Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Velozes e Furiosos 9’ marca a retomada dos cinemas com potência máxima

Produzido e estrelado por Vin Diesel, “Velozes e Furiosos 9” é uma das apostas de recuperação para a indústria (Foto: Divulgação).

Há pouco mais de um ano, quando o cinema interrompeu suas atividades tanto nas salas de exibição quanto nos centros de produção mundo afora em decorrência da pandemia de Covid-19, muito se especulou se este meio de comunicação de massa sobreviveria a tempos tão difíceis e sombrios, marcados pelo medo, incertezas e a necessária adesão de medidas de isolamento e distanciamento social. Tais medidas propiciaram o avanço do PVoD e das plataformas de streaming, que receberam títulos originalmente agendados para o circuito comercial, como “Os 7 de Chicago” (The Trial of the Chicago 7 – 2020) e “Soul” (Soul – 2020), respectivamente lançados pela Netflix e Disney+. À época, o futuro do cinema era considerado, praticamente, inexistente, sobretudo quando várias salas anunciaram seu fechamento definitivo, pois não tinham como se manter sem público. Mas o tempo passou, muitos países apostaram corretamente na vacinação em massa como arma essencial no combate ao novo coronavírus, obtendo resultados positivos que possibilitaram a reabertura e a retomada graduais de atividades cotidianas, entre eles, os Estados Unidos.

 

“Velozes & Furiosos 9” estreou no Brasil em 24 de junho (Foto: Divulgação).

Antigo epicentro da pandemia, os Estados Unidos estão voltando à tão sonhada vida normal, o que inclui o retorno seguro do público aos shows e salas de exibição, que precisam de filmes de grande apelo comercial para iniciarem um importante processo de recuperação após meses de crise financeira oriunda da sanitária. Ao menos na Terra do Tio Sam, a volta à normalidade em segurança é possível, pois uma fatia considerável da população acima dos 18 anos de idade já recebeu as duas doses da vacina contra a Covid-19, o que diminuiu os números de casos e óbitos naquele país – ao contrário do Brasil, que ainda enfrenta o descontrole da pandemia, contabilizando mais de meio milhão de mortos, e o ritmo lento de vacinação. Esta retomada americana acontece no período mais lucrativo para a indústria cinematográfica, o verão do hemisfério norte, com o pé de Vin Diesel no acelerador em “Velozes & Furiosos 9” (F9: The Fast Saga – 2021), um dos títulos mais afetados pelo efeito dominó que se abateu sobre Hollywood no ano passado.

 

Com direção de Justin Lin, “Velozes & Furiosos 9” abriu com US$ 70 milhões no mercado americano, totalizando, até a presente data, US$ 418,6 milhões em bilheterias mundiais, segundo o Box Office Mojo – no Brasil, o filme ficou com cerca de 85,5% das vendas de ingressos entre os dias 24 e 27 de junho, ou seja, em sua abertura. Com isso, o longa assume o posto de primeiro blockbuster a atrair as massas de volta aos cinemas, mostrando que o público ainda aprecia a experiência cinematográfica proporcionada pela sala de exibição enquanto local tradicionalmente de socialização. Desta forma, o longa se tornou responsável pelo renascimento da indústria das cinzas, como uma Fênix, em meio à consolidação do streaming, que sacudiu Hollywood novamente no último dia 21 com o anúncio do acordo entre a Netflix e a Amblin Entertainment, de Steven Spielberg, um dos principais opositores das plataformas principalmente no que tange à elegibilidade de suas produções originais em premiações como o Oscar – segundo o IndieWire, o acordo prevê a produção de títulos selecionados, tendo como objetivo fortalecer laços entre o streaming e os estúdios tradicionais.

 

Apesar da arrecadação de “Velozes & Furiosos 9”, acima do esperado pelos executivos da Universal, o cenário mundial ainda requer cautela porque a variante Delta, originada na Índia, se tornou dominante, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), levando países a decretarem lockdown mesmo após período de aparente tranquilidade, como a Austrália, por exemplo. Isto pode gerar novo impacto para o cinema no mercado internacional nas próximas semanas, que terão um concorrente de peso na corrida de Dom Toretto (Vin Diesel): Natasha Romanoff / Viúva Negra (Scarlett Johansson).

 

“Viúva Negra” é uma das apostas do UCM (Foto: Divulgação).

 

Dirigido pela australiana Cate Shortland, “Viúva Negra” (Black Widow – 2021) é o primeiro lançamento do Universo Cinematográfico da Marvel (UCM) nos cinemas desde o início da pandemia. Contudo, a estreia do longa, marcada para o próximo dia 08, será híbrida. Isto é, o filme solo da Viúva Negra chegará simultaneamente aos cinemas e à Disney+ (no dia 09), mas com Premier Access, valor adicional ao da assinatura, por R$ 69,90. O novo título da Marvel promete agitar não apenas as salas de exibição, como também a plataforma do Mickey, que anunciou nesta quinta-feira, dia 1o, uma promoção para atrair mais assinantes: quem adquirir o serviço entre a data de hoje e o próximo dia 07 pagará apenas R$ 1,90 no primeiro mês, passando para o valor integral (R$ 27,90) a partir do segundo.

 

A Casa do Mickey tem agendado outro título de peso para lançamento simultâneo em 30 de julho, “Jungle Cruise” (Jungle Cruise – 2021), estrelado por Dwayne ‘The Rock’ Johnson e Emily Blunt. Dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra, o longa é inspirado na atração homônima dos parques da Disney – uma das mais famosas e procuradas pelos visitantes, na verdade, tal qual “Piratas do Caribe”, que originou uma lucrativa franquia que encheu ainda mais os cofres do Tio Patinhas. Atualmente, Collet-Serra dirige “Adão Negro” (Black Adam – 2022), uma das apostas da concorrente da Marvel, a DC/Warner, para 2022, também protagonizada por Johnson, tendo como coadjuvante um dos rostos mais cobiçados da Netflix, o galã juvenil Noah Centineo (Al Rothstein / Esmaga-Átomo), que desistiu de viver Príncipe Adam / He-Man em “Mestres do Universo” (Masters of the Universe), live-action da Sony que tem processo de produção bastante conturbado e envolto em incertezas que afetaram até mesmo a previsão de estreia.

 

“Velozes e Furiosos” completa 20 anos

 

Baseado no artigo de Ken Li, “Racer X”, publicado pela revista VIBE em maio de 1998, “Velozes & Furiosos” (The Fast and the Furious – 2001) conquistou o público com a mesma velocidade dos carros tunados e customizados de seus personagens, faturando US$ 207,3 milhões em bilheterias mundiais, valor considerado altíssimo para a época, ocupando a 19a posição do ranking dos filmes mais lucrativos de 2001, de acordo com o Box Office Mojo.

 

“Velozes & Furiosos” estreou em 22 de junho de 2001 nos EUA, e em 28 de setembro do mesmo ano no Brasil (Foto: Divulgação).

Com direção de Rob Cohen, “Velozes & Furiosos” conta a história de Brian O’Conner (Paul Walker), policial de Los Angeles que se infiltra num grupo que organiza e participa de rachas e outras corridas ilegais para investigar uma série de roubos de cargas. Uma vez infiltrado, Brian conhece Dom Toretto, espécie de líder, com quem inicia uma relação de amizade. Paralelamente a isso, Brian se apaixona por Mia (Jordana Brewster), irmã mais nova de Toretto.

 

Com cenas de ação executadas com esmero, “Velozes & Furiosos” tem como grande trunfo o fato de ter conquistado uma fatia importante do público, a feminina. Isto se deve não à beleza de Paul Walker, mas ao enredo sobre lealdade e a descoberta, por parte de Brian, do significado de família, algo enraizado nas relações de Dom com seus amigos / comparsas.

 

O sucesso absoluto de “Velozes & Furiosos” transformou Vin Diesel e Paul Walker em astros do primeiro time de Hollywood e possibilitou a criação de uma franquia que rendeu outros 10 filmes, contando com o spin-off “Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw” (Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw – 2019), de David Leitch – “Velozes & Furiosos 10” (Fast & Furious 10) já está confirmado pelo estúdio, mas ainda não tem previsão de lançamento nem nenhum detalhe divulgado. A parceria da dupla ultrapassou a tela grande e os sets, pois Diesel e Walker se tratavam como irmãos, corroborando o sentimento de família transmitido pelos longas. A comunhão de todo o elenco o tornou a família celebrada por Toretto na franquia, o que dificultou ainda mais o processo de luto após a morte de Walker num acidente de carro em novembro de 2013, durante recesso das filmagens de “Velozes & Furiosos 7” (Fast & Furious 7 – 2015), de James Wan.

 

Tanto a tragédia que vitimou Paul Walker quanto sua trajetória profissional, inclusive a entrada para “Velozes & Furiosos”, são mostradas em “Meu Nome é Paul Walker” (I Am Paul Walker – 2018), de Adrian Buitenhuis. Disponível na Globoplay, o documentário conta com depoimentos de familiares, Rob Cohen e Tyrese Gibson, responsável por um dos personagens mais carismáticos da franquia “Velozes & Furiosos”, Roman.

Comentários

 




    gl