Carnaval/RJ

São Clemente, Mangueira e Portela mostram figurinos fortes em ensaios técnicos

Ensaios técnicos 2019. Fotos: Leo Cordeiro / Ricardo Almeida / Justin Scott Parr

Ensaios técnicos 2019. Fotos: Leo Cordeiro / Ricardo Almeida / Justin Scott Parr

Os ensaios técnicos estão a todo vapor na Marquês de Sapucaí e assumimos um papel muito importante este ano, que é o de comentar, expor, evidenciar e valorizar os figurinos de moda e seus profissionais no Carnaval e começamos este trabalho, já nos ensaios técnicos. Na noite do último domingo, dia 17 de fevereiro, tivemos a presença marcante de grandes pancadas de chuva que tinham tudo para tornar a festa um grande fracasso, mas foi inversamente proporcional. A noite transformou agremiações em verdadeiros furacões na Avenida. São Clemente, Mangueira e Portela fizeram da chuva a sua grande aliada!

Os figurinos, que muitas vezes deixamos passar, foram fortes em suas concepções, com ligação direta na construção da imagem, apresentada através de seus enredos e componentes. Pude conversar com todos, um por um. Cada um tinha uma história particular e de grande impacto social, étnico e histórico na idealização de seu figurino. Em sua maioria, destacaram em seus depoimentos que carregam em suas roupas, mais do que pedras, penas e tecido. Quando falamos de moda Carnaval, depositam em suas roupas a fé e a longevidade de seus trabalhos, na esperança de que pessoas assistam, entendam, respeitem e pluralizem o samba como uma forma de expressão cultural, de imenso valor para a coletividade do indivíduo e da sociedade brasileira.

As imagens não nos deixam mentir, foi uma noite especial e de figurinos únicos!

São Clemente

Com o enredo “E o samba sambou” a São Clemente vai reeditar o samba de 1990 e pretende arrancar do público muita emoção na Sapucaí. No primeiro setor, vou destacar o figurino da Comissão de Frente, do experiente coreógrafo Junior Scapin. As bailarinas estavam caracterizadas de Marilyn Monroe e os bailarinos com figurinos pretos, com composição de gravatas borboletas amarelas e leques. Os figurinos e perucas foram cedidos pelo Centro de Dança Rio e causaram um grande impacto visual que levantou o público.

Vamos destacar o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Fabricio Pires (vestindo Alex Cunha) e Giovanna Justo (vestindo Whilliam Perez). Ele em um terno preto clássico, sóbrio, sem muita extravagância, mas deixando o mestre-sala ainda mais imponente. Ela em um vestido no Pantone Limelight, na paleta amarela, apresentando um figurino de pedrarias delicadas na parte superior da roupa, com aplicações de rosas amarelas, no mesmo tom do tecido, que valorizou o resultado final, mantendo-o harmonioso. Juntos, o casal apresentava as cores do pavilhão da escola.

Ainda no primeiro setor, podemos destacar a musa Letícia Guimarães (vestindo Atelier Styllus) com um figurino muito especial. Letícia prestou uma homenagem à eterna garota do ‘Fantástico’, a atriz Isadora Ribeiro. “Já que em uma passagem do samba fala-se do ‘Fantástico’, resolvi, dentre tantas mulheres maravilhosas que foram garotas do ‘Fantástico’, escolher a Isadora para representar”, declara Letícia.

O terceiro figurino que vamos destacar será o da rainha de bateria da escola Raphaela Gomes (vestindo Atelier Lu Santos). Também no Pantone Limelight e recortes dourados, o figurino apresentou um trabalho expressivo de pedrarias na parte superior, com decote em segunda pele na parte frontal, bordados de canutilho na parte inferior, formando uma franja em quatro camadas. Braços também em segunda pele, finalizado com punhos dourados. O figurino deixou Raphaela à vontade e o canutilho possibilitou movimentos ainda mais expressivos.

Para fechar, vamos destacar o figurino da musa Duda Almeida (vestindo Costureira Silvinha), que estava nas cores do pavilhão da escola (amarelo e preto). Ele era composto de um tecido de paetês, que mostrou simplicidade e realçou a beleza de Duda, que nos remeteu aos Carnavais antigos, quando os paetês e as lantejoulas eram os grandes protagonistas da cena carnavalesca.

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Mangueira

A Mangueira apresenta para o Carnaval 2019 o enredo “História pra ninar gente grande”, que propõe ao público repensar, de maneira consciente, narrativas que nos foram contadas ao longo de muitas gerações. Logo no início da escola, nos deparamos mais uma vez com imagens fortes, bonitas e vigorosas de uma comunidade viva, alegre e de pé no chão.

Vamos destacar o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Olivério (vestindo Sr. Benício) e Squel Jorgea (vestindo Guilherme Alves). Ele vestia um terno no Pantone Lime Punch, na paleta verde, com um corte tradicional e uma modelagem mais ampla, que possibilitou ao mestre-sala liberdade para mostrar sua dança. Ela em um figurino composto em sua parte superior de segunda pele, com bordado de cristais nos seios e acabamentos em búzios; na parte inferior, a roupa, que obedeceu ao Pantone Toasted Almond, na paleta rosa claro, apresentava uma saia leve trazendo um ar sofisticado e com bons acabamentos. O figurino ainda contou com um adereço dourado que valorizava a sua parte frontal, compondo gola e ombros, além da cabeça em cristais e búzios, que culminou em um lindo resultado no trabalho da estética africana que era a proposta. “Eu quis me apresentar com uma temática africana para representar a luta do povo negro que veio escravizado e que tanto lutou por sua ‘liberdade’, luta essa que encontra-se presente no enredo da Mangueira”, declara Squel.

Logo em seguida, vamos destacar o figurino do segundo mestre-sala, Renan Oliveira (vestindo Edgar Barros e calça Ateliê By Izaquis). Renan vestia um terno 100% de linho no Pantone Maglia, na paleta rosa, na linha Slim Fit, trazendo cortes mais modernos em sua confecção. O mestre-sala relata que usa rosa, sim, e que é sua cor favorita. “Tenho dois motivos para ter o rosa como minha cor favorita. Primeiro, que é a cor favorita da minha filha, e segundo, que é a cor da minha escola e uso com orgulho”.

Como uma das cenas mais fortes no ensaio técnico da Estação Primeira de Mangueira, vimos o figurino da rainha de bateria, Evelyn Bastos (vestindo Mada Silva e Ruan Morelli). Evelyn, que está acostumada a se apresentar com figurinos sensuais e ousados, apostou em um figurino que homenageou a escrava Anastácia, uma personalidade religiosa de devoção popular brasileira e trás aos olhos do público que Anastácia não pode ser esquecida. O figurino apresentava correntes douradas e muitos búzios, além de carregar em seu rosto uma máscara, que simbolizava a mascara de ferro que a escrava carregava em seu rosto.

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Portela

Com o enredo ‘Na Madureira moderníssima, hei sempre de ouvir cantar uma Sabiá’, a Portela irá homenagear a queridíssima cantora Clara Nunes.

No primeiro setor da escola, podemos destacar o figurino da primeira porta-bandeira Lucinha Nobre (vestindo Whilliam Perez), que apresentou um figurino em cristais na parte superior e uma saia de filó e tule branco. O figurino foi de grande impacto visual, sofisticado e com um acabamento primoroso.

No segundo momento da escola, vamos destacar o terceiro mestre-sala, Emanuel Lima (vestindo Edgar Barros), que apresentou um terno todo em branco e uma gravata borboleta, propondo uma percepção monocromática, clara e límpida na Avenida.

Um dos figurinos mais esperados foi o da rainha da bateria Bianca Monteiro (vestindo Traje a Rigor Ateliê e gargantilha Sandro). Bianca apresentou um figurino todo no Pantone Nebulas Blue, na paleta azul Royal, construído em um macaquinho de lycra, com decote em segunda pele da parte frontal do figurino, com cristais, pedrarias e aplicações de franjas em canutilho, que proporcionaram ainda mais volume no seu samba. Além disso, a rainha se apresentou com uma coroa também na mesma paleta azul Royal, toda em cristais, que deu um toque ainda mais grandioso à roupa que estava impecável.

O quarto figurino que vamos destacar é o da musa Shayene Cezário (vestindo Michel Marssola). Shayene vestia um figurino inspirado nos símbolos maiores da escola. A roupa, predominantemente em segunda pele, era rica em cristais, pedrarias finas e aplicações de canutilhos cristais e azuis. Segundo Michel, na parte da frente, cada uma das três estrelas tinha uma representação. Uma delas Paulo da Portela, a segunda Candeia, a terceira Natal e a do ombro representava Clara Nunes e todos os seus balagandãs (razão para os babados apresentados no ombro esquerdo da musa), o figurino estava perfeito.

O último figurino que iremos comentar, mas de uma grande simbologia para os portelenses e razão maior do enredo da escola, Clara Nunes. Representada por Thamires Mattos (vestindo Norimar Santos) passista da agremiação de Madureira e representante de uma das alas de passistas mais respeitadas do Carnaval carioca, Thamirão (como é chamado pelos amigos e admiradores) apresentou um figurino sem nenhuma pedraria, todo em renda e que, em sua composição característica, apresentou muitos colares, pulseiras, tornozeleiras e um arco de flores e conchas.

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Vamos para mais um final de semana de muitos ensaios e muitas surpresas!

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