Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Missão Cupido’: anjo da guarda nada convencional

Estrelado por Isabella Santoni, “Missão Cupido” entra em cartaz nesta quinta-feira, dia 10 (Foto: Divulgação).

Às vésperas da celebração do Dia dos Namorados no Brasil, comédias românticas ganham espaço no circuito comercial. Uma delas é “Missão Cupido” (2021), que bebe diretamente da fonte do cinema americano tanto na concepção da trama quanto na estética mais pop. Dirigido por Rodrigo Bittencourt, o longa estreia na próxima quinta-feira, dia 10.

 

“Missão Cupido” é dirigido por Rodrigo Bittencourt (Foto: Divulgação).

“Missão Cupido” conta a história de Miguel (Lucas Salles), anjo da guarda nada convencional que roga praga para sua protegida ainda bebê, interferindo negativamente em sua vida amorosa. 25 anos mais tarde, Miguel é obrigado a voltar à Terra para consertar suas trapalhadas passadas e ajudar Rita (Isabella Santoni) a desencalhar, contrariando a Morte (Agatha Moreira).

 

Utilizando a trilha sonora de maneira a impulsionar a comicidade, “Missão Cupido” trabalha as cores com cuidado para evidenciar a luta entre o bem e o mal, deixando os tons de cinza para a Morte e os coloridos para os outros personagens e seus respectivos ambientes, por vezes, remetendo a histórias em quadrinhos. Contudo, o longa derrapa no som irregular e no roteiro um tanto inconsistente, que aposta em situações repetidas para arrancar risadas da plateia, mas que encontra espaço para embutir uma leve crítica ao cenário político brasileiro.

 

Desta forma, a responsabilidade de sustentar “Missão Cupido” recai sobre os ombros do elenco, principalmente do trio formado por Isabella Santoni, Lucas Salles e Victor Lamoglia (Rafael). Enquanto Santoni compõe sua personagem de maneira a remeter o espectador ao papel que lhe deu visibilidade em “Malhação” no passado, uma jovem que afirma a todo instante não precisar de homem para ser feliz e, com isso, se fecha para relacionamentos, caindo na armadilha da Morte, que surge como pretendente em potencial; Lamoglia cumpre a proposta do personagem, acertando o tom e em sintonia com Salles, o principal destaque da produção. Com bastante naturalidade, o ator consegue assimilar as características do Anjo da Guarda incapaz de respeitar o Estatuto dos Anjos e cumprir sua missão, apostando no tom imaturo e inconsequente que não condiz com sua função celestial.

 

Apesar das evidentes fragilidades, “Missão Cupido” atinge o objetivo de conceder à plateia momentos de entretenimento descompromissado, algo cada vez mais necessário em tempos tão conturbados como o atual, por meio de uma trama calcada em segundas chances, não apenas para o anjo atrapalhado, como também para a jovem que precisa expandir sua visão de mundo e se permitir abraçar oportunidades que podem lhe fazer feliz. É uma comédia romântica leve e sem grandes pretensões, mas que funciona em vários momentos graças ao carisma de Salles.

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