Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Missão de Honra’: pilotos poloneses na Batalha da Grã-Bretanha

“Missão de Honra” está disponível no catálogo da Amazon Prime Video (Foto: Divulgação).

“Missão de Honra” entrou em cartaz em poucos mercados (Foto: Divulgação).

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), pilotos poloneses integraram a Força Aérea Real (Royal Air Force – RAF), sobretudo na Batalha da Grã-Bretanha, em 1940, quando a Força Aérea Alemã, a Luftwaffe, realizou uma série de bombardeios no Reino Unido para forçar um armistício. Esta história é contada no drama de guerra “Missão de Honra” (Hurricane – 2018), lançado diretamente no streaming e disponível no catálogo da Amazon Prime Video.

 

Com direção de David Blair, “Missão de Honra” mostra o esforço do Esquadrão 303, de Northolt, liderado pelo canadense John Kent (Milo Gibson), para derrotar a Luftwaffe, abordando o choque cultural e os traumas de homens que testemunharam a barbárie nazista em seu país de origem.

 

A premissa de “Missão de Honra” é interessante, mas a maneira como foi concebido expõe a falta de apuro, principalmente no que tange ao roteiro assinado por Alastair Galbraith e Robert Ryan. Apesar de manter o ritmo narrativo, a trama contém lacunas que poderiam ter sido preenchidas em prol do drama, prejudicado pelo modelo esquemático adotado pela dupla estreante em longas-metragens, o que dificulta o envolvimento do espectador.

 

Com efeitos visuais e sonoros irregulares, provável reflexo do baixo orçamento, estimado em US$ 10 milhões, “Missão de Honra” conta com elenco cujas atuações são divididas entre caricatas e medianas. Neste contexto, seu destaque positivo é Stefanie Martini (Phyllis Lambert), que passeia com naturalidade pelas diferentes camadas de uma jovem que, apesar de estar à frente de seu tempo, aceita permanecer numa relação abusiva e sem amor por considerar o certo a ser feito diante das circunstâncias. Sem dúvida, a personagem mais interessante deste longa que ainda tem como destaques Milo Gibson e Iwan Rheon (Jan Zumbach).

 

Stefanie Martini em cena de “Missão de Honra” (Foto: Divulgação).

 

Tentando conquistar seu espaço como ator, Milo Gibson compôs Kent trilhando pelo caminho seguro da transformação gradual, passando da desconfiança à amizade com os poloneses. Voltando ao universo da Segunda Guerra Mundial, Gibson, que estreou sob a direção do pai, Mel, como fuzileiro em “Até o Último Homem” (Hacksaw Ridge – 2016), não brilha em cena, mas demonstra dedicação apesar do pouco material que lhe foi fornecido pelos roteiristas. É o mesmo caso de Rheon, que trabalha de forma correta a dor e a obstinação do piloto atormentado pelas memórias da Polônia, descartado pelo governo britânico assim como outros combatentes estrangeiros no pós-guerra.

 

Com roupagem de telefilme, “Missão de Honra” vale por apresentar uma parte da História pouco explorada pelo cinema, reconhecendo o papel fundamental dos poloneses para a proteção do Reino Unido.

 

Assista ao trailer oficial:

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