Ana Carolina Garcia. Foto: SRzd

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Wonka’: sonho e obstinação

“Wonka” é protagonizado por Timothée Chalamet (Foto: Divulgação).

Celebrando o seu centenário, a Warner Bros. decidiu embarcar numa viagem no tempo para explorar a origem de um personagem excêntrico que protagonizou um filme cujo carinho passou de geração para geração: Willy Wonka (Timothée Chalamet). Produzido em parceria com a Heyday Films e a Village Roadshow Pictures, “Wonka” (Wonka – 2023, EUA / Reino Unido) mergulha no universo criado por Roald Dahl, autor do clássico “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (Charlie and the Chocolate Factory), publicado em 1964, para oferecer à plateia uma experiência agradável nas salas de exibição a partir desta quinta-feira (07).

 

Com direção de Paul King, de “As Aventuras de Paddington” (Paddington – 2014, Reino Unido / França / EUA / China) e “Paddington 2” (Paddington 2 – 2017, Reino Unido / França / China / Canadá / EUA), Wonka começa mostrando o jovem Willy nutrindo o antigo sonho de fabricar chocolates de alta qualidade em larga escala. Sem dinheiro suficiente para ocupar espaço de destaque entre as lojas dos grandes fabricantes na conceituada Galeria Gourmet, Willy planeja vender, inicialmente, seus produtos de maneira informal, mas se torna alvo do chefe de polícia subornado pelos empresários preocupados com o novo concorrente. Impedido de comercializar os chocolates, Willy conta com a ajuda de um grupo de amigos, especialmente da menina Noodle (Calah Lane), que, assim como ele, sonha com um futuro melhor.

 

Apresentando elementos que remetem à “Mary Poppins” (Mary Poppins – 1964, EUA), dirigido por Robert Stevenson para a Disney, “Wonka” mantém a essência do musical que o originou, “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (Willy Wonka & the Chocolate Factory – 1971, EUA), de Mel Stuart para a Wolper Pictures, ao apostar em sequências coreografadas com esmero que, em determinados momentos, homenageiam o filme protagonizado por Gene Wilder (Willy Wonka) há mais de 50 anos. Neste ponto, há de se destacar, também, o design de produção e a construção dos personagens, defendidos por um elenco em total sintonia.

 

Calah Lane e Timithée Chalamet em cena de “Wonka” (Foto: Divulgação).

 

Em fase ascendente da carreira, Timothée Chalamet consegue se sobressair nas sequências de dança, equilibrando doçura, obstinação e drama com bastante delicadeza, de maneira a estabelecer interessante jogo cênico com Calah Lane, que esmiúça a dor de uma menina que tem necessidade de superar as muitas adversidades que lhe são impostas para sobreviver. Além deles, Hugh Grant chama a atenção como o Oompa-Loompa que persegue Willy para cobrar uma dívida antiga, mas, importante ressaltar, não é uma das melhores atuações do ator, mesmo que inspirada e divertida.

 

Mais próximo ao “A Fantástica Fábrica de Chocolate” de 1971 que ao remake de 2005, dirigido por Tim Burton e protagonizado por Johnny Depp, “Wonka” é uma produção híbrida sobre a necessidade do indivíduo em conhecer sua própria história e fazer jus a ela, transmitindo a mensagem da importância da família como porto seguro, independentemente da idade. É um filme que dribla algumas fragilidades do roteiro para encantar a plateia e, tal como no passado, deixá-la com vontade de provar os chocolates Wonka.

 

*Não saia antes dos créditos finais.

 

Assista ao trailer oficial legendado:

 

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