Bruno Moraes. Foto: Acervo pessoal

Bruno Moraes

Comentarista de bateria do SRzd e diretor do Troféu Bateria. Facebook: Bruno Moraes

Escola convida, bom para quem?

Bateria. Foto: Reprodução

Hoje virou moda entre as escolas de samba do Rio de Janeiro o “Convida”. Escola X convida a escola Y para uma noite de confraternização. A ideia do evento é fantástica, se não fosse quase toda semana em uma escola diferente.

Ritmistas, diretores e Mestres de bateria não gostam de ir a esses eventos, e quando digo que não gostam, não gostam mesmo. Muitas vezes não se reclama com a direção da escola por respeito à hierarquia.

Talvez para harmonia, diretoria, baianas, passistas e outros departamentos de uma escola de samba possa ser divertido, mas para Bateria não é! Bateria é o departamento de uma escola que mais ensaia, de 2 a três ensaios por semana em alguns períodos, é a maior ala de uma escola de samba, a primeira a entrar e a última a sair, seja no desfile ou na apresentação do “Convida”.

Outro fator que desmotiva é o destrato que as escolas possuem com ritmistas. Certa vez a Império Serrano convidou a Beija-Flor para apresentação em sua “Feijoada”. Adivinhem o que foi dado para a bateria comer? Macarrão com salsicha! Isso mesmo. Já houve casos em que a escola levou 15 ritmistas e a diretoria da outra falou em desrespeito por levar tão pouco ritmista. Alguns lugares ritmistas não podem levar acompanhante porque só pode entrar um certo número de pessoas na quadra. Absurdos atrás de absurdos.

Ritmistas, Diretores e Mestres de diversas escolas já possuem algumas regras de interação entre elas, muito antes dessa história de “Convida”. Sempre se houve um respeito entre as diversas baterias e quando um membro de uma escola visita outra escola sempre foi momento de confraternização. Nas finais de samba das agremiações se pratica muito essa confraternização entre a galera do ritmo. As Baterias possuem essa interatividade há muito tempo.

Quando se vê os ritmistas perfilados na Presidente Vargas aguardando a sirene, parece que foi fácil chegar até ali, mas é muito difícil e muito trabalho colocar uma bateria na rua. Administrar cerca de 300 pessoas, com culturas e classes sociais diferentes, ensaios, manutenção dos instrumentos e ainda ir a vários “Convidas” no ano, haja amor!

Um ótimo 2019 a todos do Ritmo, com muita paz, saúde, samba, amor, gentileza e otimismo!

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