Clarimundo Flôres. Foto: Nicolas Renato Photography

Clarimundo Flôres

Carioca, formado em jornalismo e profundo apreciador de cerveja. Dedicou quase seus cerca de 20 anos de profissão atuando, essencialmente, nas áreas de economia e política, mas também com passagens pelo meio ambiente e de hotéis, restaurantes e gastronomia.

Heineken: o eterno problema das propagandas de cerveja

A Heineken foi acusada de racismo ao divulgar sua nova campanha publicitária, com o objetivo de lançar a versão light da consagrada marca holandesa. Na peça, um barman desliza pelo balcão a garrafa até chegar a uma mulher branca, que tem nas mãos uma taça de vinho branco. No caminho, o produto passa por duas pessoas negras. A frase final – “Sometimes, lighter is better” – pode ser lida de forma dúbia: “Às vezes, mais leve é melhor” ou “Às vezes, mais claro é melhor”. A cervejaria, diante da polêmica, tirou a campanha do ar e pediu desculpas pelo ocorrido.

Há muito já debatemos a questão dos anúncios de cervejas aqui neste espaço. As peças são, em geral, machistas, homofóbicas ou praticam um racismo direto, como o da Heineken, ou sutil, com a maioria do elenco, protagonistas e atores de apoio brancos no vídeo, cartazes e encartes. Recentemente, a cerveja Proibida alcançou um patamar de machismo no mínimo calhorda: colocou o ator Antônio Fagundes falando um texto em que qualificava os rótulos das cervejas pelo gênero. Haveria a mais forte, “para os machos” e o mais fraco, “paras a mulheres”.

A Itaipava, do Grupo Petrópolis, aposta ainda na exposição de mulheres de biquínis, servindo cervejas aos homens que babam pela garçonete. Além de estimular o assédio sexual e o desrespeito a uma profissão, coloca as mulheres em papel serviçal e nos dá a entender que mulheres não podem entrar num bar e pedirem uma cerveja sozinhas. Somente homens pedem e consomem cervejas em suas propagandas.

Um bom exemplo partiu da Skol, que fez uma campanha mais inclusiva em suas propagandas, apesar de 90% ou mais dos atores e elenco de apoio serem brancos.

Fica aqui mais um exemplo às agências de publicidade. Falta criatividade e uma pesquisa mais profunda do público consumidor de cervejas em nosso país. Muita coisa mudou. Não adianta fazermos campanhas de conscientização quando, na mensagem, exalamos justamento o oposto daquilo que afirmamos acreditar e defender. Falta mostra o público LGBTT, algo ainda tratado com um distanciamento assustador.

 

 

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