Cláudio Russo comenta críticas ao samba do Tuiuti para 2019

Cláudio Russo. Foto: Reprodução/Facebook

Cláudio Russo. Foto: Reprodução/Facebook

Deu bode? As opiniões sobre o samba do Paraíso do Tuiuti para o Carnaval 2019 se dividiram entre quem aprovou e elogiou a obra e outros que esperavam mais, em comparação a 2018. Um dos autores do samba, Cláudio Russo, acredita que a relação com a obra da escravidão é inevitável, mas ressalta que são duas propostas diferentes, que geraram dois sambas de ótima qualidade.

Russo, que assina a obra junto de Moacyr Luz, Dona Zezé, Jurandir e Aníbal pelo segundo ano consecutivo, lembrou que o samba de 2018 só se tornou unanimidade a partir do início do ano e conquistou maior sucesso na Avenida.

Ele tem uma alegria que o outro não tinha

“Eu acho que pegou na veia, só são dois sambas diferentes. Se a gente lembrar, ano passado, quando o samba da Tuiuti foi lançado, também foi criticado. Só se tornou unanimidade quando entrou janeiro, com os ensaios técnicos lá em São Cristóvão. A gente tem confiança no nosso trabalho. Eu já tenho 28 anos nisso e se tivesse errado a mão, eu falaria. Eu tenho certeza que esse samba é muito bom. Não comparo com o do ano passado, mas ele tem uma alegria que o outro não tinha”, disse o compositor.

– Ouça o samba do Paraíso do Tuiuti para 2019

O compositor também falou sobre a dificuldade em compor o samba do próximo desfile. A história inusitada de um bode que foi eleito vereador deixou os autores de cabelo em pé. No entanto, para Russo, a obra consegue transmitir a alegria e irreverência do tema.

“A história da escravidão, do negro vindo da África e até dos direitos trabalhistas que foram cerceados a gente conhece bem. Então, é mais fácil compor nesse tema do que transformar a história de um bode que saiu do sertão na grande seca do Nordeste, chega em Fortaleza, é criado solto, começa a frequentar os lugares do centro, o povo começa a gostar dele e é eleito vereador. Transformar toda essa história em verso é muito difícil”,

Após o grande sucesso na Sapucaí que fez os dois últimos refrões do Tuiuti de 2018 serem entoados pelas arquibancadas, qual é a aposta do grupo de compositores para repetir a dose no ano que vem?

É uma mensagem muito importante em ano de eleição

“O que vai pegar é ‘O meu bode tem cabelo na venta, o Tuiuti me representa’. Acho esse refrão muito forte, até mais que o do ano passado, melodicamente. Mas a parte que eu mais gosto é quando começa o samba com ‘Vendeu-se o Brasil num palaque da praça/E ao homem serviu ferro, lodo e mordaça’. Essa é uma mensagem muito importante em um ano de eleição”, respondeu Cláudio Russo.

O Paraíso do Tuiuti lançara o clipe completo do samba na próxima segunda-feira (16). Em 2019, a escola apresenta o enredo “O Salvador da Pátria”, de autoria do carnavalesco Jack Vasconcelos.

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