Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

O impacto da compra da Fox pela Disney por US$ 52,4 bilhões

O acordo foi aprovado nesta sexta-feira, dia 27, numa votação de cerca de oito minutos (Foto: Divulgação).

Protagonistas de uma das séries mais bem sucedidas de todos os tempos, os Simpsons agora integram o catálogo do estúdio do Mickey Mouse e do Tio Patinhas. Isso porque, conforme previsto por “Os Simpsons” (The Simpsons – 1989) em 1998, a Walt Disney é a nova proprietária de uma parte bastante lucrativa da 20th Century Fox. A transação anunciada na última quinta-feira, dia 14, custou US$ 52,4 bilhões aos cofres da Disney e não inclui os canais de notícias e esportes da Fox.

 

“Estamos empolgados por ter esta extraordinária oportunidade de expandir significativamente nosso portfólio de franquias amadas e marcas para aprimorar nossas ofertas aos consumidores. O acordo também vai expandir nosso alcance internacional, permitindo que nós ofereçamos uma narrativa de alto nível em escopo internacional e plataformas de distribuição inovadoras para mais consumidores em mercados importantes ao redor do mundo”, disse Bob Iger, presidente da Disney, em comunicado oficial à imprensa.

 

Segundo a imprensa americana, a Disney também assumirá a dívida de quase US$ 14 bilhões da Fox, que ficará com 25% das ações do estúdio criado por Walt Disney há 93 anos. Contudo, poucos detalhes sobre a transação bilionária foram divulgados pelas duas empresas até agora, causando apreensão em diversos profissionais da indústria do entretenimento devido à possibilidade de demissões em massa.

 

Dependendo da aprovação do Departamento de Justiça americano, algo que pode demorar bastante tempo, a fusão entre duas das mais tradicionais empresas da indústria do entretenimento coloca nas mãos dos executivos da Disney o controle dos estúdios de cinema e televisão da Fox, além de canais por assinatura como National Geographic e FX Networks.

 

No entanto, um dos principais motivos da compra da Fox pela Disney é o interesse da segunda nos personagens da Marvel, como Deadpool e X-Men. Com isso, o estúdio pode expandir o Universo Cinematográfico Marvel (UCM) e colocar os mutantes num filme dos Vingadores, por exemplo, realizando o sonho de muitos fãs de quadrinhos e, consequentemente, quebrando recordes de bilheterias ao redor do globo.

 

Presidente da Disney pretende manter Deadpool voltado para o público mais velho (Foto: Divulgação).

 

Mas enquanto grande parte do público comemora a possibilidade de ver Vingadores e X-Men dividindo a tela grande, há quem se preocupe com o futuro não apenas do desbocado Deadpool, mas principalmente da indústria num cenário de monopólio da Disney, que já é proprietária da Marvel Entertainment, Pixar e LucasFilm – a segunda, criada por George Lucas em 1971, tem como uma de suas subsidiárias a Industrial Light & Magic, referência em efeitos especiais.

 

Tamanha preocupação se deve ao fato de Fox e Disney atuarem de maneiras distintas no que tange às suas produções cinematográficas e televisivas. A Fox sempre se arriscou mais, inclusive em filmes “menores” por meio da Fox Searchlight, o braço de filmes independentes do estúdio, responsável por “Pequena Miss Sunshine” (Little Miss Sunshine – 2006), “Cisne Negro” (Black Swan – 2010), “O Regresso” (The Revenant – 2015) e também pelos vencedores do Oscar de melhor filme, “12 Anos de Escravidão” (12 Years a Slave – 2013) e “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” (Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance) – 2014). Nesse ponto, é válido ressaltar que a Fox Searchlight é líder da atual temporada de premiações com “A Forma da Água” (The Shape of Water – 2017) e “Três Anúncios Para um Crime” (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri – 2017).

 

Ao contrário da Fox, a Disney optou por seguir à risca a fórmula certeira e lucrativa de produções bonitinhas e para toda a família, realizando pequenas mudanças de perfil nos últimos anos, sobretudo após ver um dos frutos de sua parceria com a Pixar, “Monstros S.A.” (Monsters, Inc. – 2001), ser derrotado no Oscar por uma animação politicamente incorreta e fora dos padrões, “Shrek” (Idem – 2001). Mesmo assim, mantém a tradição de filmes mais leves até mesmo de super-heróis, uma vez que eles podem ser explorados em sua plenitude, o que inclui a criação de atrações nos parques temáticos do grupo e, obviamente, a comercialização de produtos relacionados a cada um deles.

 

“Temos a oportunidade de expandir franquias icônicas para novas gerações de fãs, assim como fizemos com Marvel e ‘Star Wars’. O exemplo óbvio é ‘Avatar’, que continua sendo o filme de maior bilheteria da história. Já trabalhamos com James Cameron para abranger a narrativa em uma nova e espetacular terra chamada ‘Pandora: O Mundo do Avatar’, que abriu em Orlando no início deste ano e estamos muito entusiasmados em continuar esse relacionamento, especialmente relacionado à série de filmes ‘Avatar’ em que ele está trabalhando atualmente. Também estamos ansiosos para expandir o Universo Cinematográfico da Marvel para incluir os ‘X-Men’, ‘Quarteto Fantástico’ e ‘Deadpool’ e reunir todos os filmes da ‘Star Wars’ já feitos sob um mesmo teto, o que abre novas oportunidades para essa franquia”, afirmou Iger, que decidiu adiar sua aposentadoria mais uma vez e continuar na presidência da Disney até 2021 para supervisionar esse período de mudanças.

 

Outro ponto importante, e que precisa ser destacado, é que essa fusão deixa um terço do Hulu com a Disney, que há tempos deseja investir mais em plataformas digitais para brigar em pé de igualdade com a Amazon e Netflix. De acordo com o Deadline, Bob Iger sinalizou a um grupo de investidores sua aposta na plataforma, aumentando seu controle e conteúdo para torná-la mais eficiente. Ou seja, as duas populares plataformas digitais sentirão o impacto no futuro porque o catálogo da Fox é extremamente rico e inclui a trilogia original de “Star Wars” (Idem) e as franquias “X-Men” (Idem), “Avatar” (Idem) e “Planeta dos Macacos” (Planet of the Apes).

 

Ainda de acordo com a imprensa americana, se a fusão for aprovada pelo governo, a Disney controlará aproximadamente 27% da indústria cinematográfica, uma porcentagem bastante expressiva.

 

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