Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Minhas Férias com Patrick’: jumento rouba a cena

“Minhas Férias com Patrick” é dirigido por Caroline Vignal (Foto: Divulgação).

Inspirada no livro “Viagem de um Burro Pelas Cevenas”, de Robert Louis Stevenson, publicado em 1879, a comédia francesa “Minhas Férias com Patrick” (Antoinette dans les Cévennes – 2020) chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 06, oferecendo uma trama que tem a leveza como fio condutor para abordar temas como romance, adultério e autodescoberta.

 

Primeiro longa-metragem de Caroline Vignal após hiato de 20 anos na direção, “Minhas Férias com Patrick” conta a história de Antoinette (Laure Calamy), professora do Ensino Fundamental que se torna amante do pai de uma aluna e faz planos de viajar com ele por uma semana. Mas a família fala mais alto, e Vladimir (Benjamin Lavernhe) decide realizar uma trilha que pode ser feita a pé ou com um jumento. Frustrada com a opção do amante pela viagem com a esposa e a filha, Antoinette embarca na mesma aventura que o trio, mas sem ter ideia dos desafios impostos pela trilha, inclusive a vontade própria do jumento que a acompanha, Patrick.

 

“Minhas Férias com Patrick” não propõe nenhuma discussão moral ou ética acerca da postura tanto de Antoinette quanto de Vladimir para priorizar a leveza de uma trama sobre o desejo de uma mulher livre em encontrar amor e companheirismo. Mesmo assim, o longa mostra rapidamente momentos nos quais a protagonista é confrontada e questionada por manter um relacionamento com homem casado, o que expõe a realidade na qual ela optou por se inserir, se contentando com migalhas enquanto interfere conscientemente na harmonia familiar. E é exatamente para frear os impulsos de Antoinette que Patrick ganha espaço e, de certa forma, protagonismo, roubando boa parte das cenas.

 

Sem dificuldades técnicas, “Minhas Férias com Patrick” tem como trunfo o roteiro enxuto de Vignal e a fotografia de Simon Beaufils, que explora as belas paisagens durante a aventura de Antoinette. Neste ponto, a cena da protagonista despertando na floresta, rodeada pelos animais, remete um pouco ao clássico “Branca de Neve e os Sete Anões” (Snow White and the Seven Dwarfs – 1937) no que tange não apenas à fragilidade imposta pelo momento vivenciado pela personagem, que tem apenas Patrick e a floresta como porto seguro, mas também pela subversão do conceito de inocência da princesa eternizada pelos traços dos estúdios Disney. É uma cena interessante também por sua beleza estética e por colocar Patrick como o príncipe encantado que transforma a vida de uma mulher livre e desimpedida que insiste numa relação sem presente nem futuro.

 

No fim das contas, “Minhas Férias com Patrick” mostra como uma aventura movida pela insensatez se transforma numa jornada de autoconhecimento que muda a totalmente a visão de mundo da protagonista.

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