Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Doutor Sono’: Danny de volta ao Hotel Overlook

Protagonizado por Ewan McGregor, “Doutor Sono” entrou em cartaz na última quinta-feira, dia 07 (Foto: Divulgação).

Baseado no livro homônimo de Stephen King, “Doutor Sono” (Doctor Sleep – 2019) é um dos filmes mais aguardados deste ano. Com direção e roteiro de Mike Flanagan, de “Ouija: Origem do Mal” (Ouija: Origin of Evil – 2016), o longa entra em cartaz nesta quinta-feira, dia 07.

 

Continuação direta do clássico “O Iluminado” (The Shining – 1980), de Stanley Kubrick, “Doutor Sono” é ambientado cerca de 40 anos após os eventos do Hotel Overlook que traumatizaram o menino Danny, interpretado no clássico por Danny Lloyd, que faz uma pequena participação neste longa. Adulto e alcóolatra, Danny (Ewan McGregor) continua assombrado pelos fantasmas do passado, mas foge do inevitável acerto de contas, começando a trabalhar como enfermeiro numa pequena clínica para pacientes terminais. Neste período, Dan, como é conhecido, inicia uma troca de mensagens com a menina Abra (Kyliegh Curran), cuja iluminação chama a atenção de Rose (Rebecca Ferguson), líder de um grupo que representa o mal em sua essência.

 

Com duas horas e meia de duração, “Doutor Sono” conta com ritmo narrativo lento para desenvolver sua história, mostrando a vida pós-Hotel Overlook e trabalhando os traumas de Dan de forma interessante principalmente ao levá-lo de volta à propriedade que foi cenário de momentos de horror. Aliás, tal qual em “O Iluminado”, o Overlook neste filme é mais do que um cenário, é um personagem essencial. Neste ponto, é imprescindível citar que o hotel foi recriado com riqueza de detalhes numa primorosa direção de arte.

 

Kyliegh Curran e Rebecca Ferguson em cena (Foto: Divulgação).

 

No entanto, apesar da conexão direta com o filme estrelado por Jack Nicholson (Jack Torrance) na década de 1980, o novo longa não conta com o mesmo vigor, pois perde tempo demais apresentando à plateia a rotina e o modus operandi do grupo de Rose. Isto o torna um tanto cansativo e repetitivo em determinados momentos, permitindo que suspense e terror tomem conta da narrativa de fato nas sequências ambientadas no Hotel Overlook, soando como homenagem ao seu antecessor, algo que fica nítido na fotografia de Michael Fimognari, que em algumas sequências utilizou o mesmo enquadramento de John Alcott em “O Iluminado”.

 

Utilizando trilha sonora e efeitos sonoros para criar a atmosfera de tensão inerente aos gêneros aos quais é classificado, “Doutor Sono” tem no elenco seu verdadeiro alicerce, sobretudo o trio composto por Rebecca Ferguson, Kyliegh Curran e Ewan McGregor. Enquanto Ferguson aposta no mistério para construir sua personagem e Curran no drama da menina vítima de bullying que precisa lidar com poderes que não entende o suficiente, McGregor brilha como o homem atormentado que precisa proteger Abra a qualquer custo e confrontar o passado, inclusive o pai, Jack, agora interpretado pelo eterno Elliott de “E.T.: O Extraterrestre” (E.T. the Extra-Terrestrial – 1982), Henry Thomas, numa caracterização muito próxima à de Nicholson.

 

“Doutor Sono” é sobre a eterna luta do bem contra o mal que relega o suspense e o horror ao segundo plano para priorizar o drama oriundo das consequências de uma infância marcada pela violência e também do medo da finitude, este segundo sintetizado no grupo de Rose. É uma produção que funciona, mas que poderia ter atingido o mesmo patamar do original se a condução de Flanagan não fosse tão contida e preocupada em conquistar o espectador pela nostalgia.

 

Assista ao trailer oficial legendado:

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