Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘A Casa’ não funciona como drama nem suspense

“A Casa” já está disponível na Netflix (Foto: Divulgação / Crédito: Netflix).

Neste necessário período de quarentena e isolamento social, a procura por filmes nas plataformas digitais aumentou consideravelmente. Dentre as opções de seus variados catálogos, muitos títulos produzidos fora de Hollywood, como o espanhol “A Casa” (Hogar – 2020), que está disponível na Netflix desde a última quarta-feira, dia 25.

 

Dirigido e roteirizado por David e Àlex Pastor, o longa conta a história de Javier Muñoz (Javier Gutiérrez), publicitário bem sucedido que perde tudo e precisa aceitar sua nova realidade financeira ao lado da família, inclusive saindo do apartamento de luxo para outro mais simples. Com dificuldade de conseguir emprego, Javier acaba obcecado pela vida dos novos inquilinos de seu antigo apartamento, fazendo o possível para voltar ao lugar que julga ser seu.

 

Indicado ao Golden Biznaga de melhor filme espanhol, no Málaga Spanish Film Festival, “A Casa” parte de uma premissa interessante, mas tropeça ainda em seu primeiro ato por não conseguir trabalhar drama nem suspense. Isto se deve primordialmente ao roteiro capenga que não explora nenhuma das situações apresentadas, inclusive os problemas das duas famílias, ambas fraturadas.

 

Além do roteiro, “A Casa” apresenta outro problema que afeta diretamente seu resultado final: a escalação do elenco, que não está em sintonia. Os atores têm dificuldades para trabalhar as características de seus respectivos personagens, principalmente Gutiérrez, que opta pelo caminho mais fácil, o da caricatura, para construir um homem ambicioso que abraça a sociopatia. Outro que chama a atenção negativamente é Mario Casas (Tomás), pai de família que precisa lidar com as críticas da esposa enquanto tenta se manter sóbrio.

 

Comparado por alguns ao vencedor do Oscar deste ano, “Parasita” (Gisaengchung – 2019, Coreia do Sul), de Bong Joon-ho, algo que não se sustenta porque são filmes distintos, “A Casa” é uma produção que desperdiça seu potencial ao permanecer na superfície mesmo quando se propõe a tratar de assuntos graves como pedofilia.

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