Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

Mickey Mouse comemora 90 anos

Lançado em 18 de novembro de 1928, “O Vapor Willie” marca o nascimento do Mickey e da animação sonorizada (Foto: Divulgação).

Camundongo mais famoso e adorado do planeta Terra, Mickey Mouse comemora oficialmente neste domingo, dia 18, seu 90o aniversário. A data escolhida por seu criador, Walt Disney, como nascimento do personagem foi a do lançamento do curta-metragem, “O Vapor Willie” (Steamboat Willie – 1928), dirigido por ele e Ub Iwerks.

 

Walt Disney criou Mickey durante uma viagem de trem de Chicago a Los Angeles, digerindo a perda de Oswald (Foto: Divulgação).

Criado como substituto de Oswald, o Coelho Sortudo após Walt Disney perder os direitos autorais do personagem para a Universal Studios, Mickey estreou de fato em outro curta, “O Avião do Mickey” (Plane Crazy – 1928), lançado em 15 de maio de 1928 e seguido de “The Gallopin’ Gaucho” (Idem – 1928), em 07 de agosto do mesmo ano. À época, a indústria cinematográfica vivia um momento de transição causado pelo advento do som e da fala. Preocupado com as inovações tecnológicas e seu impacto sobre as produções mudas, Disney decidiu adiar o lançamento de “O Vapor Willie” para novembro para que pudesse ter tempo suficiente para fazer as modificações desejadas e transformá-lo na primeira animação sonorizada da História do cinema.

 

A estratégia de Walt Disney deu certo, e fez do camundongo o principal rival do Gato Félix, personagem criado por Otto Messmer em 1919. Não apenas isto, Mickey Mouse revolucionou o cinema e se tornou uma de suas grandes estrelas, rendendo a Walt Disney um Oscar honorário pela sua criação. A estatueta foi entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Academy of Motion Picture Arts and Sciences – AMPAS) em 1932, mesmo ano em que Walt venceu outro Golden Boy, o de melhor curta animado por “Flores e Árvores” (Flowers and Trees – 1932).

 

Ícone da cultura americana, o ratinho outrora franzino e debochado que apanhou de Minnie após roubar-lhe um beijo a bordo de seu avião, ganhou traços diferentes no decorrer dos anos, popularizando-se como um personagem rechonchudo e politicamente correto que delegou a responsabilidade do humor aos seus coadjuvantes, criados nos anos seguintes – Pluto, Pato Donald, Pateta, entre outros.

 

O lado politicamente correto de Mickey foi desenvolvido de acordo com o contexto histórico dos anos seguintes, inclusive retratando o cenário de recessão econômica causado pela Quebra da Bolsa de Nova York em 1929. Mesmo com os Estados Unidos, e outros países, em situação caótica, a empresa conseguiu se estabelecer em Hollywood, sobretudo pela ousadia de Walt, que, com a carreira consolidada graças ao sucesso do camundongo, arriscou tudo o que tinha para produzir “Branca de Neve e os Sete Anões” (Snow White and the Seven Dwarfs – 1937), que lhe rendeu outro Oscar honorário, mas diferente: uma estatueta grande ao lado de sete menores, representando os anões.

 

“Fantasia” é um dos maiores clássicos do cinema de animação (Foto: Divulgação).

 

Produzido durante a Era de Ouro de Hollywood, período constituído pelas décadas de 1930 e 1940, “Branca de Neve e os Sete Anões” se tornou o primeiro clássico animado, o que possibilitou o desenvolvimento de outros projetos dos estúdios Disney, principalmente “Fantasia” (Idem – 1940), protagonizado por sua maior estrela: Mickey. Apesar de não ter obtido o reconhecimento almejado pela equipe em termos de crítica e bilheteria à época, o longa apresentou o personagem em cores vivas e com traços mais rebuscados, sendo considerado, posteriormente, um dos mais importantes do gênero da animação.

 

Nesta época, a Walt Disney Studios funcionava a todo vapor, mas a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) obrigou a comunidade hollywoodiana a se posicionar em relação ao conflito. Com isso, muitos longas foram produzidos em prol do esforço de guerra. E na Disney não foi diferente. O estúdio produziu não apenas filmes, como também publicidade e produtos como máscara de gás com o rosto do Mickey e insígnias militares com estampa do Pato Donald, o que obrigou a empresa a funcionar com proteção militar que incluía até bateria antiaérea.

 

Enquanto Mickey e sua turma “trabalhavam” em prol dos soldados americanos, o estúdio começava a enfrentar problemas financeiros, pois o mercado europeu não era uma fonte rentável naquele momento. Desta forma, Walt Disney desembarcou no Brasil na chamada política de boa vizinhança, que transformou a América Latina num mercado em potencial. A visita de Disney rendeu dois filmes, o curta “Alô, Amigos” (Saludos Amigos – 1942) e o longa “Você Já Foi à Bahia?” (The Three Caballeros – 1944), ambos com o papagaio Zé Carioca, criado em homenagem ao nosso país.

 

Financeiramente recuperado, Walt Disney começou a tirar do papel seu maior sonho, a criação dos parques temáticos da Disney – o primeiro foi a Disneyland, em Anaheim (Califórnia), em 1955. E Mickey Mouse assumiu um papel fundamental na nova empreitada: o de mestre de cerimônias. A concretização do mundo mágico fez do camundongo o rosto mais importante da empresa, pois ainda hoje arrasta multidões para as diversas atrações dos parques, colocando os visitantes em filas demoradas para uma simples foto ao seu lado.

 

“A Casa do Mickey” é um dos programas favoritos das crianças (Foto: Divulgação).

Encantando gerações há 90 anos, o Mickey assumiu papel educativo, sobretudo na série televisiva “A Casa do Mickey” (Mickey Mouse Clubhouse – desde 2006), pois estimula os baixinhos apresentando-os a letras, números e objetos. Com isso, acaba facilitando o processo de aprendizagem na infância, inclusive por chegar às prateleiras em forma de brinquedos e livros. É uma série muito popular entre as crianças e que tem a aprovação dos adultos.

 

Atualmente, o personagem também estrela uma série do Disney Channel: “Mickey Mouse” (Idem – desde 2013). Composta por curtas-metragens, a série soa como homenagem ao Mickey de 1928 no que tange aos seus traços e ao humor, fazendo imenso sucesso no canal oficial do Disney Channel no YouTube.

 

Mais do que um personagem, Mickey Mouse é o embrião e o representante do império Disney, pois sem ele o estúdio não teria se transformado no maior conglomerado de mídia do mundo. Atual proprietária da Pixar, LucasFilm (e suas subsidiárias) e da Marvel Entertainment, a Disney se prepara para assumir os estúdios de cinema e televisão da Fox, além de seus canais por assinatura e 30% do Hulu, adquiridos em julho deste ano por US$ 71,3 bilhões. Neste ponto, vale destacar duas frases de Walt Disney: “Nós não fazemos filmes para fazer dinheiro, nós fazemos dinheiro para fazer mais filmes” e “Nunca podemos esquecer que tudo começou com um rato”. E não com um rato qualquer, mas a adaptação de um coelho que dominou o universo. Vida longa ao Mickey!

 

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Confira uma galeria de fotos oficiais do Mickey:

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