Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Brinquedo Assassino’: Chucky repaginado

“Brinquedo Assassino” é uma das estreias desta quinta-feira, dia 22, nos cinemas brasileiros (Foto: Divulgação).

Lançado há 31 anos, “Brinquedo Assassino” (Child’s Play – 1988), de Tom Holland, se tornou um clássico cultuado mundo afora e ganhou diversas sequências e spin-offs, inclusive na televisão. Nesta quinta-feira, dia 22, mais um filme estrelado por Chucky entra em cartaz nas salas brasileiras, “Brinquedo Assassino” (Child’s Play – 2019), produzido por David Katzenberg e Seth Grahame-Smith, de “It – A Coisa” (It – 2017).

 

Com direção de Lars Klevberg, de “Morte Instantânea” (Polaroid – 2019), ainda inédito no Brasil, este reboot consegue envolver os fãs do personagem ao mostrar Andy Barclay (Gabriel Bateman) como um pré-adolescente deficiente auditivo com problemas de socialização e adaptação em seu novo endereço. Solitário, o garoto ganha de sua mãe o boneco fenômeno de vendas, Buddi, da Kaslan Industries. Produzido para se tornar o melhor amigo de seu dono, Buddi é dotado de inteligência artificial e, inicialmente, programado para não cometer atos violentos. Mas uma sabotagem o transforma numa criatura obcecada por Andy e capaz de tudo para ser seu único companheiro, derramando o sangue de quem atrapalhar seus planos, já atendendo pelo nome de Chucky (voz de Mark Hammil).

 

Reboot é protagonizado por Gabriel Bateman (Foto: Divulgação).

 

Referenciando o clássico que o originou, bem como “RoboCop: O Policial do Futuro” (RoboCop – 1987) e “E.T.: O Extraterrestre” (E.T. the Extra-Terrestrial – 1982), “Brinquedo Assassino” tem bases frágeis no que tange ao seu roteiro, escrito por Tyler Burton Smith, extremamente previsível e com mais ênfase no humor do que na construção de uma atmosfera de suspense e terror. Assim, a gargalhada é garantida para os fãs do filme de Holland, principalmente pelo fato de o novo Chucky ser uma espécie de Fofão pós-lifting facial, muitas aplicações de botox e escova progressiva.

 

Apesar das fragilidades do roteiro, este longa, comparado ao original, aprofunda mais o drama de Andy, sobretudo ao mostrar sua conturbada relação com o namorado da mãe. E isto funciona graças à atuação correta de Bateman, que passeia com desenvoltura por todas as questões impostas ao personagem, exprimindo o medo muitas vezes somente com o olhar. O trabalho de Bateman é beneficiado pela interação do elenco que tem como outro destaque Brian Tyree Henry (Detetive Mike Norris).

 

Com uma roupagem típica de produções de horror dos anos 1980, “Brinquedo Assassino” satiriza, de certa forma, a sociedade atual, cada vez mais dependente de dispositivos tecnológicos, principalmente smartphones. Além disso, ainda encontra espaço, mesmo que rapidamente, para discutir a influência de filmes violentos sobre a plateia por meio da consequência do entendimento de Chucky à resposta de Andy e seus amigos ao que é apresentado na televisão. Utilizando elementos do cinema gore, este reboot pode não acertar o tom de tensão inerente aos gêneros aos quais pertence, mas o fato de ser despretensioso e um tanto debochado garante a diversão do espectador.

 

Assista ao trailer oficial legendado:

Comentários




    gl