Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘O Protocolo de Auschwitz’: o passado não pode ser esquecido

Dirigido por Peter Bebjak, “O Protocolo de Auschwitz” é baseado em fatos reais (Foto: Divulgação).

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), Adolf Hitler implementou sua Solução Final, exterminando milhões de pessoas, principalmente judeus, em campos de concentração cuja existência era conhecida, mas não o extermínio em massa, apesar dos rumores, como em Auschwitz-Birkenau, na Polônia. As atrocidades lá ocorridas foram denunciadas, de fato, pela primeira vez por dois judeus eslovacos, Rudolf Vrba e Alfred Wetzler, que fugiram em 1944 rumo ao seu país de origem, onde redigiram o Relatório Vrba-Wetzler, que salvou cerca de 120 mil judeus húngaros que seriam enviados ao campo. Esta história é contada em “O Protocolo de Auschwitz” (The Auschwitz Report – 2021, Eslováquia), uma das estreias desta quinta-feira, dia 08, nas plataformas de video on demand (VOD).

 

“O Protocolo de Auschwitz” representou a Eslováquia na corrida por uma vaga entre os finalistas do Oscar 2021 (Foto: Divulgação).

Dirigido por Peter Bebjak, “O Protocolo de Auschwitz” começa em abril de 1944, mostrando o modus operandi do campo de concentração e extermínio por meio da fuga da dupla, interpretada por Noel Czuczor (Freddy) e Peter Ondrejicka (Váler), que contou com a ajuda de outros prisioneiros. No decorrer do longa, as dificuldades enfrentadas por eles, bem como a incredulidade de autoridades face aos relatos da barbárie que vão de encontro ao relatório da Cruz Vermelha, também são apresentadas ao espectador.

 

Baseado no livro “What Dante Did Not See”, de Alfred Wetzler, o longa tem nas atuações de Czuczor e Ondrejicka um de seus pilares, pois a dinâmica entre eles concede veracidade ao drama sobre a coragem de dois jovens que se arriscaram não apenas para salvar a si próprios, mas a tantos outros prisioneiros que lutavam para sobreviver ao Holocausto, e honrar a memória daqueles que não conseguiram escapar com vida dos campos.

 

Representante da Eslováquia na disputa por uma vaga entre os finalistas da categoria de melhor filme internacional do Oscar 2021, “O Protocolo de Auschwitz” ainda chama a atenção pela condução segura de Peter Bebjak e, principalmente, pela fotografia de Martin Ziaran, que explora cores de maneira a conferir a atmosfera sombria exigida pela trama. É um trabalho meticuloso que agrega enorme valor a este longa que evita clichês para desenvolver a trama proposta com objetividade.

 

De difícil digestão, “O Protocolo de Auschwitz” é um filme importante em tempos conturbados e polarizados como o atual. Isto se deve à maneira com a qual o mergulho na História é tratado por Peter Bebjak, que assina o roteiro ao lado de Tomás Bombík e Jozef Pastéka, para transmitir a mensagem cada vez mais necessária de aprender com o passado para não repetir os mesmos erros no presente nem no futuro. Esta mensagem guia toda a produção, algo bastante nítido já em sua abertura com a frase do filósofo e escritor espanhol George Santayana: “Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo”.

 

Assista ao trailer oficial legendado:

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