Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

Globo de Ouro 2019: ‘Bohemian Rhapsody’ e ‘Green Book: O Guia’ são os vencedores

Cinebiografia de Freddie Mercury, “Bohemian Rhapsody” levou os prêmios de melhor filme de drama e ator em filme de drama para Rami Malek (Foto: Divulgação / Crédito: HFPA Photographer).

Na noite do último domingo, dia 06, a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (Hollywood Foreign Press Association – HFPA) realizou no The Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles (Califórnia), a 76a edição do Globo de Ouro. E os vencedores foram “Bohemian Rhapsody” (Idem – 2018) e “Green Book: O Guia” (Green Book – 2018).

 

Cinebiografia de Freddie Mercury, líder do Queen que faleceu em decorrência do vírus HIV no início dos anos 1990, “Bohemian Rhapsody” venceu as estatuetas de melhor filme de drama e ator de drama para Rami Malek. Dirigido por Bryan Singer, o longa contou com o apoio dos integrantes do Queen, Brian May e Roger Taylor, que participaram da cerimônia do Globo de Ouro.

 

Indicado a cinco prêmios, “Green Book: O Guia” faturou três: melhor filme de comédia/musical, ator coadjuvante para Mahershala Ali e roteiro para Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie e Peter Farrelly, que também assina a direção.

 

Com novo design que lhe confere modernidade, a estatueta do Globo de Ouro foi disputada por grandes nomes da indústria do entretenimento, como Lady Gaga, que venceu na categoria de melhor canção original por “Shallow”, mas acabou perdendo a de atriz em filme de drama, ambas por “Nasce Uma Estrela” (A Star is Born – 2018). Seu parceiro de cena, Bradley Cooper, perdeu os prêmios de melhor filme de drama, direção e ator em filme de drama.

 

A veterana Glenn Close foi ovacionada ao receber o prêmio de melhor atriz em filme de drama por “A Esposa” (Foto: Divulgação / Crédito: HFPA Photographer).

 

E quem derrotou Lady Gaga foi a veterana Glenn Close. Aplaudida de pé, a estrela de “Atração Fatal” (Fatal Attraction – 1987) recebeu o prêmio de melhor atriz em drama por “A Esposa” (The Wife – 2018), filme que entra em cartaz nos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira, dia 10. Este é o primeiro Globo de Ouro de Close por um papel no cinema, pois os outros dois foram concedidos por trabalhos televisivos – atriz em minissérie/telefilme por “The Lion in Winter – 2003) e atriz em série de TV de drama por “Damages” (Idem – 2007 – 2012). Bastante emocionada, a atriz agradeceu às outras indicadas dizendo que “todas deveríamos estar aqui juntas”.

 

Close foi novamente aplaudida de pé com um dos discursos mais potentes da noite, lembrando a relação de seus pais e uma conversa que teve com a mãe já idosa, completando em seguida: “Eu sinto que o que eu aprendi de toda essa experiência é que as mulheres, nós somos educadoras e isso é o que se espera de nós. Nós temos nossos filhos e maridos, se tivermos sorte o suficiente, mas temos que encontrar satisfação pessoal. Temos que seguir nossos sonhos e temos que dizer: ‘Eu posso fazer isso’ e ‘eu deveria poder fazer isso’”.

 

Pouco antes de Glenn Close, Regina King agradeceu seu prêmio de melhor atriz coadjuvante por “Se a Rua Beale Falasse” (If Beale Street Could Talk – 2018) falando em prol de igualdade e firmando o compromisso de realizar trabalhos com uma equipe formada por 50% de mulheres, sendo aplaudida com entusiasmo pelos presentes. “A razão pela qual fazemos isso é porque percebemos que nossos microfones são grandes e que falamos para todos”, disse King.

 

Presidente da HFPA, Meher Tatna assumiu tom político ao discursar no Globo de Ouro (Foto: Divulgação / Crédito: HFPA Photographer).

 

Mantendo a tradição, a presidente da HFPA, Meher Tatna, subiu ao palco para discursar. Mas este ano, a jornalista foi além do cinema e da televisão para falar sobre assuntos urgentes como liberdade de expressão e de imprensa. “Nosso trabalho como jornalistas está sob cerco, e é por isso que nossa missão de estabelecer laços culturais como jornalistas nos Estados Unidos é importante. Para este fim, nossos membros decidiram expandir nosso mandato… cabe a todos nós preservar a liberdade de expressão e de imprensa. Esta é a nossa história para contar, esta é a nossa história para escrever, esta é a nossa posição a tomar”, afirmou Tatna, recebendo aplausos calorosos da plateia.

 

Marcada por diversos discursos de cunho político, a noite teve inclusão como palavra de ordem. A começar pela escolha de Sandra Oh como mestre de cerimônias, ao lado de Andy Samberg. Uma das vencedoras da noite, melhor atriz em série de TV de drama por “Killing Eve” (Idem – desde 2018), Oh se tornou a primeira atriz de origem asiática a assumir a função no prêmio da HFPA. Esta também é a segunda vez que Oh vence o Globo de Ouro – a primeira foi em 2006 por “Grey’s Anatomy” (Idem – desde 2005), na categoria de melhor atriz coadjuvante em série de televisão.

 

Alfonso Cuáron venceu seu segundo Globo de Ouro de melhor direção (Foto: Divulgação / Crédito: HFPA Photographer).

 

A preocupação com inclusão pode ser observada principalmente no resultado da premiação, marcado por diversidade. Dentre os ganhadores, o cineasta mexicano Alfonso Cuáron, que subiu ao palco duas vezes para receber os prêmios de melhor direção e filme estrangeiro por “Roma” (Idem – 2018), produção original Netflix. Esta é a segunda vez que Cuáron vence o Globo de Ouro de direção – a primeira foi por “Gravidade” (Gravity – 2013), em 2014. Além disto, é o segundo ano consecutivo que a instituição premia um diretor mexicano. No ano passado, o agraciado com a estatueta dourada foi Guillermo Del Toro por “A Forma da Água” (The Shape of Water – 2017).

 

“Pantera Negra”: Chadwick Boseman, Danai Gurira, Lupita Nyong’o e Michael B. Jordan no palco (Foto: Divulgação / Crédito: HFPA Photographer).

 

Este ano, a Disney teve derrotas consideráveis nas categorias de melhor animação, filme de drama e filme de comédia/musical. As grandes apostas do estúdio do Mickey eram “WiFi Ralph: Quebrando a Internet” (Ralph Breaks the Internet – 2018), “Os Incríveis 2” (Incredibles 2 – 2018), “Pantera Negra” (Black Panther – 2018) e “O Retorno de Mary Poppins” (Mary Poppins Returns – 2018), quatro títulos que estão em campanha para o Oscar.

 

Na categoria destinada a longas de animação, o vencedor foi “Homem-Aranha no Aranhaverso” (Spider-Man: Into the Spider-Verse – 2018), produção Marvel e Sony. O prêmio foi apresentado pelo elenco de “Pantera Negra” – Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o e Danai Gurira –, que é o maior sucesso Marvel/Disney em termos de premiações.

 

Carol Burnett recebeu o prêmio especial, batizado com o seu nome, das mãos de Steve Carell (Foto: Divulgação / Crédito: HFPA Photographer).

 

Ícone da televisão americana, Carol Burnett foi duplamente homenageada pela HFPA, que este ano criou um prêmio especial para os profissionais de TV, dando o nome da atriz a ele e a escolhendo como primeira receptora. O Carol Burnett Award foi entregue por Steve Carell, que brincou ao lado da atriz e apresentadora, ovacionada pela plateia. Ao todo, Burnett recebeu cinco Globos de Ouro, todos pelo “The Carol Burnett Show” (Idem – 1967 a 1978). “O meu primeiro amor quando era criança era o cinema”, disse Burnett, lembrando a avó, sua companheira de cinema, e o início da paixão pela televisão. “Estar em televisão significa que tivemos a oportunidade de fazer alguma coisa especial… então, esse prêmio tão carinhosamente batizado com o meu nome é dedicado a todos que realizaram meus sonhos e a todos aqueles que compartilham o amor que tenho pela televisão, e anseio por fazer parte deste meio único que tem sido tão bom para mim”, completou Burnett.

 

Jeff Bridges comemora o Cecil B. DeMille Award (Foto: Divulgação / Crédito: HFPA Photographer).

Outro homenageado da noite, Jeff Bridges recebeu o Cecil B. DeMille Award, prêmio concedido pelo conjunto da obra aos profissionais do cinema, das mãos de Chris Pine, com quem contracenou em “A Qualquer Custo” (Hell or High Water – 2016). Filho dos atores Lloyd e Dorothy Dean Bridges, o ator de 69 anos começou seu longo discurso agradecendo à esposa, Susan, e ao irmão, o também ator Beau Bridges, após ser aplaudido de pé pelos presentes. “Nós estamos vivos, nós podemos fazer a diferença, e nós podemos virar este navio para onde quisermos ir”, disse Bridges, que iniciou a carreira artística ainda na infância e venceu apenas um Globo de Ouro, o de melhor ator em drama por “Coração Louco” (Crazy Heart – 2009), filme que também lhe rendeu seu único Oscar.

 

Líder de indicações de cinema, ao todo seis, “Vice” (Idem – 2018) levou apenas um prêmio, o de melhor ator em filme de comédia/musical para Christian Bale; assim como “A Favorita” (The Favourite – 2018), que faturou somente uma das cinco estatuetas a que concorria, a de melhor atriz de filme comédia/musical para Olivia Colman.

 

Líder nas categorias destinadas à televisão, com quatro indicações, o “Assassinato de Gianni Versace: American Crime Story” (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story – desde 2013) venceu apenas dois: melhor minissérie / telefilme e ator em minissérie / telefilme para Darren Criss.

 

O Globo de Ouro é considerado o segundo prêmio mais importante para a indústria hollywoodiana e um grande termômetro para o Oscar, apesar de seu resultado não impactar diretamente o da cerimônia realizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (Academy of Motion Picture Arts and Sciences – AMPAS), influenciando apenas nas campanhas dos indicados. Ao contrário do que acontece com as premiações dos sindicatos, que exercem influência significativa no Oscar, pois boa parte dos integrantes do Sindicato dos Diretores dos Estados Unidos (Directors Guild of America – DGA) e do Sindicato dos Atores (Screen Actors Guild – SAG), por exemplo, são membros com direito a voto da AMPAS.

 

Confira a lista completa de vencedores:

Melhor filme – drama:

– “Bohemian Rhapsody” (Idem – 2018);

Melhor filme – comédia / musical:

– “Green Book: O Guia”;

Melhor ator – drama:

– Rami Malek – “Bohemian Rhapsody”;

Melhor atriz – drama:

– Glenn Close – “A Esposa” (The Wife – 2018);

Melhor ator – comédia / musical:

– Christian Bale – “Vice”;

Melhor atriz – comédia / musical:

– Olivia Colman – “A Favorita”;

Melhor ator coadjuvante:

– Mahershala Ali – “Green Book: O Guia”;

Melhor atriz coadjuvante:

– Regina King – “Se a Rua Beale Falasse”;

Melhor direção:

– Alfonso Cuarón – “Roma” (Idem – 2018);

Melhor roteiro:

– “Green Book: O Guia” – Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie e Peter Farrelly;

Melhor canção original:

– “Nasce uma Estrela” – “Shallow”, de Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt;

Melhor trilha sonora original:

– “O Primeiro Homem” – Justin Hurwitz;

Melhor animação:

– “Homem-Aranha no Aranhaverso” (Spider-Man: Into the Spider-Verse – 2018);

Melhor filme estrangeiro:

– “Roma” (Idem – 2018, México);

Melhor série de TV – drama:

– “The Americans” (Idem – desde 2013);

Melhor série de TV – comédia / musical:

– “O Método Kominsky” (The Kominsky Method – desde 2018);

Melhor minissérie / telefilme:

– “Assassinato de Gianni Versace: American Crime Story” (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story – desde 2013);

Melhor ator em série de TV – drama:

– Richard Madden – “Segurança em Jogo” (Bodyguard – desde 2018);

Melhor atriz em série de TV – drama:

– Sandra Oh – “Killing Eve”;

Melhor ator em série de TV – comédia / musical:

– Michael Douglas – “O Método Kominsky”;

Melhor atriz em série de TV – comédia / musical:

– Rachel Brosnahan – “The Marvelous Mrs. Maisel” (Idem – desde 2017);

Melhor ator em minissérie / telefilme:

– Darren Criss – “Assassinato de Gianni Versace: American Crime Story”;

Melhor atriz em minissérie / telefilme:

– Patricia Arquette – “Escape at Dannemora” (Idem – 2018).

Melhor ator coadjuvante em série de TV / minissérie / telefilme:

– Ben Whishaw – “A Very English Scandal” (Idem – 2018);

Melhor atriz coadjuvante em série de TV / minissérie / telefilme:

– Patricia Clarkson – “Objetos Cortantes” (Sharp Objects – 2018);

Cecil B. DeMille Award:

– Jeff Bridges;

Carol Burnett Award:

– Carol Burnett.

 

Confira algumas fotos oficiais do Globo de Ouro 2019:

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