Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Creed II’: Creed versus Drago… de novo!

“Creed II” é uma das estreias desta quinta-feira, dia 24 (Foto: Divulgação).

Lançado há quatro anos, “Creed: Nascido Para Lutar” (Creed – 2015), primeiro spin-off da franquia “Rocky” (Idem – iniciada em 1977), se tornou sucesso de público e crítica por resgatar a essência da série que levou Sylvester Stallone (Rocky Balboa) ao estrelato, funcionando como uma passagem de bastão para o novo protagonista, Michael B. Jordan (Adonis Johnson). Nesta quinta-feira, dia 24, “Creed II” (Idem – 2018) chega às salas de exibição brasileiras com a promessa de repetir o feito de seu antecessor.

 

Segundo longa-metragem dirigido por Steven Caple Jr., o primeiro foi “The Land” (Idem – 2016), “Creed II” começa mostrando a obstinação de Ivan Drago (Dolph Lundgren) em fazer do filho, Viktor (Florian Munteanu), o novo campeão mundial de boxe na categoria de pesos-pesados. E a oportunidade surge quando Adonis vence o cinturão outrora pertencente à Rocky e Apollo (Carl Weathers), que morreu no ringue durante uma luta com Ivan. Adonis descobre que Viktor lhe propôs um desafio pela televisão, e decide aceitá-lo, contrariando Rocky. Em meio a isso, o herdeiro de Apollo descobre que Bianca (Tessa Thompson) está grávida, recebendo o apoio da mãe, Mary Anne (Phylicia Rashad).

 

Ivan Drago (Dolph Lundgren) quer transformar o filho numa máquina de combate para recuperar o respeito do passado (Foto: Divulgação).

 

Apostando em sequências de lutas bem coreografadas que primam pelos efeitos sonoros, bem como pela câmera nervosa que exprime toda a fereza do combate, “Creed II” é um drama de cunho familiar, calcado em situações mal resolvidas que originaram conflitos internos em cada um de seus personagens. No entanto, o foco do longa é apresentar de fato os conflitos de Adonis, ainda assombrado pela imagem do pai, desvendando a dor de Viktor aos poucos e por meio da pressão psicológica de Ivan, que não aceita que o filho se torne um perdedor e utiliza o abandono de sua ex-mulher, Ludmilla (Brigitte Nielsen), como combustível para o ódio e brutalidade de seu herdeiro. Neste ponto, trata-se de um filme que explora as dores da ausência, paterna (Adonis) e materna (Viktor), e a necessidade de exorcizá-las de alguma maneira para que os dois jovens possam renascer e, assim, construir seus respectivos legados.

 

Com Stallone assumindo de vez o posto de coadjuvante, o longa tem entre seus pontos positivos as atuações de Michael B. Jordan e Tessa Thompson, bastante à vontade no universo criado por Sly há 42 anos. Enquanto a dupla dosa com eficiência cada emoção de seus respectivos personagens, Florian Munteanu apresenta certa dificuldade em acertar o tom do jovem Drago. Com isso, o lutador que estreia como ator em longas-metragens opta pela zona de conforto proporcionada por sua experiência no esporte, apostando no físico e concedendo ao personagem ares de máquina de combate sob a pele de vilão russo quase estereotipado. No entanto, suas falhas na construção de Viktor acabam suprimidas pela presença de Dolph Lundgren, que chama os holofotes para si quando divide a cena com o novato devido ao sentimento nostálgico que envolve o cinema de ação oitentista.

 

Com produção executiva de Ryan Coogler, “Creed II” conta com o bom desenvolvimento do roteiro assinado por Stallone, Cheo Hodari Coker e Juel Taylor, e com a montagem de Dana E. Glauberman, Saira Haider e Paul Harb, que costura com perspicácia cenas dos longas anteriores para levar às telas temas como acerto de contas com o passado, renascimento e legado. Mesmo sem a robustez narrativa de “Creed – Nascido Para Lutar”, o novo filme acerta ao deixar a emoção falar mais alto que a ação.

 

Assista ao trailer oficial legendado:

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