Realeza do Samba exalta o Norte do Brasil em sua estreia no Carnaval Virtual

Em seu primeiro desfile no Carnaval Virtual, o GRESV Realeza do Samba traz o enredo: “Ferida aberta pelos invasores, sugada pelo “progresso” e amputada pela consciência nacional: Norte com N e não com M.” de autoria do carnavalesco Vinícius Santiago.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Grêmio Recreativo Escola de Samba Virtual Realeza do Samba
Cidade sede: Pirituba/SP
Data de fundação: 22/03/2019
Cores: Dourado, azul e rosa
Simbolo: Leão coroado

Presidente: Verônica Acauã Florentino
Vice-presidente: Adson de Souza do Nascimento
Carnavalesco: Vinícius Abraão da Silva Santiago
Intérprete: Tobias Flores Ferreira
Diretor Musical: Eduardo Villaça

 

ENREDO:

Ferida aberta pelos invasores, sugada pelo “progresso” e amputada pela consciência nacional: Norte com N e não com M

Autor: Vinícius Santiago

 

Muito antes disso aqui se chamar Brasil, vivíamos em paz e harmonia, índios e natureza.
Caçador protetor dos angûeras, antã e da cor do açaí, Baquara e anhanguera.
O Brasil é o nosso Aupaba.

Anauê! Somos os donos dessa terra.
Os olhos da ambição focaram nossas riquezas (ouro, prata e diamante).
Essas riquezas eram nossas e ao pisarem no nosso ibi espalharam violência e dor..
Nenhum zelo e compaixão, desde os primórdios dessa invasão.
O Paraíso virou inferno. Tupã, Jaci e Guaraci choraram. Foram escravizados, mortos e humilhados.
Dizia o Karaíba “Tem que ser batizado para saber que é o rei, que dita a lei”.
Os sangues dos nativos jorraram e tudo que restaram foram lágrimas, marcas e mortes.

Somos a voz dos cabanos.
Nascemos na terra dos cabanos.
Somos guerreiros dos cabanos.
Sangraremos na terra dos cabanos.
O sol nasceu por trás dessas serras e a terra parece sangrar.
O vento nos traz vozes de cabanos e em gritos de guerra, parecem avisar: “não temos medo de viver”.

Descaso com o povo no Grão-Pará deu início a revolta da cabanagem. Os índios, cabanos e negros se juntaram..E adivinha? Mais sangue foi derramado!
Nosso povo mais uma vez sofrendo nas mãos do governo regencial. Não deram o real valor a nossa região.
Cerca de 40% da população foi dizimada e esse foi o resultado de uma das maiores revoltas sociais do Brasil.
Nosso povo vive e continua lutando e as marcas dessa época ainda não cicatrizaram.

Quem quiser, venha ver
Mas só um de cada vez
Não queremos nossos jacarés tropeçando em vocês!
Não, não possuímos somente meia dúzia de mitos e lendas.
Não, não pesamos “7 arrobas”.
Nossa cultura é riquíssima, porém, desvalorizada pela ganância que assola esse chão.
O Pajé com sua Cunhã-Poranga anunciam!
Parintins: Um grande festival folclórico que junta os bois do Caprichoso e Garantido para fazer uma linda festa com suas alegorias.
Sua entusiasmada galera, e claro, as suas tribos indígenas para fazer a festa.

Cobras-grandes, Curupiras, Caaporas, Matinta Perera. O folclore é, acima de tudo, um espetáculo de lendas e faz parte da índia-boi-bumbá.
No vale do Guaporé, uma grande e emocionante manifestação de fé.
Erguendo a bandeira do divino, com muita musicalidade e devoção.
Também é encenado a batalha entre mouros e cristãos na festa de São Tiago. A festa reúne o teatro a céu aberto, a mistura de rituais religiosos e a cavalhada.

Oh! Virgem Santa
Olhai por nós
Olhai por nós
Oh! Virgem Santa
Pois precisamos de paz.
Embalada pela Santa em sua Berlinda acontece o Círio de Nazaré.
Onde os romeiros na sua principal procissão, puxam a corda em uma demonstração de amor e fé.
O segundo domingo de outubro é muito especial para os paraenses.

Na ilha do Marajó a arte marajoara milenar e o artesanato de Meriti, de capim dourado.
O açaí, mandioca, caldeirada, tacacá, maniçoba, gurijuba e o pato no tucupi são uns dos pratos que não faltam na mesa de um bom e velho nortista.

Mil e umas Maravilhas que não são valorizadas pelo poder público e pelo Brasil.
Não se esqueçam de nós, valorizem nossa cultura e não vendam nossa Amazônia!

Glossário:

Angûeras – Espíritos
Antã – Forte, Ágil e esperto
Bataquara – Sabedor de coisas
Aupaba – Terra de origem
Anauê – Saudação, Olá, Salve
Ibi – Terra
Tupã, Jaci e Guaraci – Deuses
Karaíba – Homem Branco
Ioroque – Espírito Mau, Diabo.
Grão-Pará – Província que hoje é território dos estados do Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima. (Região Norte)
Cunhã-Poranga – Mulher bonita da aldeia, Chefe indígena e compõe o festival de Parintins.
Cobras-grandes, Curupiras, Caaporas, Matintaperera – Lendas e mitos da Amazônia.

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