Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Tolkien’ segue fórmula tradicional de cinebiografias

“Tolkien” entra em cartaz nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 23 (Foto: Divulgação).

Idolatrado nos quatro cantos do planeta, J.R.R. Tolkien teve grandes sucessos adaptados para a tela grande, obtendo resultados positivos, como “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” (The Lord of the Rings: The Return of the King – 2003), primeira fantasia a vencer o Oscar de melhor filme – o longa ganhou outras 10 estatuetas douradas, entre elas, a de direção para Peter Jackson. Agora, chegou a vez de sua vida invadir a telona com “Tolkien” (Idem – 2019), uma das estreias desta quinta-feira, dia 23.

 

Dirigido pelo cipriota Dome Karukoski, de “Tom of Finland” (Idem – 2017), o longa conta a trajetória do autor e filólogo desde a sua infância até a criação do universo literário da Terra Média, cujo primeiro livro, “O Hobbit” (The Hobbit, or There and Back Again), foi lançado em 1937. Desta forma, o espectador é levado a uma viagem no tempo que mostra as dores da infância, impostas pela perda dos pais, a chegada num lar adotivo, a descoberta do primeiro (e único) amor e a importância de laços de amizade que nem mesmo as batalhas da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1919) foram capazes de desmanchar.

 

Seguindo fórmula tradicional de cinebiografias, “Tolkien” acerta na bela recriação de época, algo potencializado pela fotografia, direção de arte e figurino, mas peca ao não estruturar com esmero sua história, descartando, inclusive, personagens importantes para o jovem Tolkien, como o irmão mais novo, que não tem participação significativa neste longa. Outro ponto negativo é a incapacidade de emocionar a plateia apesar da escolha pelo melodrama que lhe confere ares de telefilme em diversos momentos.

 

Nicholas Hoult e Lily Collins vivem o casal protagonista de “Tolkien” (Foto: Divulgação).

 

Com um casal protagonista sem química, Nicholas Hoult (J.R.R. Tolkien) e Lily Collins (Edith Bratt), “Tolkien” tem no elenco de apoio seu acerto, sobretudo ao escolher Harry Gilby para interpretar o autor na infância e pré-adolescência. Fisicamente parecido com Hoult, Gilby consegue assimilar os mais variados sentimentos de Tolkien com naturalidade, driblando as fragilidades do roteiro que suprime as dificuldades enfrentadas pelo autor, inclusive financeiras, em prol de uma história redondinha e romanceada.

 

Apesar dos problemas, o roteiro assinado por David Gleeson e Stephen Beresford utiliza com propriedade menções à obra de seu protagonista, não apenas nos campos de batalha, como também nos bons momentos, apresentando cada um deles como fontes de inspiração para as histórias ambientadas na Terra Média.

 

“Tolkien” é um filme sobre perseverança e vitória em meio às adversidades impostas pela vida que tem como principal alicerce a montagem de Harri Ylönen, antigo colaborador de Karukoski, que trabalha com cuidado a inserção de flashbacks, permitindo melhor compreensão por parte da plateia.

 

Assista ao trailer oficial legendado:

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