Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Memória em Verde e Rosa’: documentário leva a história da Mangueira para as telas

Documentário estreia nesta quinta-feira, dia 30.

Nesta quinta-feira, dia 30, entra em cartaz o documentário “Memória em Verde e Rosa” (2017). Dirigido por Pedro Von Krüger, o longa leva para a tela grande um pouco da história da comunidade da Mangueira, seus ídolos e seu maior orgulho: a Estação Primeira de Mangueira.

 

Uma das principais comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro, a Mangueira é reconhecida em todo o Brasil por ser o berço de uma das mais tradicionais escolas de samba do país, a primeira a apresentar enredo. É uma comunidade que gira em torno da Estação Primeira de Mangueira, carregando no coração e na alma o verde e o rosa da escola que tem como principal embrião o Bloco dos Arengueiros, criado por Cartola, que não era aceito em outros blocos locais por ser considerado um arruaceiro, assim como seus amigos, entre eles, Carlos Cachaça.

 

Utilizando imagens atuais e de arquivo com depoimentos de ícones da Mangueira, como Cartola, Dona Neuma, Tia Suluca e Nelson Sargento, “Memória em Verde e Rosa” aborda ainda o preconceito contra o samba, inicialmente um gênero musical que crescia à margem da sociedade, pois era considerado o símbolo da malandragem. Aos poucos, o samba se tornou popular e invadiu o asfalto, conquistando as outras camadas da sociedade.

 

No entanto, esta quebra de barreiras sociais gerou uma preocupação entre os integrantes da escola que querem, acima de tudo, preservar a tradição e o histórico musical da Mangueira. Esta preocupação se deve ao término do samba de terreiro e à industrialização do carnaval, colocando a tradição em segundo plano ao possibilitar o comércio do samba enredo, criado por pessoas de fora da comunidade, o que gera críticas sobre perda de cadência e também do brilho da escola.

 

Interessante ao resumir a trajetória tanto da comunidade quanto da escola, este documentário peca em um quesito importante: ignorar a contribuição de José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão, à Estação Primeira de Mangueira. Não há como dissociar a imagem da escola de seu intérprete mais famoso e querido, uma das figuras mais importantes e influentes da história do carnaval carioca, que dedicou parte considerável de sua vida à Mangueira. Com isso, “Memória em Verde e Rosa” passa para o público a sensação de estranheza, vazio e até mesmo de desrespeito para com uma personalidade icônica como Jamelão.

 

Mesmo sem oferecer nenhum elemento que o diferencie de tantas outras produções sobre o universo mangueirense, “Memória em Verde e Rosa” funciona ao levar a história do Morro da Mangueira para as telas, focando sempre na relação fervorosa de seus moradores com a Estação Primeira de Mangueira, mostrando que ela transcendeu o carnaval para se tornar parte da vida de cada integrante da comunidade. É uma paixão que se mistura à tradição e é passada de uma geração para outra de maneira quase religiosa.

 

Assista ao trailer oficial:

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