Carlos Fernando Cunha

Carlos Fernando Cunha

Carioca, morador de Juiz de Fora/MG há 15 anos. Ritmista, cantor e compositor com três CDs gravados. Pesquisador e Professor da UFJF.

Um show, baterias!

Ensaio técnico da Vila Isabel (10/02/19). Foto: SRzd

De longe, cá das Minas Gerais, mas com ouvidos e olhos atentos, pelo SRzd, assisti ao primeiro ensaio das escolas de samba do Rio de Janeiro na Passarela Darcy Ribeiro. Estiveram por lá neste último domingo, Unidos de Vila Isabel, Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca.

Em primeiro lugar, considero oportuna a realização dos ensaios técnicos, ainda que a decisão por fazê-los tenha sido tardia. É importante para as escolas e, mais do que isso, proporciona a ampliação da relação das mesmas com um público que em grande maioria não possui condições financeiras de frequentar o espetáculo nos dias oficiais.

O que mais chamou minha atenção, e não poderia ser diferente, ritmista que sou, está nas três baterias que impulsionaram as escolas. Um verdadeiro espetáculo rítmico ocorreu no Sambódromo na noite de ontem.

Começo pela bateria da Unidos da Tijuca que, sem dúvida, cada vez mais dificulta (ou facilita) as análises e avaliações. Temos ali um trabalho longo, organizado por Mestre Casagrande e seus diretores, cujo resultado é o completo êxito. A sonoridade da Pura Cadência está em acordo com seu apelido. Há um perfeito equilíbrio entre os diferentes naipes da bateria. Um relaxamento consciente na execução dos instrumentos. Afinação perfeita, mantida do início ao fim. Um som puro e limpo. Uma bateria que soa como uma voz. Merece destaque a ala de tamborins da Tijuca, organizada por Diogo Oliveira, o Curinga, um grupo coeso, técnico e preciso. E salve o grande Marcos Esguleba, figura ímpar!

A Mocidade Independente de Padre Miguel também apresentou uma bateria de altíssimo nível. O toque característico de suas caixas, único e de difícil execução, muito bem elaborado por todos os componentes do naipe. Tamborins com um desenho complexo, mas que serve ao samba e não duela com ele. Repiques com a levada gostosa de ouvir da Mocidade, muito bem tocados. Surdos bem afinados e com excelente execução. Enfim, mais um show da Não Existe Mais Quente. Parabéns, Mestre Dudu.

E, finalmente, vamos a Unidos de Vila Isabel e nossa Swingueira de Noel. Sim, nossa, pois escrevo agora sobre a escola que amo. Até por isso fui ácido algumas vezes em textos e análises anteriores. Mas vocês devem concordar comigo que a bateria da Vila também deu um espetáculo. O primeiro ano do Mestre Macaco Branco na direção do grupo não é mais uma promessa, pois se tornou concreto nos ensaios de rua no bairro de Noel e ontem na Sapucaí. Macaco conseguiu efetivar as características rítmicas tradicionais da Swingueira de Noel: a conversa suingada entre de caixa e tarol, a levada dos surdos de terceira conduzindo o ritmo, a afinação grave e pesada dos surdos de primeira. Destaco que a bateria da Vila Isabel, ao longo desses últimos meses, ainda conseguiu avançar em algumas questões, como no caso da chegada de Thalita e Thayane que fizeram muito bem às alas de tamborins e chocalhos. E cito também os repiques, cujo grupo, hoje, apresenta-se mais coeso e melhor tecnicamente do que em anos anteriores. Estão de parabéns os ritmistas da Swingueira e seus diretores: Mangueirinha, Cassiano, Cirilo, Pivete, Jorge Pedro, PV, Rafael, Alison, Mariozinho, Titinho, Ivo e Rômulo.

Que venham as próximas escolas e mais baterias que nos encham de alegria e prazer.

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