Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Uma Segunda Chance Para Amar’: produção natalina típica da ‘Sessão da Tarde’

“Uma Segunda Chance Para Amar” estreia nesta quinta-feira, dia 28 (Foto: Divulgação / Universal Studios).

“Uma Segunda Chance Para Amar” estreia nesta quinta-feira, dia 28 (Foto: Divulgação / Universal Studios).

Em 25 de dezembro de 2016, a notícia da morte de George Michael chocou a todos. Um dos maiores nomes da música mundial, o cantor, que foi uma das principais atrações da segunda edição do Rock in Rio em 1991, iniciou a carreira ao lado de Andrew Ridgeley, com quem formava o Wham!, verdadeiro fenômeno da música pop. A dupla ficou junta por cerca de quatro anos e vendeu aproximadamente 30 milhões de álbuns ao redor do globo, brindando os fãs com canções como “Last Christmas”, utilizada como fio condutor da trama de “Uma Segunda Chance Para Amar” (Last Christmas – 2019), uma das estreias desta quinta-feira, dia 28, nos cinemas brasileiros.

 

Dirigido por Paul Feig, de “Um Pequeno Favor” (A Simple Favor – 2018), o longa começa na Iugoslávia em 1999, mostrando a menina Kate (Madison Ingoldsby) no coral da Igreja cantando “Last Christmas”. Em 2017, já adulta e morando na Inglaterra, Kate (Emilia Clarke) trabalha numa loja de artigos natalinos e sonha com a carreira musical. Desastrada e um tanto rebelde, a jovem conhece Tom (Henry Golding), que lhe ensina a ver a vida e suas oportunidades com outros olhos, buscando sempre o aprimoramento enquanto ser humano.

 

Com roteiro de Greg Wise e Emma Thompson, que também assume as funções de produtora e atriz, interpretando a mãe de Kate, Petra, “Uma Segunda Chance Para Amar” é um filme natalino de fórmula tradicional, classificado como comédia, drama e romance. A simplicidade do roteiro, neste caso, não é um problema, pois seu desenvolvimento permite a transmissão eficaz da mensagem de que é necessário amadurecer e enfrentar seus próprios fantasmas, para, então, encontrar a tão sonhada felicidade.

 

Emilia Clarke e Emma Thompson em cena (Foto: Divulgação).

 

Apesar de simples, a trama de “Uma Segunda Chance Para Amar” encontra espaço, mesmo que rapidamente, para apresentar ao público o preconceito contra imigrantes. Enquanto o preconceito surge de forma inesperada contra um casal, o medo é sintetizado em Petra, ainda traumatizada por ter fugido da Iugoslávia com a família por causa da guerra civil. Contudo, a personagem trabalha seus temores carregando no melodrama recheado de humor. Mérito de Thompson, que compôs Petra como a super-mãe que precisa, ainda, lidar com a síndrome do ninho vazio.

 

Se Emma Thompson chama para si a responsabilidade de dar vida à personagem exagerada que cobra da filha uma ligação, Emilia Clarke e Henry Golding encontram o equilíbrio cênico, esbanjando química de sobra. Popularmente conhecida como Daenerys Targaryen de “Game of Thrones” (Idem – 2011 – 2019), Clarke aposta na espontaneidade, explorando os diversos sentimentos de Kate com facilidade; enquanto Golding surge como um homem sereno e respeitoso que deseja ajudar a jovem a recuperar as rédeas da própria vida. É um trabalho de equipe que funciona satisfatoriamente na tela.

 

Contando com participação não creditada de Andrew Ridgeley e com trilha sonora que inclui os sucessos “Faith” e “Freedom”, inseridos com cuidado pela montagem, “Uma Segunda Chance Para Amar” é uma produção bastante agradável, típica da “Sessão da Tarde”, que surpreende por não cair na armadilha da previsibilidade.

 

Assista ao trailer oficial legendado:

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