Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Estrada de Sonhos’ entra em cartaz no Rio

Documentário é mais um retrato do já conhecido descaso brasileiro (Foto: Divulgação).

No final de maio deste ano, uma greve de caminhoneiros paralisou diversos serviços em todo o país, que assistia impotente às tentativas de acordo entre a classe e o governo. Isto fez com que muitas pessoas se perguntassem o porquê de o Brasil não utilizar mais trens de carga para o transporte dos mais variados produtos, evitando, assim, o caos que se instaurou por dias, de Norte a Sul do país. Basicamente, não há interesse em investir na construção de novas ferrovias, além do descaso para com as já existentes, algo abordado no documentário “Estrada de Sonhos” (2014), que entra em cartaz no Rio de Janeiro nesta quinta-feira, dia 05.

 

Com direção de Pedro von Krüger, cujo tataravô veio da Prússia em 1855 para construir ferrovias no Brasil, o longa conta a história ferroviária do país por meio da crítica ao abandono de estações que prejudica não apenas o transporte da população, como também a economia de inúmeras cidades. E uma das vítimas do já conhecido descaso brasileiro é a Estrada de Ferro Barão de Mauá, a primeira em nosso território, inaugurada em 1854.

 

O ex-ferroviário e congadeiro Antonio Xisto caminha entre os trilhos de mais uma estrada de ferro abandonada (Foto: Divulgação).

 

“Estrada de Sonhos” aborda o apogeu e a decadência das ferrovias no Brasil, proporcionada também pelo jogo de interesse político, que preteriu os trens em prol de empresas de ônibus e caminhões, de acordo com o documentário. Isto é apresentado ao espectador por meio de registros, depoimentos e trechos de filmes como “Limite” (1931), de Mário Peixoto, “Incelência Para um Trem de Ferro” (1972), de Vladimir Carvalho, e “Condenados Pelo Progresso” (1962), de Carlos Alberto Souza Barros.

 

Citando a influência das viagens de trem no Impressionismo Francês, lembrada em depoimento pela historiadora Ana Magalhães, o documentário ainda tenta traçar um paralelo entre o real e o lúdico, tratando-as como uma experiência além dos trilhos para reforçar a ideia de estrada de sonhos.

 

Exibido na Mostra O Estado das Coisas do Festival É Tudo Verdade 2015, “Estrada de Sonhos” é, no fim das contas, mais um retrato de um país que não preserva sua memória nem seu patrimônio, deixando a conta para o povo pagar.

 

Assista ao trailer oficial:

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