Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

Oscar 2021: exibição em plataforma digital preocupa concorrentes

A 93a edição da cerimônia de entrega do Oscar será realizada no dia 25 de abril de 2021, no Dolby Theatre, em Los Angeles (Foto: Divulgação – Crédito: Richard Harbaugh / ©A.M.P.A.S.).

Nos últimos anos, muito se discutiu acerca do tratamento igualitário concedido a produções de estúdios tradicionais e plataformas digitais, chamadas de telefilmes por muitos, na temporada de premiações que termina com a cerimônia do Oscar, o prêmio que equivale ao pote de ouro no final do arco-íris para muitos profissionais da indústria cinematográfica, especialmente hollywoodiana. Este ano, em decorrência da pandemia de Covid-19 que estremeceu o mundo e modificou todo o cronograma em Hollywood, a preocupação não é restrita à elegibilidade de filmes produzidos por e para o streaming, mas também em relação aos efeitos “negativos” sobre os títulos pensados para a tela grande das salas de exibição e que, agora, neste processo seletivo, têm como única opção a telinha (da TV ou de dispositivos eletrônicos), pois os cinemas de Los Angeles e Nova York estão fechados há meses sem previsão de reabertura.

 

Desconsiderando o fato de que parte dos membros com direito a voto assiste aos filmes em casa desde a criação e popularização das fitas VHS e do posterior envio de DVD’s e blu-ray’s por parte dos distribuidores, alguns profissionais que participam da corrida pela estatueta dourada mais cobiçada do cinema mundial estão criticando a disponibilização de títulos na plataforma digital da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (Academy of Motion Picture Arts and Sciences – AMPAS), a Academy Screening Room, criada em 2019 para facilitar o processo de votação, uma vez que a instituição adicionou membros de diversas nacionalidades, sobretudo após o Oscar 2016, chamado de #OscarSoWhite (“Oscar tão branco”, numa tradução literal).

 

De acordo com o The Hollywood Reporter, a opção de disponibilizar tais títulos diretamente na plataforma da AMPAS é mais barata que enviar DVD’s e blu-ray’s a todos os membros votantes, custando cerca de US$ 12.500 por título, o que acabou por fortalecê-la sobretudo num cenário pandêmico como o atual. “Querida Academia: Envie-me DVDs e eu irei assisti-los. Envie-me links  e eles desaparecem no vasto catálogo de links de streaming que podem ou não ser vistos”, reclamou Paul Schrader, indicado ao Oscar de melhor roteiro original por “Fé Corrompida” (First Reformed – 2017), em sua página do Facebook.

 

Alegando, entre outras coisas, distrações inerentes ao ambiente domiciliar, os profissionais se preocupam principalmente em relação às categorias técnicas, como som, por exemplo, pois os sistemas domésticos não têm a mesma qualidade daqueles utilizados nas salas de exibição, o que poderia comprometer o julgamento dos votantes em produções que têm na técnica um complemento imprescindível da narrativa, agregando valor à obra analisada.

 

Há outro fator levantado que tem sido amplamente debatido nos últimos anos, marcados pela ascensão das plataformas digitais e sua popularização junto ao público, segundo o The Hollywood Reporter: a socialização proporcionada pela experiência cinematográfica da sala de exibição. Seja numa exibição fechada ou em sessão normal, aberta ao público pagante, a troca de ideias pós-filme, presencialmente, não por WhatsApp, está culturalmente enraizada e temporariamente suspensa pela Covid-19. Este burburinho em torno dos filmes os ajuda a brigar na temporada de prêmios e, de alguma forma, colabora para a manutenção do modelo tradicional de cinema. E a saudade deste burburinho será uma importante aliada na retomada pós-vacina, quando grande parte da população, que seguiu rigidamente os protocolos de segurança impostos pelo novo coronavírus, voltar às atividades cotidianas sem medo de um inimigo invisível e extremamente perigoso.

 

Apelidada de Oscar do streaming, inclusive devido ao afrouxamento das regras de elegibilidade, a próxima edição do prêmio da AMPAS foi adiada de 28 de fevereiro para 25 de abril em virtude da pandemia. Contudo, a cerimônia ainda está sob a ameaça da Covid-19, pois a Califórnia é um dos estados americanos mais afetados, o que poderá impactar, mais uma vez, o calendário da temporada e das estreias de filmes, muitos deles postergados a pedido dos próprios realizadores.

 

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