Vai ou não ter Carnaval? Presidente da Liga projeta ‘mês do prazo’ e aponta prioridade

Sambódromo do Anhembi. Foto: SRzd – Cesar R. Santos

Com as atividades suspensas desde o mês março, em razão da pandemia da Covid-19, as escolas de samba de São Paulo seguem seus cronogramas, na medida do possível, para não atrasar os preparativos para o próximo Carnaval.

Enredos e sinopses já foram lançados, ações sociais via internet arrecadaram toneladas de alimentos para quem precisa e concursos de samba-enredo já estão em andamento através das plataformas digitais.

Em paralelo, as agremiações realizam campanhas criativas e transmissões em vídeos para suas comunidades nas redes sociais e os carnavalescos desenvolvem os desenhos das alegorias e fantasias, seguindo os protocolos indicados pelos órgãos de saúde.

E os dirigentes?

No último dia 19, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo completou 34 anos de fundação. Em meio às comemorações, foram divulgados os dias em que as agremiações irão desfilar no próximo Carnaval. Ainda não foi oficializada a ordem das apresentações.

Sobre a realização do Carnaval, o presidente da maior entidade gestora do samba paulistano, Sidnei Carrioulo, afirmou ao jornal “Folha de São Paulo” que não existe decisão oficial sobre o assunto, que, segundo ele, será analisado sem pressa.

“Eu diria que agosto é o ‘mês do prazo’ para sabermos se vai ou não ter Carnaval. Mas primeiramente, precisamos nos preocupar com a nossa saúde”, afirma ele.

Sidnei Carriuolo, atual presidente da Liga-SP. Foto: SRzd – Fabio Capeleti

Saúde tem sido uma palavra bastante utilizada pela Liga-SP. Em comunicado compartilhado no mês passado, a entidade responsável pela organização dos desfiles, ressaltou que suas 34 filiadas não são estritamente samba, festa e fantasia. O mesmo discurso foi praticado por líderes das escolas em “lives” promovidas pelo SRzd nos últimos meses.

Seguindo a tendência de toda a indústria cultural, as agremiações se adaptaram para oferecer conteúdo e entretenimento à distância e, como informação também salva vidas, têm trabalhado para conscientizar suas comunidades sobre a importância da prevenção e de ouvir as autoridades médicas para evitar contrair a Covid-19.

“As escolas de samba de São Paulo prontamente cancelaram seus eventos e intensificaram suas ações sociais para ajudar os menos favorecidos que sofrem mais os efeitos econômicos da quarentena, além de adaptarem ateliês e barracões para a fabricação de equipamentos de proteção individual, que garantem a vida dos profissionais da saúde que estão na linha de frente no combate ao Coronavírus, e máscaras para doação”, escreveu a Liga-SP.

Desfile do Carnaval de São Paulo. Foto: Paulo Lopes – Liga-SP

“O Carnaval das escolas de samba é feito por pessoas e a preocupação com a vida sempre estará acima de qualquer outra. Como todos os outros setores não essenciais, as escolas de samba estão trabalhando com profissionais dentro de suas próprias casas, pensando no próximo Carnaval, seja ele em 2021 ou em 2022, sem deixar de cumprir sua função social, como têm feito as grandes empresas brasileiras”, diz outro trecho da nota.

“Temos conversado pouco com os órgãos públicos porque acho besteira abrir negociações agora. Seria uma coisa meio antipática de se fazer no momento”, completou Carrioulo que é presidente da Águia de Ouro – atual campeã do Grupo Especial.

Sidnei Carriuolo. Foto: SRzd – Bruno Giannelli

Em entrevista concedida ao canal “Santos Carnaval”, Sidnei já havia dito que, em relação aos próximos passos, a palavra de ordem é cautela.

“Em paralelo a realização dos desfiles, minha preocupação é manter as escolas de samba fortes e estruturadas. Querendo ou não, o Brasil é conhecido pelo futebol e pelo Carnaval. Hoje as agremiações estão estruturadas com profissionais que vivem do Carnaval o ano inteiro e isso nos preocupa. Nossa prioridade é manter essa manifestação cultural”, ressaltou.










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