Pixar” chama a atenção no catálogo da Disney+ por apresentar curtas que respeitam a essência da Pixar, cuja trajetória é contada em “A História da Pixar” (The Pixar Story – 2007), de Leslie Iwerks. Também disponível na plataforma, o documentário concede ao espectador uma aula sobre um dos capítulos mais importantes da História do cinema, marcado pela união entre arte e tecnologia – “A arte desafia a tecnologia, a tecnologia inspira a arte”. Contando com depoimentos de George Lucas, John Lasseter, Steve Jobs, Pete Docter, entre outros, o longa dialoga não apenas com os extras do “SparkShorts”, como também com “Por Dentro da Pixar” (Inside Pixar – 2020) e “Um Dia na Disney” (One Day at Disney – 2019). Este último, é interessante por contar com depoimentos de Bob Iger, o homem que revolucionou o Império Disney, que se consolidou a partir do camundongo desenhado durante uma viagem de trem, quando Walt Disney digeria a perda do coelho Oswald, que à época rendeu cerca de 28 curtas distribuídos pela Universal.

 

Dirigido por Pete Docter e bob Peterson, “Up – Altas Aventuras” foi a primeira animação a abrir o Festival de Cannes (Foto: Divulgação).

 

A pavimentação do caminho da Pixar rumo ao panteão da indústria cinematográfica contou com alguns percalços iniciais que concederam à equipe a união necessária para a empresa se consolidar como uma fábrica de sonhos que se tornaram realidade em forma de títulos de sucesso. Entre estes títulos, alguns vencedores do Oscar de melhor animação, como “Procurando Nemo” (Finding Nemo – 2003), “Os Incríveis” (The Incredibles – 2004), “Ratatouille” (Idem – 2007) “WALL-E” (Idem – 2008), “Up: Altas Aventuras” (Up – 2009), “Toy Story 3” (Idem – 2010), “Valente” (Brave – 2012), “Divertida Mente” (Inside Out – 2015), “Viva: A Vida é Uma Festa” (Coco – 2017) e “Toy Story 4” (Idem – 2019).

 

Celebrando seu 35o aniversário em 2021, a Pixar Animation Studios soube se adaptar às novas demandas da sociedade, tornando-se exemplo de representatividade, diversidade e inclusão por meio de seus personagens e equipe, também chamada de “elenco”, algo que pode ser observado em sua última animação, “Soul” (Idem – 2020), cotada para levar a estatueta dourada este ano. Dirigido por Pete Docter e Kemp Powers, este é o primeiro filme do estúdio protagonizado por um personagem negro, dublado por Jamie Foxx, e teve seu lançamento afetado pela pandemia do novo coronavírus, estreando diretamente na Disney+.

 

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