Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Projeto Gemini’ aposta na técnica em detrimento do conteúdo

“Projeto Gemini” entrou em cartaz na última quinta-feira, dia 10 (Foto: Divulgação / Crédito: Paramount Pictures).

Há anos sem emplacar um sucesso de público e crítica como protagonista, Will Smith tenta a sorte mais uma vez num longa que passeia pelo drama, suspense e ficção-científica: “Projeto Gemini” (Gemini Man – 2019), de Ang Lee. Produzido por Jerry Bruckheimer, o filme é uma das estreias desta quinta-feira, dia 10, nos cinemas brasileiros.

 

Na trama, Smith vive Henry Brogan, homem que trabalha para o governo americano e é considerado o melhor atirador de sua equipe, acumulando mais de 70 mortes. Após mais uma missão, Henry decide se aposentar, mas alguns segredos vêm à tona e o obrigam a lutar pela própria vida enquanto é caçado por Junior, seu clone, fruto do Projeto Gemini, chefiado por Clay Verris (Clive Owen).

 

A premissa de “Projeto Gemini” é interessante, mas a preguiça em seu desenvolvimento o coloca entre os piores filmes de Smith. Isto se deve ao fato de o roteiro escrito por David Benioff, Billy Ray e Darren Lemke não aprofundar nenhuma das questões apresentadas no decorrer de quase duas horas de duração, apoiando-se somente em efeitos visuais e sonoros que têm como objetivo potencializar as inúmeras sequências de ação, executadas de forma a remeter o espectador a jogos de videogame e/ou computador.

 

Filme usa tecnologia de ponta também para rejuvenescer Will Smith (Foto: Divulgação / Crédito: Paramount Pictures).

 

Com uma trilha sonora que em alguns momentos tenta conceder tensão, emoção e grandiosidade onde não há, “Projeto Gemini” peca também no que tange ao elenco, que atua no piloto automático, algo que pode ser atribuído, também, ao roteiro capenga. Com pouco material em mãos, os atores não conseguem encontrar o tom exato de seus respectivos personagens, oferecendo interpretações caricatas, principalmente Clive Owen e Linda Emond (Janet Lassiter), responsáveis pelos vilões.

 

Assim como seus coadjuvantes, o protagonista Will Smith surge em cena de maneira inconvincente. Indicado ao Oscar de melhor ator por “Ali” (Idem – 2001) e “À Procura da Felicidade” (The Pursuit of Happyness – 2006), Smith não consegue trabalhar com propriedade as emoções do homem com crise de consciência nem do jovem que descobre ser um clone criado para matar. O resultado é um trabalho que beira o constrangimento, sobretudo ao tentar inserir certa ingenuidade em Junior, que pode ser condensado na sequência em que ele aparece tomando um sorvete de casquinha enquanto os outros integrantes do Projeto treinam incessantemente, como se a mensagem fosse “ele é apenas um jovem de liberdade cerceada, vitimado pelo sistema”. Contudo, é importante ressaltar o uso satisfatório da tecnologia para rejuvenescer Smith.

 

No fim das contas, “Projeto Gemini” é mais uma produção que aposta na técnica em detrimento do conteúdo. E esta escolha de Ang Lee expõe ainda mais as fragilidades de sua trama vazia, repleta de pontas soltas e com ritmo narrativo irregular.

 

Assista ao trailer oficial legendado:

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