Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Nasce Uma Estrela’: Bradley Cooper e Lady Gaga rumo ao Oscar?

“Nasce Uma Estrela” entra em cartaz nas salas de exibição brasileiras nesta quinta-feira, dia 11 (Foto: Divulgação).

Terceiro remake do clássico homônimo de 1937, de William A. Wellman, “Nasce Uma Estrela” (A Star is Born – 2018) resgata o que de melhor há no cinema hollywoodiano, oferecendo à plateia uma experiência emocionante, capaz de deixar o mais insensível dos espectadores com um nó na garganta. Estreia de Bradley Cooper na direção, o longa entra em cartaz nas salas brasileiras nesta quinta-feira, dia 11.

 

Classificado como drama, romance e musical, o novo remake se aproxima mais do segundo, lançado em 1976 e estrelado por Barbra Streisand e Kris Kristofferson, no que tange à sua trama, uma vez que é ambientada no mundo da música, não do cinema. A diferença entre os dois é que este tem qualidade infinitamente superior em todos os quesitos. E neste ponto, a estrela nasce em forma de cineasta estreante, Cooper, e cheio de vontade de honrar a arte cinematográfica.

 

Com a firmeza e competência de um veterano na função, Bradley Cooper conduz “Nasce Uma Estrela” de modo a expor as entranhas da indústria fonográfica, que muito cobra de seus artistas, tratando-os como produtos rentáveis, porém com prazo de validade. Ou seja, não importa como, mas o momento precisa ser aproveitado antes que tais artistas caiam no esquecimento do público e, consequentemente, no limbo, numa viagem que pode ser acelerada devido aos excessos com álcool e drogas ilícitas.

 

No longa, Jackson Maine (Cooper) é um astro da música que arrasta multidões para suas apresentações. Após uma delas, movido à vontade de beber mais, acaba num bar onde conhece a jovem Ally (Lady Gaga), uma cantora nas horas vagas que desistiu de ir em busca de seu sonho por ser considerada feia por alguns executivos de gravadoras, que priorizam a embalagem em detrimento do talento. Não demora muito para que os dois iniciem um romance e Jackson a transforme numa grande estrela. O problema é que enquanto Ally prospera na carreira, Jackson sucumbe às drogas e ao álcool, amargando a decadência que afeta a vida do casal.

 

Lady Gaga e Bradley Cooper esbanjam química em cena, inclusive nos números musicais (Foto: Divulgação).

 

Alicerçado num roteiro consistente e de estrutura linear, “Nasce Uma Estrela” cresce na tela graças à dinâmica entre seus protagonistas, que atuam de maneira a complementar o trabalho um do outro e, acima de tudo, com respeito mútuo, inclusive nos vigorosos números musicais. Desta forma, Lady Gaga e Bradley Cooper surgem como dois gigantes que exploram minimamente as características de seus respectivos personagens, bem como suas dores e alegrias, transmitindo cada uma delas à plateia, envolvendo-a desde os primeiros minutos numa jornada que pode levá-los ao Oscar 2019. Enquanto Lady Gaga se adapta à realidade de atriz com muita competência, tendo seu poder vocal como aliado, Bradley Cooper se joga de corpo e alma na história do músico, mostrando, mais uma vez, o talento pouco reconhecido pela crítica e pela própria indústria cinematográfica.

 

“Nasce Uma Estrela” vai além e se torna uma obra completa por apostar também nos quesitos técnicos, sobretudo na fotografia e no som, que é um de seus grandes destaques e faz valer o ingresso mais caro de uma sala de alta tecnologia. Isto se deve ao fato de o som proporcionar ao espectador uma experiência quase imersiva, principalmente nas sequências ambientadas em shows e backstages. É um trabalho esmerado do departamento de som da Warner Bros. e que agrega enorme valor a este filme.

 

Abordando o modus operandi do showbusiness e suas consequências, “Nasce Uma Estrela” se torna uma produção sobre relações humanas e a importância de uma base sólida, construída de maneira a manter o indivíduo com os pés no chão apesar das adversidades. Neste sentido, torna-se doloroso e concede uma sucessão de socos no estômago em seu terceiro ato, mas preservando o principal ingrediente do relacionamento de Ally e Jackson, o amor. É um filme comovente e que chega às salas de exibição como um dos títulos mais cotados para a temporada de premiações, que termina com a cerimônia do Oscar, marcada para o dia 24 de fevereiro.

 

Assista ao trailer oficial legendado:

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