Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Aladdin’: tradição x felicidade

“Aladdin” é a terceira maior bilheteria do ano até o momento (Foto: Divulgação).

Mais um título da onda de remakes em live-action de clássicos de animação do estúdio Disney chega às telas de todo o Brasil: “Aladdin” (Idem – 2019). Dirigido por Guy Ritchie, de “Snatch: Porcos e Diamantes” (Snatch – 2000), o longa é a principal estreia desta quinta-feira, dia 23.

 

Na trama, Jasmine (Naomi Scott) é a princesa de Agrabah e precisa se casar para honrar o legado de seu pai, o Sultão (Navid Negahban), uma vez que as leis do país não permitem que uma mulher herde o trono. Em meio a diversas apresentações de príncipes, Jasmine conhece um rapaz pobre que ganha a vida realizando pequenos furtos, Aladdin (Mena Massoud), que é obrigado por Jafar (Marwan Kenzari), o Vizir do Sultão, a roubar a lâmpada de uma caverna para que o Gênio (Will Smith) realize todos os seus desejos, principalmente o de se tornar Sultão de Agrabah.

 

Mena Massoud e Naomi Scott em cena (Foto: Divulgação).

 

Passeando com desenvoltura pelos gêneros musical, aventura e romance, “Aladdin” apresenta fotografia rica que brinca não apenas com as cores, nos momentos felizes de Aladdin e Jasmine, como também com as sombras que refletem o perigo representado por Jafar. É um grande acerto de Alan Stewart, que assume a função de diretor de fotografia de longas-metragens pela terceira vez. No entanto, o filme desanda em alguns momentos, sobretudo no que tange à composição dos personagens, pois o elenco não consegue encontrar o sotaque correto nem mantê-lo em todas as suas cenas, apresentando um trabalho irregular.

 

Will Smith assume a responsabilidade de interpretar o Gênio (Foto: Divulgação).

 

Apesar do problema do sotaque, o elenco consegue assimilar as características dos personagens. À exceção de Kenzari, que opta pelo fácil e traiçoeiro caminho da caricatura, os destaques são a química entre o casal protagonista, Scott e Massoud, e o esforço de Will Smith, que há anos atuava no modo automático. Com a responsabilidade de interpretar um personagem imortalizado na voz de Robin Williams, Smith supera as expectativas ao respeitar o lado fanfarrão do Gênio e lhe conceder uma dose maior de humanidade.

 

Contando com efeitos visuais e sonoros impecáveis, “Aladdin” oferece boas doses de aventura em sequências dirigidas com firmeza por Ritchie, que ainda não está totalmente à vontade no universo fabular do estúdio do Mickey, algo que pode ser observado em sequências nas quais a magia tem de tomar conta da narrativa. Mesmo respeitando a essência do clássico que o originou, “Aladdin” (Idem – 1992), inclusive na oscarizada trilha sonora de Alan Menken, o novo longa não consegue atingir o nível de qualidade de outros remakes em live-action, como “A Bela e a Fera” (Beauty and the Beast – 2017) e “Dumbo” (Idem – 2019), que utilizam a sensibilidade com maestria para transmitir suas mensagens. E a mensagem de “Aladdin” é a de que a felicidade por vezes pode, e deve, sobrepor tradições, principalmente àquelas que limitam as mulheres e seu direito de escolha.

 

Assista ao trailer oficial legendado:

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