Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

AMPAS: David Rubin fala sobre o foco na diversidade do quadro de membros

A 92a edição da cerimônia de entrega do Oscar será realizada no dia 09 de fevereiro de 2020, no Dolby Theater, em Los Angeles (Foto: Divulgação / Richard Harbaugh ©A.M.P.A.S.).

Eleito o 35o presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (Academy of Motion Picture Arts and Sciences – AMPAS) na noite da última terça-feira, dia 06, David Rubin falou sobre o seu novo desafio ao The Hollywood Reporter, afirmando que o foco de se mandato, inicialmente de um ano, mas com possibilidade de reeleição, será muito parecido com o de John Bailey, que presidiu a instituição pelos últimos dois anos.

 

David Rubin na 8a edição do Governors Awards, em 12 de novembro de 2016 (Foto: Divulgação / Crédito: Richard Harbaugh – ©A.M.P.A.S.).

Em 2017, a eleição de John Bailey causou imenso burburinho na comunidade hollywoodiana por se tratar de um candidato mais conservador num momento em que a Academia precisava ficar longe de polêmicas e críticas, sobretudo após o Oscar 2016, chamado “#OscarSoWhite”, e chegou a ser chamada por muitos de retrocesso. Durante sua gestão, Bailey enfrentou diversas críticas e encarou o desafio de substituir Cheryl Boone Isaacs, primeira mulher afro-americana a presidir a instituição – Isaacs ocupou o cargo por quatro anos, tempo permitido segundo as regras –, que em 2016 assumiu o compromisso de implementar medidas de inclusão para diversificar o quadro de membros não apenas em raça, mas, também, gênero, etnia e orientação sexual.

 

Primeiro presidente abertamente homossexual da AMPAS e primeiro diretor de elenco a ocupar tal cargo, David Rubin compartilha do mesmo objetivo de seus antecessores. No entanto, Rubin, que conciliará seu trabalho na AMPAS com a carreira no cinema e na televisão, afirmou que poderá ter diferentes focos no dia-a-dia. “Acho que John Bailey e eu compartilhamos todas as nossas visões sobre o impacto que o trabalho e as iniciativas da Academia podem ter para cineastas e para o público globalmente, então não acho que haja efetivamente uma diferença em nossa perspectiva. Eu aprecio filmes estrangeiros e filmes independentes, junto com filmes de estúdio. Meu foco é avaliar os batimentos cardíacos da Academia, que são seus membros, e envolver o Conselho Diretor num diálogo sobre a melhor forma de representar nosso quadro de membros, e também para celebrar o trabalho dos cineastas. No dia-a-dia, eu posso ter diferentes pontos de foco, mas acho que há uma paixão por promover filmes globalmente que todo presidente da Academia compartilha”, afirmou Rubin ao periódico, ressaltando que, enquanto secretário do Comitê de Membros e Administrativo, cargo que assumiu em 2018, supervisionou e apoiou diversos esforços da instituição, e que está “feliz por haver tantas mulheres nos comitês executivos este ano, acho que o foco para todos nós tem sido na diversificação de nosso quadro de membros – eu acho que esse é o maior efeito que nós possivelmente temos sobre a cultura – e que pode vir de pessoas de qualquer raça ou etnia”.

 

Ainda é muito cedo para avaliar o impacto da mudança de gestão na Academia e, consequentemente, no Oscar, prêmio no qual Rubin nunca foi indicado. Mas o atual presidente, vencedor do Emmy na categoria de melhor elenco em minissérie, telefilme ou especial por “Game Change” (Idem – 2012) e “Big Little Lies” (Idem – desde 2017), tem como outro grande desafio a questão da elegibilidade de filmes produzidos por, e para, plataformas de streaming, como a Netflix, no Oscar, algo criticado por muitos membros, dentre eles, Steven Spielberg. Em abril deste ano, o Conselho Diretor decidiu que tais títulos podem concorrer à estatueta desde que fiquem em cartaz por pelo menos sete dias em Los Angeles, com três sessões diárias cujos ingressos têm de ser comercializados, mesmo que sejam lançados simultaneamente nas plataformas digitais.

 

Fachada do Academy Museum of Motion Pictures durante o evento Saban Building Restoration Celebration, em 04 de dezembro de 2018 (Foto: Divulgação / Crédito: Richard Harbaugh – ©A.M.P.A.S.).

 

Além destas questões, David Rubin assume a responsabilidade de dar continuidade à construção do museu da AMPAS, o Academy Museum of Motion Pictures. Sediado no histórico May Company Building, construído em 1939 e atualmente chamado de Saban Building, na esquina da Fairfax Avenue com a Wilshire Boulevard, em Los Angeles, o museu tem ocupado o noticiário devido ao alto custo, cerca de US$ 400 milhões, segundo o The New York Times, e aos inúmeros adiamentos de sua abertura, agora prevista para algum momento de 2020, de acordo com o The Hollywood Reporter.

 

Coincidentemente, também na última terça-feira, dia 06, Kerry Brougher, diretor responsável pelo Museu, pediu demissão. Segundo o The New York Times, a instituição divulgou nota dizendo que a equipe de Brougher continuará trabalhando no projeto e que “a busca por um novo diretor começará em breve”. Ao The Hollywood Reporter, David Rubin afirmou, antes de saber da demissão de Brougher, que a AMPAS está menos preocupada com o cronograma da nova empreitada do que com a qualidade. “Como se estivéssemos lançando um filme, escolheremos o momento certo para a nossa abertura e anunciaremos quando for a hora certa”, completou o presidente sobre o Museu que, de acordo com o The Hollywood Reporter, recebeu doações da Netflix e da Bloomberg para a sua construção.

 

O Oscar 2020 será realizado no dia 09 de fevereiro no Dolby Theatre, em Los Angeles. A lista de indicados será anunciada em 13 de janeiro.

 

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