Claudio Francioni. Foto: Nicolas Renato Photography

Claudio Francioni

Carioca, apaixonado por música. Em relação ao assunto, estuda, pesquisa e bisbilhota tudo que está ao seu alcance. Foi professor da Oficina de Ritmos do Núcleo de Cultura Popular da UERJ, diretor de bateria e é músico amador, já tendo participado de diversas bandas tocando contrabaixo, percussão ou cantando.

Crítica: terceira noite do Rock in Rio

Foi-se a primeira semana. Três dias castigados pelo frio e pela chuva, mas também marcados por alguns bons momentos. E no domingo a maioria dos pontos altos foi protagonizada pelas mulheres. Iza / Alcione, Jessie J e Ivete tomaram conta da parada toda.

A baiana é tiro certo. Abriu mais uma vez o Palco Mundo com uma superprodução que não deixa nada a dever aos grandes espetáculos estrangeiros, a começar pela abertura tocando bateria (um pouco tensa, ok) em uma estrutura que a levava para o alto.

Iza arrebentou. Depois de sua participação no show de Cee Lo Green em 2017, a cantora subiu de patamar e também trouxe uma produção gigantesca para o Sunset. Bailarinos, coral, cenário…aposta certa para o Mundo em 2021. “Maria Maria” com um coral de 16 mulheres e o duo com Alcione em “Não Deixe o Samba Morrer” e “Chain of Fools”, de Aretha Franklin, vão entrar para a galeria de grandes momentos do Rock in Rio.

A britânica Jessie J também fez um belo show no encerramento do segundo palco. Bela voz, bela banda, incluindo o monstruoso guitarrista brasileiro Mateus Asato, e algumas canções interessantes. Menção honrosa para o show de Elza Soares, apesar de toda a dificuldade que envolve a sua idade. A mistura de música eletrônica com samba e outros gêneros deu uma cansada, mas Elza merece toda a reverência!

No Mundo, o Goo Goo Dolls foi mais uma daquelas atrações que te dão uma hora pra passear, comer, ir ao banheiro e voltar na última música pra ouvir o único sucesso. A atração seguinte foi “o seguinte!” Dave Matthews fez um show espetacular. Música. Muita música! Muitos músicos sobre o palco e cada um melhor que o outro. Arranjos, solos, repertório, que momento memorável! Musicalmente muito acima de tudo que já passou até agora. Ainda me presenteou com “Sledgehammer” e um mash up de “Back in Black” com “Stayin’ Alive”. Coisa de gênio. Uma pena que DMB não seja uma música pra muitos nesse país.

Para muitos é Bon Jovi. Encheu a cidade do rock, marcou época, mas sua voz ficou lá atrás. A desculpa da idade é uma chacota. Jon tem apenas 57 anos, bem mais novo do que muito cantor que mantém a voz inteira. Ele simplesmente não consegue mais cantar. Na hora do “two, three, four” em “Born to be my Baby” parecia que estava recitando um poema. A limitação acaba tirando um pouco da potência de algumas canções que precisam ter seus tons abaixados.

Duante o show, me lembrei de uma história que ronda o mundo da música. Conta a lenda que o saudoso baixista Arthur Maia certa vez teria posto um substituto para fazer seu próprio show solo! O mesmo desmentiu o fato às gargalhadas no programa “Um Café lá em Casa”, do excelente canal de Nelson Faria no Youtube. Mas juro que imaginei Jon Bon Jovi convidando alguém pra cantar seu lugar.

O que segura o show é a quantidade de sucessos e o inabalável carisma de Jon. Mas já deu, né Medina? Sem essa de chamar pra 2021 de novo, ok?

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