Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

Oscar 2021: ‘Mank’ lidera com 10 indicações

A 93a edição da cerimônia de entrega do Oscar será realizada no dia 25 de abril de 2021 (Foto: Divulgação – Crédito: Richard Harbaugh / ©A.M.P.A.S.).

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (Academy of Motion Picture Arts and Sciences – AMPAS) anunciou nesta segunda-feira, dia 15, os indicados ao Oscar 2021. O anúncio foi feito pelo casal Priyanka Chopra e Nick Jonas, remotamente, em Londres (Inglaterra). E o líder de indicações deste ano é “Mank” (Idem – 2020), que concorre a 10 categorias, incluindo as de filme, direção para David Fincher e ator para Gary Oldman.

 

Produção original Netflix, “Mank” é protagonizado por Gary Oldman (Foto: Divulgação / Crédito: Netflix).

 

Produção original Netflix, “Mank” disputa a estatueta principal com outros sete longas-metragens: “Nomadland” (Idem – 2020), “O Som do Silêncio” (Sound of Metal – 2020), “Os 7 de Chicago” (The Trial of the Chicago 7 – 2020), “Bela Vingança” (Promising Young Woman – 2020), “Judas e o Messias Negro” (Judas and the Black Messiah – 2021), “Meu Pai” (The Father – 2020) e “Minari” (Idem – 2020, EUA / Coreia do Sul). Destes, “Bela Vingança” está na corrida por cinco estatuetas, ao total, enquanto todos os outros disputam seis categorias, cada.

 

Presidida pelo diretor de elenco David Rubin, a Academia tem implementado mudanças impostas pelas novas demandas da sociedade, sobretudo no que tange às questões de diversidade, representatividade e inclusão, algo que ganhou força após as críticas ao Oscar 2016, chamado de “#OscarSoWhite” (Oscar tão branco, em tradução literal). Isto se refletiu na lista de indicados deste ano, que conta com seis atores negros e duas mulheres, sendo uma de origem asiática, na disputa pela estatueta de melhor direção – Chloé Zhao por “Nomadland” e Emerald Fennell por “A Bela Vingança”, que têm como adversários Thomas Vinterberg por “Druk – Mais Uma Rodada” (Druk – 2020, Dinamarca), Lee Isaac Chung por “Minari” e o já citado David Fincher por “Mank”.

 

Chadwick Boseman interpreta um trompetista em “A Voz Suprema do Blues” (Foto: Divulgação / Crédito: Netflix).

 

Nas categorias destinadas a atores, principais e coadjuvantes, a indicação mais esperada era a de melhor ator para Chadwick Boseman por “A Voz Suprema do Blues” (Ma Rainey’s Black Bottom – 2020), que também colocou Viola Davis na disputa de atriz principal. Falecido em agosto do ano passado, Boseman é considerado favorito à estatueta, assim como seu colega de elenco em “Pantera Negra” (Black Panther – 2017), Daniel Kalluya, que o nome mais forte, até o momento, para conquistar o Oscar de melhor ator coadjuvante por “Judas e o Messias Negro”.

 

Dentre as atrizes, uma curiosidade na categoria de coadjuvante: Glenn Close e Olivia Colman são oponentes mais vez, mas como coadjuvantes por “Era uma Vez um Sonho” (Hillbilly Elegy – 2020) e “Meu Pai”, respectivamente. Há dois anos, Close e Colman disputaram a estatueta de melhor atriz por “A Esposa” (The Wife – 2017) e “A Favorita” (The Favourite – 2018). Na ocasião, Colman venceu Close, que, contando com a deste ano, soma oito indicações ao Golden Boy.

 

Enquanto focava em diversidade, representatividade e inclusão, a AMPAS foi confrontada com a polêmica oriunda do streaming, que tenta ganhar cada vez mais espaço na premiação, mesmo que suas produções originais sejam consideradas telefilmes por parte da indústria, inclusive pelo cineasta Steven Spielberg, que integra a instituição.

 

A confusão em torno do streaming se deve ao temor de que as plataformas digitais coloquem um ponto final no modelo tradicional de cinema, isto é, a experiência das salas de exibição responsáveis pelo lucro que mantém as engrenagens da indústria funcionando. Isto se fortaleceu no último ano devido à pandemia de Covid-19, que interrompeu as atividades nos centros de produção, inclusive Hollywood, e fechou salas de exibição mundo afora, transformando o streaming em fonte primária de entretenimento seguro, uma vez que as salas são locais fechados e, portanto, propícias para a disseminação do novo coronavírus.

 

Neste contexto de pandemia e adiamentos de estreias, a AMPAS se viu obrigada a afrouxar as regras de elegibilidade para esta edição do Oscar, tornando elegíveis títulos lançados diretamente no streaming sem a necessidade de exibição comercial em Los Angeles por pelo menos sete dias consecutivos e três sessões diárias. Esta mudança será válida somente nesta edição e para produções que já haviam sido agendadas no circuito comercial, seguindo estritamente as seguintes regras, de acordo com o comunicado oficial da instituição em 28 de abril do ano passado: “1. O filme tem de ser disponibilizado na Academy Screening Room (plataforma de streaming da AMPAS) no prazo de 60 dias após sua exibição ou lançamento em VOD; 2. O filme deve atender a todos os outros requisitos de elegibilidade”. Ou seja, isto não significa uma abertura para quaisquer produções originais de plataformas de streaming como a Netflix e a Amazon Prime Video. Além disso, a Academia também decidiu que títulos comprovadamente inscritos / selecionados em festivais de cinema que foram adiados ou cancelados em decorrência da pandemia estão qualificados para a disputa por uma vaga dentre os indicados ao Oscar 2021 desde que sejam disponibilizados aos membros e sigam as outras regras de elegibilidade.

 

Além disso, os membros do Conselho Diretor também decidiram, também em abril do ano passado, expandir o circuito comercial para a qualificação das produções na corrida pela estatueta dourada após o controle da pandemia e a subsequente reabertura das salas. Sendo assim, cinemas de Nova York, São Francisco, Chicago, Miami e Atlanta deverão ser incluídos na rígida regra de elegibilidade da Academia, mas de acordo com a análise do Comitê de Prêmios e Eventos.

 

A 93a edição do Oscar será realizada no dia 25 de abril e, no Brasil, será transmitida pelo canal por assinatura TNT. Produzida por Jesse Collins, Stacey Sher e Steven Soderbergh cerimônia será dividida em locações devido à pandemia.

 

Confira a lista completa de indicados:

Melhor filme:

– “Nomadland”;

– “Minari”;

– “O Som do Silêncio”;

– “Os 7 de Chicago”;

– “Meu Pai”;

– “Bela Vingança”;

– “Mank”;

– “Judas e o Messias Negro”.

Melhor direção:

– Chloé Zhao – “Nomadland”;

– Emerald Fennell – “Bela Vingança”;

– Thomas Vinterberg – “Druk – Mais Uma Rodada”;

– David Fincher – “Mank”;

– Lee Isaac Chung – “Minari”.

Melhor ator:

– Anthony Hopkins – “Meu Pai”;

– Gary Oldman – “Mank”;

– Steven Yeun – “Minari”;

– Chadwick Boseman – “A Voz Suprema do Blues”;

– Riz Ahmed – “O Som do Silêncio”.

Melhor atriz:

– Andra Day – “The United States vs. Billie Holiday” (Idem – 2021);

– Frances McDormand – “Nomadland”;

– Viola Davis – “A Voz Suprema do Blues”;

– Carey Mulligan – “Bela Vingança”;

– Vanessa Kirby – “Pieces of a Woman” (Idem – 2020).

Melhor ator coadjuvante:

– Daniel Kaluuya – “Judas e o Messias Negro”;

– Leslie Odom Jr. – “Uma Noite em Miami…” (One Night in Miami – 2020);

– Sacha Baron Cohen – “Os 7 de Chicago”;

– LaKeith Stanfield – “Judas e o Messias Negro”;

– Paul Raci – “O Som do Silêncio”.

Melhor atriz coadjuvante:

– Amanda Seyfried – “Mank”;

– Maria Bakalova – “Borat: Fita de Cinema Seguinte” (Borat Subsequent Moviefilm: Delivery of Prodigious Bribe to American Regime for Make Benefit Once Glorious Nation of Kazakhstan – 2020);

– Youn Yuh-jung – “Minari”;

– Glenn Close – “Era uma Vez um Sonho” (Hillbilly Elegy – 2020);

– Olivia Colman – “Meu Pai”.

Melhor roteiro original:

– Emerald Fennell – “Bela Vingança”;

– Lee Isaac Chung – “Minari”;

– Aaron Sorkin – “Os 7 de Chicago”;

– Will Berson, Shaka King, Kenneth Lucas e Keith Lucas – “Judas e o Messias Negro”;

– Darius Marder, Abraham Marder e Derek Cianfrance – “O Som do Silêncio”.

Melhor roteiro adaptado:

– Sacha Baron Cohen, Anthony Hines e Dan Swimer – “Borat: Fita de Cinema Seguinte”;

– Chloé Zhao – “Nomadland”;

– Kemp Powers – “Uma Noite em Miami…”;

– Christopher Hampton e Florian Zeller – “Meu Pai”;

– Ramin Bahrani – “O Tigre Branco” (The White Tiger – 2020, Índia).

Melhor animação:

– “Soul” (Idem – 2020);

– “A Caminho da Lua” (Over the Moon – 2020);

– “Shaun, o Carneiro: O Filme – A Fazenda Contra-Ataca” (A Shaun the Sheep Movie: Farmageddon – 2020);

– “WolfWalkers” (Idem – 2020);

– “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica” (Onward – 2020).

Melhor filme internacional:

– “Collective” (Colectiv – 2019, Romênia);

– “Quo vadis, Aida?” (Idem – 2020, Bósnia e Herzegovina);

– “The Man Who Sold His Skin” (L’homme qui a vendu as peau – 2020, Tunísia);

– “Shaonian de ni” (Idem – 2019, Hong Kong);

– “Druk – Mais Uma Rodada”.

Melhor fotografia:

– “Judas e o Messias Negro”;

– “Nomadland”;

– “Relatos do Mundo” (News of the World – 2021);

– “Mank”;

– “Os 7 de Chicago”.

Melhor edição (montagem):

– “Bela Vingança”;

– “Os 7 de Chicago”;

– “Nomadland”;

– “Meu Pai”;

– “O Som do Silêncio”.

Melhor design de produção:

– “Meu Pai”;

– “A Voz Suprema do Blues”;

– “Mank”;

– “Relatos do Mundo”;

– “Tenet” (Idem – 2020).

Melhor figurino:

– “Emma” (Idem – 2020);

– “Mank”;

– “A Voz Suprema do Blues”;

– “Mulan” (Idem – 2020);

– “Pinóquio” (Pinocchio – 2020, Itália).

Melhor maquiagem e cabelo:

– “Emma”;

– “Era Uma Vez um Sonho”;

– “A Voz Suprema do Blues”;

– “Mank”;

– “Pinóquio”.

Melhor trilha sonora:

– “Destacamento Blood” (Da 5 Bloods – 2020);

– “Mank”;

– “Minari”;

– “Relatos do Mundo”;

– “Soul”.

Melhor canção original:

– “Húsavík (My Home Town)”, de “Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars” (Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga – 2020) – Savan Kotecha, Rickard Göransson e Max Grahn;

– “Fight for You”, de “Judas e o Messias Negro” – H.E.R., Dernst Emile II e Tiara Thomas;

– “Io Si (Seen)”, de “Rosa e Momo” (La vita davanti a sé – 2020, Itália) – Diane Warren, Laura Pausini e Niccolò Agliardi;

– “Speak Now”, de “Uma Noite em Miami…” – Leslie Odom Jr. e Sam Ashworth;

– “Hear My Voice”, de “Os 7 de Chicago” – Daniel Pemberton.

Melhor som:

– “Greyhound: Na Mira do Inimigo” (Greyhound – 2020);

– “Mank”;

– “Relatos do Mundo”;

– “O Som do Silêncio”;

– “Soul”.

Melhores efeitos visuais:

– “Problemas Monstruosos” (Love and Monsters – 2020);

– “O Céu da Meia-Noite” (The Midnight Sky – 2020);

– “Mulan”;

– “O Grande Ivan” (The One and Only Ivan – 2021);

– “Tenet”.

Melhor documentário:

– “Collective”;

– “El Agente Topo” (Idem – 2020, Chile);

– “Time” (Idem – 2020);

– “Crip Camp: Revolução pela Inclusão” (Crip Camp – 2020);

– “Professor Polvo” (My Octopus Teacher – 2020).

Melhor documentário (curta):

– “Colette” (Idem – 2020);

– “A Concerto Is a Conversation” (Idem – 2020);

– “Do Not Split” (Idem – 2020);

– “Hunger Ward” (Idem – 2020);

– “A Love Song for Latasha” (Idem – 2020).

Melhor animação (curta):

– “Toca” (Burrow – 2020);

– “Genius Loci” (Idem – 2020);

– “Se Algo Acontecer… Te Amo” (If Anything Happens I Love You – 2020);

– “Opera” (Idem – 2020);

– “Yes-People” ( Já-Fólkið – 2020, Islândia).

Melhor curta:

– “Feeling Through” (Idem – 2020);

– “The Letter Room” (Idem – 2020);

– “The Present” (Idem – 2020);

– “Two Distant Strangers” (Idem – 2020);

– “White Eye” (Idem – 2020).

 

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