Claudio Nogueira. Foto: Acervo pessoal

Claudio Nogueira

Foi jornalista do Globo de 1987 a 2016, e do Sportv, entre 2016 e fevereiro de 2018. Cobriu as Olimpíadas de 2004, 2008, 2012 e 2016; a Copa das Confederações de 2013; a Copa do Mundo de 2014, cinco Jogos Pan-Americanos e Mundiais de Basquete, em 2002 e 2006; Futsal, em 2008; Handebol, em 2015; GPs de F-1, F-Indy e do Mundial de Motovelocidade. É autor de alguns livros e e-books, como: “Futebol Brasil Memória”; "Brasil de 20 Copas"; "Legiões de Paixão - grandes clubes do Brasil e do mundo".

A celebração do Super Bowl 53

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uem gosta já está esfregando as mãos. Mãos, que, por sinal, são partes do corpo muito utilizadas embora o nome da modalidade seja futebol (isto é, o jogo da bola com os pés) americano. É que neste domingo, dia 3 de fevereiro, a partir das 21h de Brasília, perante 71 mil pessoas, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, será celebrada a 53a edição do Super Bowl, a decisão do campeonato da NFL (National Football League, a liga mais importante do mundo no futebol americano), com um aguardado duelo entre o New England Patriots e o Los Angeles Rams.

Usar o verbo “celebrar” não está errado neste caso. Muito mais que uma decisão do troféu Vince Lombardi ou um evento esportivo, por maior que seja, o Super Bowl é uma celebração da americanidade, isto é, representa uma exaltação de valores típicos dos Estados Unidos, como: trabalho duro; empenho; dedicação a tudo que se faça, seja o estudo ou o trabalho; disciplina; patriotismo; fé; trabalho organizado e resultado; especialização de tarefas; show business; heroísmo e glorificação, entre outros. Quem tem a oportunidade de assistir a um Super Bowl, ainda que pela TV, começa a entender um pouco do que é ser americano e a conhecer quais os valores que a maior potência econômico-militar do planeta exporta ao restante do mundo. Sim, porque uma edição do Super Bowl é transmitido pela TV e pela internet para centenas de países, incluindo o Brasil, e narrado em dezenas de idiomas.

Tradicionalmente, nos Estados Unidos, os maiores públicos de TV, ano após ano, são registrados no megaevento. Verdade que o público de TV em 2018, segundo o Nielsen Institute (que mede a audiência televisiva naquele país) esteve na casa dos 103,6 milhões, o menor desde 2009. Mas, de qualquer forma, historicamente, nos dez maiores públicos da TV americana, nove foram Super Bowls. Certamente por isso algumas das maiores empresas multinacionais do mundo se dispõem a pagar US$ 6 milhões (aproximadamente R$ 21,91 milhões) por um comercial de 30 segundos na TV americana, durante a transmissão, conforme os dados do ano passado.

A importância do Super Bowl é inegável, a ponto de este ser considerado o maior evento com duração de apenas um dia no mundo. Por isso, costuma-se dizer até que os EUA ficam totalmente parados em apenas três datas ao longo de um ano: na Independência, a 4 de julho; no Thanksgiving (Dia de Ação de Graças), na quarta quinta-feira de novembro; e no Super Domingo do Super Bowl. Trata-se de uma data de inúmeros recordes, como o de consumo de comida num só dia, superado apenas pelo Thanksgiving. Para a cidade-sede, escolhida antecipadamente, sem depender dos eventuais finalistas, a decisão da NFL é muito lucrativa. Em relação a edição deste ano, a Metro Atlanta Chamber (MAC), a Câmara de Comércio daquela região metropolitana, previu, de forma mais modesta, que o impacto econômico na região será de US$ 400 milhões (cerca de R$ 1.460,34 bilhão), graças às presenças de 1 milhão de visitantes.

O evento não se limita a ser grande apenas nos momentos em que os jogadores estão em ação e a bola oval está voando em pleno ar. Mas também durante o intervalo das mais de 3 horas de ação (toda a vez que a bola para, o cronômetro também é paralisado). Daí, a importância do show do intervalo, este ano a cargo do grupo Maroon 5, que terá como convidados o rapper Travis Scott e o artista local Big Boi, natural de Atlanta, que fica na Georgia, e foi sede das Olimpíadas de 1996. Antes da partida, num momento de patriotismo, o hino nacional será entoado pela “Imperatriz do Soul”, Gladys Knight, e a canção cívico-religiosa “America, the Beautiful”(América, a Bela), pela dupla Chloe and Halle Bailey, ambas naturais de Atlanta.

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Entretanto, é claro que nada disso estaria acontecendo se não fosse pelo jogo.  E a expectativa é por um grande confronto. Esta é a nona participação dos Patriots no Super Bowl desde 2002 e a 11a no total. A equipe do estado de Massachusetts já foi cinco vezes campeã do Super Bowl e se tornar a vencer, irá se igualar ao recordista e hexacampeão Pittsburgh Steelers. Seu maior astro é bem conhecido do público brasileiro, mesmo de quem não é tão ligado em esporte. Trata-se do quarterback (armador) Tom Brady, marido da top model brasileira Gisele Bundchen.

Do lado oposto do campo, estará o Rams, do estado da Califórnia. Seu quarterback, Jared Goff, terá a missão de liderar o grupo rumo à conquista de seu segundo troféu de Super Bowl. Em 2000, representando à época a cidade de Saint Louis, a franquia conquistou seu único troféu Vince Lombardi. Os Rams, na realidade, já representaram também Cleveland e Los Angeles, para onde retornaram antes do início da temporada de 2016.

Mas, afinal, o que é futebol americano? Mais popular entre os esportes dos EUA, este esporte consiste numa batalha estilizada, na qual sobram estratégias. Nele, o objetivo é ir conquistando espaços no território adversário, como se fosse um exército invadindo as defesas inimigas, até cruzar a linha de fundo (end zone) do time rival. Esta jogada se chama touchdown e vale 6 pontos. O time que faz o TD tem direito a tentar um extra point (1 ponto extra), e, para isso, manda a campo o kicker (chutador), que chuta a bola no gol em “Y”. Acertando, marca outro ponto. Outra hipótese é tentar chegar à end zone novamente, num mini-touchdown (2 pontos).

Para pontuar, há ainda o field goal (tiro de campo): se for difícil chegar à end zone, o kicker tenta o chute que vale 3 pontos. Já o safety é uma espécie de gol contra. Se o time que estiver na defesa derrubar o quarterback em sua própria end zone, assinala 2 pontos.

Como um general, o head coach (técnico principal) traça a estratégia, auxiliado por técnicos de defesa, ataque e special teams (times especiais, como os chutadores). É a especialização tipicamente americana. Dentro de campo, quarterbacks (lançadores ou armadores), como Brady, fazem lançamentos e passes. No jogo, uma equipe (11 jogadores) tenta invadir a linha de fundo (end zone) adversária com a bola, e a outra (também com 11) “só” se defende, noutra demonstração do trabalho especializado. No ataque, o quarterback ou QB dá passes longos para os wide receivers (ou WR, que recebem a bola na ponta) ou curtos para os running backs (RB), que são velozes e correm pelo meio.

No Brasil, esta modalidade vem crescendo na apreciação dos fãs e também na prática. No Rio, há times masculinos e femininos que disputam nas praias torneios da modalidade adaptada. Mas há também competições nas quais os jogadores importam dos EUA todo o kit de segurança usado na NFL, que inclui capacete e outras proteções. O site da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA) é: https://cbfabrasil.com.br/.

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