Eduardo Ritschel. Foto: Divulgação

Eduardo Ritschel

Formado em Jornalismo e Administração de Empresas, atua há mais de 25 anos como consultor de comunicação para empresas em diversos segmentos, com destaque para as áreas de Educação e Saúde.

Letramento digital: a educação fora da zona de conforto

O letramento digital traz plataformas capazes de desenvolver a criatividade, trabalho em equipe, resolução de problemas e desenvolvimento sócio emocional.

ARTIGO DE DARCY FURQUIM*

Não é uma coincidência que o melhor professor do mundo, o queniano Peter Tabichi tenha conseguido levar o “Oscar da Educação”, o Global Teacher Prize (ler Professor queniano vence o ‘Nobel da Educação’ – brasileira é TOP 10), usando a tecnologia. Ele não utilizou sofisticados tablets ou computadores em sala de aula. Seus alunos não tinham uma aula específica de informática ou robótica.

Tabichi ensinou ciências usando o letramento digital. Os estudantes conseguiram vencer a Feira de Ciências do Quênia apresentando um dispositivo para ajudar cegos e surdos a medir objetos. Se é possível no Quênia, também é possível no Brasil. O desafio maior é convencer gestores das escolas públicas e particulares da necessidade do letramento digital para professores e estudantes.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que deverá ser implementada a todo o ensino fundamental, em todas as escolas a partir de 2020, é clara em relação à alfabetização digital. Das 10 competências gerais da BNCC, duas delas abrangem o uso da tecnologia pelos alunos de maneira direta e expressiva. Enquanto uma diz respeito ao digital como uma das linguagens a serem utilizadas, a outra foca totalmente no aprofundamento de seu uso com senso crítico.

Hoje o ensino brasileiro possui um foco maior na leitura e escrita, enquanto há outras maneiras mais dinâmicas e próximas do dia a dia que podemos usar. O letramento digital traz plataformas capazes de desenvolver a criatividade, trabalho em equipe, resolução de problemas e desenvolvimento sócio emocional dentre outras.

Vale ressaltar, como o documento deixa claro, que o uso do letramento digital não vem para substituir por completo a forma de se comunicar dos alunos. Mas sim para que eles encontrem uma maneira de absorver e sintetizar o conhecimento por diferentes linguagens e com o propósito de vê-las atuando na solução de problemas.

Assim como fez o queniano e também a professora brasileira Débora Garófalo, que desenvolveu projetos de robótica com seus alunos a partir do lixo, é preciso sim começar o letramento pelos professores, para que estes vejam propósito e estímulo no desenvolvimento de soluções para problemas cotidianos.

O enfrentamento dos desafios globais que pode começar na própria sala de aula. Uma das propostas é levar os principais temas de discussão hoje na Organização das Nações Unidas (ONU) para dentro da sala de aula.

Por meio da produção de um game, cujo desafio pode ser diminuir a obesidade infantil dentro da escola, é possível aprender matemática (matriz, programação), português (storytelling), história (alimentação ao longo dos séculos), geografia (países e populações com hábitos saudáveis), e quantas outras disciplinas forem necessárias.

O letramento digital é a forma mais eficaz de interdisciplinaridade. Assar um bolo e dividi-lo entre os alunos para ensinar frações é coisa do passado.

Se de um lado os alunos querem desenvolver soluções com propósitos, projetos que mudem o mundo e a sua comunidade, do outro um dos grandes desafios da educação particular no Brasil é a captação de alunos e a retenção deles. O letramento digital será a intersecção desses dois mundos. Quem estiver de fora ficará fadado ao esquecimento.

* Especialista em Tecnologia e Pedagogia Aplicada à Educação; consultor da Happy Code, uma das maiores plataformas de educação digital do país

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