Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Berlin Alexanderplatz’: sonho alemão

“Berlin Alexanderplatz” chega ao circuito comercial nesta quinta-feira, dia 18 (Foto: Divulgação).

Exibida no Festival de Berlim do ano passado, a nova adaptação do romance “Berlin Alexanderplatz”, escrito por Alfred Döblin em 1929, chega ao circuito exibidor do Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória e Brasília nesta quinta-feira, dia 18, levando a plateia à reflexão acerca da questão migratória na Europa.

 

Com direção de Burhan Qurbani, “Berlin Alexanderplatz” (Idem – 2020) conta a história de Francis (Welket Bungué), que deixa seu país de origem para trás em prol do sonho de conquistar uma vida melhor, prometendo ter a honestidade como norte. Em solo alemão, Francis é confrontado pela realidade, pois, enquanto imigrante ilegal, é obrigado a sobreviver à margem da sociedade, sem direitos nem dignidade. Tentando trilhar o caminho moralmente correto, Francis escolhe abraçar a escolha mais fácil, mergulhando no crime organizado, tendo um psicopata como “mestre”.

 

Roteirizado por Qurbani e Martin Behnke, “Berlin Alexanderplatz” se desenvolve lentamente para explicar ao espectador a jornada do protagonista, por vezes, se repetindo no que tange às suas ações, o que pode torná-lo um pouco cansativo para parte do público. Contudo, a trama chama a atenção pela maneira com a qual é estruturada, mostrando que Francis poderia ter mudado seu destino se tivesse optado por um emprego que não o arriscasse, bem como a todos ao seu redor, propiciando o desatar de laços com o criminoso que fez aflorar seu lado mais desumano. E isto funciona bem na tela também pela sintonia de todo o elenco, principalmente de Bungué, Albrecht Schuch (Reinhold) e Jella Haase (Mieze).

 

Welket Bungué e Albrecht Schuch em cena de “Berlin Alexanderplatz” (Foto: Divulgação).

 

Conhecido do público brasileiro por seus trabalhos em “Corpo Elétrico” (2017) e “Joaquim” (2017), Welket Bungué, que também integra o elenco do próximo filme de Laís Bodanzky, “Pedro” (2020), adiado em decorrência da pandemia, imprime sua força ao personagem, explorando as dúvidas de um homem que gostaria de apagar o passado para reescrever o presente, pensando no futuro proporcionado pelo “sonho alemão”. É uma interpretação que deixa nítida a entrega do ator, assim como as de Schuch e Haase. Schuch compõe o criminoso Reinhold de maneira a intensificar seus problemas mentais, enquanto Haase apresenta uma transformação gradual movida pela relação com Francis.

 

Ambientado no submundo do crime, “Berlin Alexanderplatz” é um drama sobre a situação de refugiados que sentem enorme incômodo ao serem tratados como tal, uma vez que desejam pertencer de alguma maneira ao país no qual residem para que possam ultrapassar a barreira do preconceito, algo extremamente difícil e doloroso devido às circunstâncias que os cercam. Neste sentido, o longa contrapõe dor e esperança colocando a redenção e a regeneração do indivíduo como algo possível por meio do amor e responsabilidade para com os seus, concretizando, assim, o sonho alemão.

 

Assista ao trailer oficial legendado:

 

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