Claudio Nogueira. Foto: Acervo pessoal

Claudio Nogueira

Foi jornalista do Globo de 1987 a 2016, e do Sportv, entre 2016 e fevereiro de 2018. Cobriu as Olimpíadas de 2004, 2008, 2012 e 2016; a Copa das Confederações de 2013; a Copa do Mundo de 2014, cinco Jogos Pan-Americanos e Mundiais de Basquete, em 2002 e 2006; Futsal, em 2008; Handebol, em 2015; GPs de F-1, F-Indy e do Mundial de Motovelocidade. É autor de alguns livros e e-books, como: “Futebol Brasil Memória”; "Brasil de 20 Copas"; "Legiões de Paixão - grandes clubes do Brasil e do mundo".

Há 60 anos, o Supersuper Vasco

Time do Vasco de 1958. Foto: Reprodução/Internet

“A turma é boa, é mesmo da fuzarca”, e há 60 anos, no dia 17 de janeiro de 1959, perante um Maracanã abarrotado por mais de 130 mil torcedores, deu ao Vasco da Gama um dos mais importantes troféus de sua história, levando para São Januário o inigualável título de Supersupercampeão carioca. Na realidade, embora o confronto decisivo, 1 a 1 com o Flamengo, tenha ocorrido já em 1959, a competição era válida pela temporada de 1958. Foi o Ano de Ouro, assim denominado pela imprensa pelo fato de o Brasil ter ganho pela primeira vez a Copa do Mundo, na Suécia.

O Campeonato Carioca de 1958 foi mesmo sui generis. Na época, a competição era por pontos corridos, e não por turnos, como agora. Simplesmente, o time que somasse mais pontos ao fim de dois turnos, era o campeão. O campeonato havia começado em julho, pouco depois da Copa do Mundo, encerrada no fim de junho, e prosseguiu até dezembro. Ao fim de 22 rodadas, Vasco, Flamengo e Botafogo terminaram rigorosamente empatados com 32 pontos, com 14 vitórias, quatro empates e quatro derrotas (as vitórias valiam dois pontos, e o empate, um). No turno extra, o supercampeonato, iniciado a 20 de dezembro, os vascaínos derrotaram os rubro-negros por 2 a 0, mas acabaram perdendo para os alvinegros por 1 a 0, já no dia 3 de janeiro de 1959. Como o Flamengo havia ganho do Botafogo por 2 a 1, dias antes, a 27 de dezembro, houve nova igualdade entre os três, o que ocasionou um novo turno extra, chamado de supersupercampeonato, disputa ocorrida apenas uma vez em toda a história deste esporte no Rio.

Na primeira rodada, o Vasco derrotou o Botafogo por 2 a 1, no dia 10 de janeiro. Na segunda, no dia 14, alvinegros e rubro-negros empataram em 2 a 2. Na grande final, no sábado, 17 de janeiro, o Vasco entrou em campo dependendo apenas do empate. Assinalou 1 a 0 por meio de Roberto Pinto, aos 13 do segundo tempo. O Flamengo igualou com Babá, aos 25. Pressionou em busca do triunfo, mas os vascaínos asseguraram o resultado e o título.

O ano de 1958 foi mesmo fantástico para o clube de São Januário que no mês de abril havia assegurado pela primeira vez o Torneio Rio-São Paulo, à época a competição mais importante do futebol verde-amarelo. A conquista da Copa do Mundo de 1958 pelo scratch – como a imprensa chamava a seleção àquele tempo – valorizou ainda mais a conquista vascaína. Para que se tenha uma ideia, dentre os 22 atletas da equipe nacional, 12 atuavam em equipes cariocas: Bellini, Orlando Peçanha e Vavá (do supersupercampeão Vasco); Zagalo, Moacir, Joel e Dida (Flamengo); Nilton Santos, Didi e Garrincha (Botafogo); Castilho (Fluminense); e Zózimo (Bangu).

Tamanha representatividade dos clubes do Rio na seleção brasileira serve para mostrar, em âmbito nacional, o poderio do futebol da então Capital Federal – cujos clubes provocavam paixão em todo o país, em especial no Norte e Nordeste – e o quanto repercutiu para os fãs deste esporte o feito realizado pelo Vasco da Gama, que em 1958 celebrava seus 60 anos de fundação. Uma das maiores glórias da “turma boa, que é mesmo da fuzarca”.

Vasco 1 x 1 Flamengo

Data: 17/01/1959

Local: Maracanã

Público: 130.832 pagantes

Renda: Cr$ 5.621.768,00

Árbitro: Eunápio de Queiróz

Gols: Roberto Pinto-Vasco, aos 13; Babá-Flamengo, aos 24, ambos no segundo tempo.

Vasco: Miguel, Paulinho, Bellini, Orlando e Coronel; Écio e Valdemar; Sabará, Almir, Roberto Pinto e Pinga. O técnico era Francisco de Souza Ferreira (Gradim).

Flamengo: Fernando, Joubert, Pavão, Jadir e Jordan; Dequinha e Moacir; Luiz Carlos, Henrique, Dida e Babá. O técnico era Fleitas Solich.

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