Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

Oscar: AMPAS anuncia criação de nova categoria

A 91a edição da cerimônia de entrega do Oscar será realizada no dia 24 de fevereiro de 2019 (Foto: Divulgação / Richard Harbaugh ©A.M.P.A.S.).

Nesta quarta-feira, dia 08, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (Academy of Motion Picture Arts and Sciences – AMPAS) anunciou mudanças importantes no Oscar após reunião com 54 membros do conselho, realizada na terça-feira, dia 07. A principal delas é a criação de uma nova categoria: a de melhor filme popular.

 

No entanto, o comunicado oficial da Academia não explica quais critérios serão adotados para a votação dos finalistas a melhor filme popular – qualidade, bilheteria, etc. Assim, neste primeiro momento, o que muitos questionam é o suposto favorecimento a blockbusters, sobretudo de super-heróis, uma vez que a DC/Warner tentou emplacar “Mulher-Maravilha” (Wonder Woman – 2017) na última edição, mas sem sucesso. E a Marvel, sob o comando da Disney, tem grandes sucessos este ano, como “Vingadores: Guerra Infinita” (Avengers: Infinity War – 2018) e “Pantera Negra” (Black Panther – 2018), que têm condições de concorrer à estatueta mais cobiçada do cinema como filmes populares, mas que dificilmente seriam levados a sério na categoria principal, a de melhor filme. Neste ponto, é válido lembrar que no início dos anos 2000, a Disney pleiteou junto à AMPAS a criação do prêmio de melhor longa-metragem em animação, entregue pela primeira vez em 2002 para “Shrek” (Idem – 2001), da rival DreamWorks Animation.

 

De acordo com o IndieWire, a criação desta nova categoria é resultado da pressão feita pela ABC. De propriedade da Disney, a emissora tenta encontrar uma maneira rápida e eficiente para aumentar a audiência da cerimônia, que caiu bastante nos últimos anos apesar dos inúmeros esforços dos produtores para atrair o público, sobretudo o mais jovem, inclusive apostando em números musicais populares. O distanciamento do público é inegável e tem como principal alegação o tempo de duração da cerimônia, aproximadamente quatro horas, numa época marcada pelo imediatismo das redes sociais.

 

E neste ponto, entra a segunda mudança anunciada pela AMPAS: o compromisso de realizar uma cerimônia com três horas de duração, uma manobra clara para evitar o tédio dos telespectadores, principalmente nos momentos em que seus astros favoritos não estão no palco. Com isso, a Academia determinará quais estatuetas serão entregues ao vivo e quais ficarão restritas ao tempo dos comerciais da emissora responsável pela transmissão, sendo exibidas para o público ao final em vídeo devidamente editado. É provável que a instituição siga o exemplo de outras premiações e selecione as categorias técnicas para o intervalo, pois seus vencedores não são conhecidos do grande público, evitando, assim, alguma dispersão (entenda como troca de canal). Ou seja, na busca por popularidade, o Oscar tenta se equiparar em termos de agilidade a outras cerimônias, o que não agradou membros mais conservadores.

 

Isto causou imenso burburinho em Hollywood e muitos se manifestaram em suas redes sociais. Rob Lowe, por exemplo, postou em seu Twitter que “a indústria cinematográfica morreu hoje com o anúncio do Oscar de filme popular”. O ator ainda criticou Hollywood por sobreviver de tais filmes, muitos deles sequências, reboots, remakes, etc.

 

Entre uma crítica e outra, brincadeiras surgiram nas redes, como a do roteirista Jordan Ross, que postou em sua conta no Twitter um envelope escrito “The Meg”, título original de “Megatubarão”. O blockbuster que mostra um tubarão pré-histórico ameaçando a tripulação de um submarino no Oceano Pacífico é estrelado por Jason Statham, que há anos pleiteia a criação de uma categoria para dublês, que já existe em premiações como o SAG Awards, por exemplo.

 

A terceira mudança é sobre a data da 92a edição do Oscar. Previamente anunciada para 23 de fevereiro de 2020, a cerimônia foi antecipada para 09 de fevereiro do mesmo ano, o que impacta diretamente o calendário da temporada, pois o Oscar é tradicionalmente o prêmio responsável por encerrá-la.

 

Nesta quarta-feira, a AMPAS também anunciou a reeleição do presidente John Bailey, que ficará no cargo por pelo menos mais um ano, tendo Lois Burwell, vencedora da estatueta de melhor maquiagem por “Coração Valente” (Braveheart – 1995), como vice-presidente.

 

A 91a edição da cerimônia de entrega do Oscar será realizada no dia 24 de fevereiro de 2019.

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