Carnaval/RJ

Carnaval: A cultura que alguns não enxergam

Evento na Faetec. Foto: Felipe Correa

Considerado a maior festa popular do país, o Carnaval alcança pessoas de norte ao sul do Brasil com um espetáculo de cores e ritmos. E para debater o tema, a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), órgão vinculado à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), promoveu na última quarta-feira, 12 de fevereiro, no Campus Quintino, o Seminário “Cultura que Transforma Vidas – Histórias, Bastidores e a Economia Criativa do Carnaval”.

A abertura do evento foi realizada pelo presidente da Faetec, Romulo Massacesi, que é um entusiasta do mundo do samba. “É uma honra para a instituição promover um debate sobre o maior evento cultural do Brasil e um dos maiores do mundo, tendo como debatedores figuras de importante relevância no mundo do Carnaval. A Faetec tem uma grande preocupação em promover pautas culturais aos alunos, e com certeza vocês sairão daqui abastecidos de conhecimento”, avaliou o presidente.

Ao longo do dia, mesas de debates discutiram pontos como a história das agremiações e do surgimento dos blocos de rua e mega blocos; o cunho social das escolas de samba na vida da comunidade; a geração de emprego e renda como fonte de fomento à economia da cidade. Entre os convidados participantes estavam a idealizadora do Museu do Samba, Nilcemar Nogueira; o pesquisador Fábio Fabato; a pesquisadora, carnavalesca e professora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Maria Augusta Rodrigues; o pesquisador e jornalista, Aloy Jupiara; a jornalista e comentarista de Carnaval, Flávia Oliveira; o professor da associação Educafro, Renato Ferreira; o carnavalesco e artista plástico, Wagner Gonçalves; a pesquisadora Rachel Valença; o jornalista Marcelo de Mello; o jornalista e comentarista de Carnaval, Aydano André Motta; o produtor cultural Haroldo Costa; a escritora e historiadora, Helena Theodoro; o historiador e escritor, Luiz Antônio Simas; e o diretor da Escola de Teatro Martins Pena, Marcelo Reis.

Evento na Faetec. Foto: Felipe Correa

A idealizadora do seminário e primeira porta-bandeira da agremiação Beija-Flor de Nilópolis, Selminha Sorriso, que também é servidora do Estado, enalteceu a importância do Carnaval como agente transformador na vida das pessoas. “O Carnaval vai muito além de uma grande festa dos quatros dias. Ele tem o poder de transformar a vida das pessoas, dando condições de estudo e trabalho, movimentando a economia no nosso estado e país. Devo tudo o que sou ao mundo do samba”, pontuou Selminha Sorriso.

O carnavalesco Gebran Smera, um dos organizadores do Seminário, comentou sobre a oportunidade no mercado de trabalho dentro do Carnaval. “Pensamos nesse seminário para aproximar principalmente vocês que são jovens ao mundo do carnaval. Muitas pessoas não sabem, mas o carnaval começa a ser pensado já no dia seguinte após o desfile na Sapucaí e existe um leque de oportunidades dentro do mercado de trabalho do carnaval”, avaliou o carnavalesco.

Selminha Sorriso. Foto: Felipe Correa

Marcelle Rodrigues, estudante do curso de Moda da Escola Técnica Estadual República, participou do evento e comentou sobre a importância em se discutir o papel do Carnaval para os jovens. “O evento ainda é marginalizado e visto por alguns como algo relacionado à bagunça e vulgaridade. O Carnaval é fruto da nossa cultura e é muito importante que os jovens participem desses eventos, porque precisamos valorizar o que é nosso. O Carnaval é muito grandioso e gera renda para todas as classes”, pontuou a jovem.

O encerramento do Seminário contou com a animada apresentação da escola de samba dos alunos da Favo de Mel, única escola pública do país dedicada exclusivamente para pessoas com deficiência intelectual formação e inclusão para o mercado de trabalho. Desde o ano passado, Selminha Sorriso ministra aulas de samba e de mestre-sala e porta-bandeira para os alunos da unidade.

Devemos sempre debater os novos rumos dessa economia e desta festa que precisa voltar a ser popular e algo tão importante para nossa cultura.

Evento na Faetec. Foto: Felipe Correa

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