Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Eu Estava em Casa, Mas…’ entra em cartaz nesta quinta

“Eu Estava em Casa, Mas…” é dirigido, roteirizado e montado por Angela Schanelec (Foto: Divulgação).

Vencedor do Urso de Prata de melhor direção para Angela Schanelec no Festival de Berlim 2019, “Eu Estava em Casa, Mas…” (Ich war zuhause, aber – 2019, Alemanha / Sérvia) chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 10, prometendo ao espectador uma experiência densa no que tange ao drama.

 

“Eu Estava em Casa, Mas…” concorreu ao Urso de Ouro no Festival de Berlim (Foto: Divulgação).

“Eu Estava em Casa, Mas…” conta a história de Phillip (Jakob Lassalle), garoto de 13 anos que desaparece por alguns dias após a morte do pai, sendo encontrado no pátio da escola e levado a julgamento pelos professores, que não sabem se devem ou não expulsá-lo da instituição. Mas o período de ausência impôs diversas questões tanto à mãe quanto aos docentes, sobretudo por não saberem exatamente o motivo de seu desaparecimento.

 

Roteirizado por Schanelec, o longa parte de uma premissa interessante, apesar de batida no cinema, mas com potencial de render uma produção rica em conteúdo e capaz de conquistar a plateia. Contudo, a superficialidade da trama não permite maior envolvimento do espectador, pois nada é explicado nem desenvolvido o suficiente, concedendo a inevitável sensação de vazio, fortalecida por momentos sem diálogos e tantos outros com situações que fogem ao cerne da trama, por vezes, relegando à câmera uma função meramente contemplativa.

 

Buscando abordar a crise existencial causada pelo luto, bem como relações afetivas abaladas pela dor, sentida de formas diferentes por mãe e filhos, “Eu Estava em Casa, Mas…” é repleto de pontas soltas potencializadas pela montagem, também de responsabilidade de Schanelec, que não se preocupa em criar conexões firmes entre as tramas principal e secundárias, o que pode incomodar à parte da plateia. No fim das contas, é uma produção que promete mais do que consegue cumprir, sobretudo por não esmiuçar a angústia de Astrid (Maren Eggert), mulher amargurada e incapaz de demonstrar o mínimo afeto pelos filhos.

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