Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘O Caminho de Volta’: redenção e superação

Protagonizado por Ben Affleck, “O Caminho de Volta” estreou em VOD no Brasil (Foto: Divulgação / Crédito: Warner Bros.).

Com o lançamento diretamente afetado pela pandemia do novo coronavírus, “O Caminho de Volta” (The Way Back – 2020) estreou diretamente em VOD no Brasil. Dirigido e produzido por Gavin O’Connor, o longa chama a atenção por contar uma história que remete à de seu protagonista, Ben Affleck, que há anos luta contra o alcoolismo, doença que quase o fez perder o contrato deste projeto, sendo ajudado pela intervenção da ex-esposa, a atriz Jennifer Garner, que pediu ao diretor uma chance ao ator.

 

Segundo trabalho de O’Connor e Affleck, o primeiro foi “O Contador” (The Accountant – 2016), “O Caminho de Volta” mostra a luta de Jack Cunningham (Affleck) contra seus próprios fantasmas e a bebida. Cada vez mais entregue ao álcool, Jack vê no convite para treinar o time de basquete de seu antigo colégio a oportunidade de se reconectar com o esporte e superar uma dor que não pode ser dimensionada.

 

Assinado por Brad Ingelsby, de “Tudo por Justiça” (Out of the Furnace – 2013), o roteiro deste longa é um tanto previsível, mas acerta por ser conciso e não cometer o pecado da pieguice. Com isso, o espectador é conduzido sem rodeios à jornada de um homem que chegou ao fundo do poço, apresentando os fatos sem julgar o protagonista e encontrando na atuação de Ben Affleck o pilar necessário para conceder veracidade à trama.

 

Personagem de Ben Affleck precisa transformar um time indisciplinado em campeão (Foto: Divulgação / Crédito: Warner Bros.).

 

Vencedor das estatuetas do Oscar de melhor roteiro original e filme por “Gênio Indomável” (Good Will Hunting – 1997) e “Argo” (Idem – 2012), respectivamente, Ben Affleck sempre foi um ator subestimado pela indústria, pela crítica especializada e por parte do público. Contudo, seu amadurecimento em frente às câmeras é inegável e, neste filme, o irmão mais velho de Casey brinda o espectador com um trabalho honesto que reflete sua própria luta pessoal, construindo o personagem com sensibilidade sem deixar de lado os momentos de angústia e força, equilibrados com esmero – Affleck pisou nos sets no dia seguinte à saída da reabilitação.

 

Abordando os problemas familiares do protagonista e, também, dos coadjuvantes, sobretudo do pupilo Brandon Durrett (Brandon Wilson), “O Caminho de Volta” tem como fio condutor de sua trama a importância da família enquanto base para o indivíduo, algo que pode ser observado na necessidade de alguns dos jovens encontrarem em Jack a figura paterna que tanto lhes faz falta. Este é um tema recorrente na Hollywood contemporânea e pode ser observado até mesmo no Universo Cinematográfico da Marvel (UCM).

 

Com trilha sonora inserida com cuidado pela montagem, “O Caminho de Volta” é um filme fórmula convencional sobre redenção e superação, mas que funciona a contento por subverter alguns clichês inerentes ao melodrama, focando na transformação de um homem que precisa acertar as contas com o passado para seguir em frente.

 

Assista ao trailer oficial (sem legendas):

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