Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Uncle Frank’: grata surpresa no catálogo da Amazon Prime Video

“Uncle Frank” é protagonizado por Paul Bettany, o Visão do UCM (Foto: Divulgação / Crédito: Amazon Studios).

Rejeitado por diversos estúdios, segundo o ator e produtor Peter Macdissi em recente entrevista à Variety, “Uncle Frank” (Idem – 2020) chegou como uma grata surpresa ao catálogo da Amazon Prime Video na última quarta-feira, dia 25. Com produção, direção e roteiro de Alan Ball, vencedor do Oscar de melhor filme por “Beleza Americana” (American Beauty – 1999), o longa mescla drama e comédia com sutileza para contar uma história de amor, repressão e aceitação.

 

Levemente inspirado na vida do pai de Alan Ball, supostamente homossexual, de acordo com o cineasta, “Uncle Frank” conta a história de Frank (Paul Bettany), professor universitário que viaja de Nova York até a Carolina do Sul para o velório do pai, acompanhado de seu parceiro e sobrinha. Em sua cidade natal, Frank é confrontado com traumas e fantasmas do passado, sobretudo por tentar esconder sua sexualidade da família.

 

Ambientado nos anos 1970, “Uncle Frank” faz um doloroso retrato do preconceito contra homossexuais, enraizado na sociedade conservadora, por meio de uma família sulista cujo patriarca tirano e repressor renega o próprio filho, humilhando-o sempre que possível para deixar nítido o desconforto com sua presença. Neste cenário, medo, desamparo e remorso se cruzam de maneira avassaladora na personalidade de Frank, que se mantém afastado da família para preservar o relacionamento com Wally (Macdissi), seu porto seguro e, de certa maneira, alívio cômico do longa.

 

Paul Bettany vive personagem inspirado no pai de Alan Ball em “Uncle Frank” (Foto: Divulgação / Crédito: Amazon Studios).

 

Por vezes assumindo roupagem de road-movie, “Uncle Frank” desenvolve sua trama com calma para explicar ao espectador tanto os anseios de Frank quanto os de sua sobrinha, Beth (Sophia Lillis), que vê o tio como exemplo e decide seguir seus passos, buscando a liberdade proporcionada pela vida em Nova York. E é a adolescente a responsável pela união familiar no contexto do luto e, consequentemente, do acerto de contas com o passado e o presente.

 

Beneficiado pela hábil montagem de Jonathan Alberts, esta é uma produção bastante feliz no que tange à escolha de seu elenco, em total comunhão. Popularmente conhecido como o Visão do Universo Cinematográfico da Marvel (UCM), Paul Bettany se destaca dentre os demais por compor seu personagem de maneira a esmiuçar seus conflitos internos, passeando por emoções distintas com propriedade e naturalidade, esbanjando química com Peter Macdissi e Sophia Lillis, que, apesar das atuações corretas, são ofuscados por Margo Martindale (Mammaw) e Steve Zahn (Mike).

 

Conduzido com sensibilidade por Alan Ball, “Uncle Frank” leva o espectador a refletir sobre condutas alicerçadas no preconceito e na intolerância que impactam diretamente a estrutura familiar, transformando amor e admiração em medo e revolta. Recriando com esmero o período entre as décadas de 1940 e 1970, este é um filme interessante principalmente por mostrar que os problemas de outrora ainda não foram sanados e que o respeito ao próximo é a solução mais indicada.

 

Assista ao trailer oficial (sem legendas):

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