Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Frankenstein’: clássico de James Whale no NOW

“Frankenstein” foi exibido na Mostra Competitiva do Festival de Veneza de 1932 (Foto: Divulgação / Crédito: Universal).

Num período de necessária quarentena para tentar conter a propagação do novo Coronavírus (Covid-19), a procura por filmes aumentou consideravelmente, sobretudo por lançamentos de plataformas de streaming como Netflix e Amazon Prime Video. Contudo, existem muitos clássicos para serem revistos e até mesmo descobertos pelas gerações mais novas. Um deles é “Frankenstein” (Idem – 1931), de James Whale. Disponível no NOW, o longa é uma opção interessante por ser um dos pioneiros do gênero do terror, produzido numa época de muitas transformações em Hollywood, sobretudo no que tange ao advento do som e da fala no final dos anos 1920.

 

Bebendo diretamente da fonte do Expressionismo Alemão, “Frankenstein” é a principal pérola do filão lançada pela Universal Pictures durante a Era de Ouro (1930-1940), quando o estúdio era chamado de Casa dos Monstros. Marcando o início da parceria entre o diretor James Whale e o ator Boris Karloff (Monstro), o filme é tido como um divisor de águas para a companhia, principalmente por apresentar um monstro que precisa lidar tanto com a loucura de seu criador quanto com o mundo exterior, humanizado por meio do olhar triste e de traços de inocência inerentes aos de uma criança.

 

Baseado no romance de Mary Shelley, “Frankenstein” definiu a linguagem do horror gótico hollywoodiano, sobretudo pela fotografia de Arthur Edeson, a direção de arte de Charles D. Hall e a maquiagem de Jack P. Pierce, que deixou sua marca na História da indústria cinematográfica americana. No entanto, o maior trunfo deste longa é a direção firme de James Whale, que teve seus últimos dias mostrados em “Deuses e Monstros” (Gods and Monsters – 1998), de Bill Condon. Cineasta autoral, Whale é um dos mestres do terror, e levou para seus filmes um pouco do que testemunhou durante a Primeira Guerra Mundial como oficial britânico e, também, como prisioneiro dos alemães, o que pode ser observado mais claramente nas deformações e mutilações dos personagens.

 

“A Noiva de Frankenstein” concorreu ao Oscar de melhor som (Foto: Divulgação / Cortesia AMPAS).

 

O sucesso de “Frankenstein” possibilitou a produção de uma sequência, “A Noiva de Frankenstein” (Bride of Frankenstein – 1935), também sob a direção de Whale. Considerado por muitos um filme superior ao original, o longa brinca com os gêneros do horror e da comédia com propriedade ao arrumar uma companheira para o Monstro, defendida por Elsa Lanchester.

 

Apesar dos bons resultados dos dois primeiros filmes, o personagem começou a perder força na tela grande em sua segunda continuação, “O Filho de Frankenstein” (O Filho de Frankenstein – 1939), de Rowland V. Lee, seguida por “Frankenstein Encontra o Lobisomem” (Frankenstein Meets the Wolf Man – 1943). Dirigido por Roy William Neill, o longa não é protagonizado por Karloff, mas por outros dois ícones do cinema de terror produzido pela Universal na Era de Ouro: Lon Chaney Jr. (Lobisomem) e Bela Lugosi (Monstro), ator eternizado como o Conde Drácula do clássico “Drácula” (Dracula – 1931), de Tod Browning.

 

Dark Universe

 

Nas últimas semanas, muito tem se falado sobre a volta por cima dos “filmes de monstros” da Universal Pictures após “A Múmia” (The Mummy – 2017), de Alex Kurtzman. Remake do clássico de Karl Freund, lançado em 1933 e protagonizado por Boris Karloff, o longa era considerado a salvação do estúdio após o resultado daquele que originalmente marcaria a estreia do Dark Universe: “Drácula – A História Nunca Contada” (Dracula Untold – 2014), de Gary Shore.

 

“O Homem Invisível” integra o Dark Universe da Universal Pictures (Foto: Divulgação).

 

“A Múmia” dividiu público e crítica, colocando em xeque o Dark Universe, que tinha como objetivo ressuscitar os personagens clássicos do estúdio. Estrelado por Tom Cruise, o longa criou uma atmosfera de suspense e desconfiança em torno dos próximos títulos com as criaturas da Universal. Mas isto foi por água abaixo com o lançamento do remake de outro título de James Whale: “O Homem Invisível” (The Invisible Man – 2020), que estava em cartaz quando os cinemas fecharam em decorrência da pandemia do novo Coronavírus (Covid-19). Dirigido por Alex Kurtzman, o filme protagonizado por Elisabeth Moss, a June da série “The Handmaid’s Tale – O Conto da Aia” (Tha Handmaid’s Tale – desde 2017), despertou a curiosidade de uma parcela do público em relação às origens do terror da companhia.

 

A revisão dos clássicos desta fase do estúdio é interessante pelo fato de que a volta de Drácula já está confirmada. De acordo com a Variety, Karyn Kusama está cotada para assumir a direção do projeto, que segue sem previsão de lançamento e título definido. Paralelamente a isso, circulam rumores de um filme solo sobre Frankenstein e do remake de “A Noiva de Frankenstein”.

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